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"dazies"

2023 •

Ninja Tune

Com novo álbum a caminho, “dazies” demonstra a habilidade de yeule em se reinventar a partir de suas camadas eletrônicas agregadas a guitarra condensada na produção.

"dazies"

2023 •

Ninja Tune

Com novo álbum a caminho, “dazies” demonstra a habilidade de yeule em se reinventar a partir de suas camadas eletrônicas agregadas a guitarra condensada na produção.
18/07/2023

Identificando-se como entidade ciborgue, yeule tem sido uma força transformadora da música experimental. No primeiro trabalho, Serotonin II, de 2019, a personalidade se aprofundou nas texturas do som ambiente e synthpop. Enquanto isso, a última canção do material, “Veil of Darkness” já demonstrava os caminhos que seriam seguidos em Glitch Princess. O segundo disco conversa com as inconsistências do glitch pop, se debruçando sobre peças sem tratamento para expressar sua vontade. Agora, pouco mais de um ano após o último projeto, yeule vem sinalizando outra alteração de direções com Softscars, que será lançado no dia 22 de setembro deste ano.

O terceiro álbum chega a partir da mudança de selo feita no início de 2023, migrando para a gravadora Ninja Tune. Nessa nova etapa, o primeiro single, “sulky baby”, já indica a fixação de novos ares. Agora, com “dazies”, tem-se uma proposta mais consolidada do que será apresentado no novo registro. A persona nunca deixou de ser um forte nome do ambient pop, mesmo no disco passado em que explora sua vertente experimental. Em sua nova música, assim como na antecessora, as camadas ainda trabalham para envolver o ouvinte preenchendo todo o espaço. Por outro lado, o diferencial dessas novas canções é a maior presença de instrumentos orgânicos, como cordas densas em tons distorcidos — trazendo assim, uma característica mais humanóide e menos androide.  

A personalidade já havia demonstrado a habilidade com o violão na canção “Don’t Be So Hard On Your Own Body”, presente no disco anterior, assim como yeule contou à Pitchfork que estava praticando guitarra. Em “dazies”, é possível ver os resultados desse processo com a adição da soturnidade do shoegaze e do dream pop. É um novo recomeço! As texturas ruidosas ainda não foram abandonadas, na verdade, elas encontraram nessa nova caminhada uma união perfeita. Aspectos do shoegaze, como distorções, vocais contidos e densidade sonora, criam o ambiente sombrio que representa muito da construção ciborgue. Cada uma das facetas demonstradas em seus álbuns são remodeladas ao passarem por adições com o rock alternativo, personificando sua sonoridade ousada. O single “dazies” demonstra a habilidade em se reinventar a partir de suas camadas eletrônicas agregadas ao toque da guitarra condensada na produção. 

Em entrevista à Rolling Stone UK, yeule disse que sua mudança de sonoridade vem sendo influenciada pelas músicas consumidas nos últimos anos, inspiradas no emo e no pós-punk. O rock alternativo, em produção soturna, é também o cruzamento primoroso para sua composição, que sempre foi muito expressiva e profunda. No primeiro single, “sulky baby”, há o desenrolar de uma conversa delicada realizada com seu eu mais novo. Já “dazies” é um registro mais fechado e misterioso que parece trabalhar com a morte de alguém: “Black hole, black sky / Angel cries, and cries, and cries / Flowers around / Your body, found / Sick mind, sick heart / Loveless, apart”. O clipe intenciona a partida da entidade ciborgue, que no final renasce humana. Para acompanhar mais dessa história, Softscars chega em breve, prometendo ser um trabalho de destaque para 2023. 

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