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the Billage of perception: chapter two

• Mystic Story

• 2022

7.4

No universo do Billlie, the Billage of perception: chapter two é mais um grande passo conceitual, ainda que soe presumível demais.

the Billage of perception: chapter two

• Mystic Story

• 2022

7.4

No universo do Billlie, the Billage of perception: chapter two é mais um grande passo conceitual, ainda que soe presumível demais.

PUBLICADO EM: 05/09/2022

PUBLICADO EM: 05/09/2022

O Billlie é um grupo dedicado em traçar abordagens fora do comum no k-pop. Quando estrearam com o EP the Billage of perception: chapter one, em 2021, elas haviam dado início a um conceito sonoro e lírico bastante inovador se considerarmos a atual quarta geração, em que quase nenhum ato, além delas, possui o objetivo de construir narrativas detalhadas com um capricho singular. Essa característica única rendeu, entre outras coisas, algumas das melhores músicas neste cenário desde então, como “RING X RING” e “GingaMingaYo (the strange world)”.

Depois do excelente the collective soul and unconscious: chapter one, lançado em fevereiro desse ano, o grupo decidiu retornar com aquilo que já tinham explorado no passado. É daí que surge the Billage of perception: chapter two, uma sequência repleta de destaques positivos, mas que, ainda assim, carece de um elemento tão tentador quanto o seu antecessor.

Tentadas a explorar o universo catártico de uma história centrada no surrealismo juvenil, toda narrativa produzida por elas fazem parte de um contexto quase cinematográfico, no qual a realidade e a ficção se misturam ao ponto de causarem estranheza. Existem diversas teorias sobre o significado de cada disco e de suas músicas. Mas, explicitamente, só podemos nos contentar com as letras responsáveis por transmitir mensagens, e uma delas é sobre o processo de transitar da adolescência para a fase adulta. Assim, no momento que criam tais contos, fábulas e, até mesmo, personagens para trazer à tona essas questões, o grupo acaba transbordando e focando em sentimentos reais como a liberdade. 

“Vamos com confiança, pisando / Da cabeça aos pés / Eu gosto de ser eu”, cantam elas na faixa título “RING ma bell (what a wonderful World)”, embaladas por um hard rock marcado pelo solo de guitarra impressionantemente comandado por acordes setentistas. Já na música de abertura, “my B = the Birth of emotion”, podemos notar a presença de um synthpop sonhador com arranjos derretidos no pop adocicado do Billlie. Esse contraste, de fato, remete muito ao que o f(x) fazia em seus melhores álbuns. “B’rave ~ a song for Matilda”, apoia-se em uma construção tímida de ritmo. Aqui, o moog bass se intercala entre versos percussivos, usados para causar um efeito de talkbox, o que deu muito certo. De longe, umas das canções mais interessantes da obra. Nessa onda de experimentar coisas novas, “Mcguffins ~ who’s the Joker?”, torna-se o centro das atenções. Nela, o grupo mescla uma dúzia de elementos como dance pop, acordes latinos e hip-hop, isso, sem perder o direcionamento orgânico de uma mistura puramente densa dentro do k-pop. 

Por outro lado, devido ao crescimento do grupo, passa a ser notável demais que em the Billage of perception: chapter two existe uma certa ambição comercial sem precedentes. Isso, infelizmente, acabou refletindo negativamente na formação das músicas presentes neste projeto. A escolha de fazer um retorno grifado pelo rock até deu certo, aliás, nenhum outro ato da quarta geração fez isso tão bem quanto elas, mas, se comparado ao conjunto geral do que havia sido apresentado antes, essa opção não se destaca como deveria. 

MAIS CRÍTICAS PARA

the collective soul and unconscious: chapter one é uma deliciosa coleção de sentimentos que só o K-pop pode transmitir, principalmente, quando um grupo como o Billlie se propõe em tornar isso realidade
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