Night Call
2021 • POP • Polydor
POR MATHEUS JOSE; 08 de FEVEREIRO DE 2022
5.2

Durante muitos anos, o Years & Years funcionou como uma banda alternativa bastante receptiva para um público mais modesto. Sem um sucesso estrondoso ou um flop significativo, é possível notar que eles viviam em uma margem bastante usual no pop, com diversos altos e baixos em relação ao que era lançado e visto por quem os acompanhava sem muita atenção. Contudo, apesar de alguns destaques, a banda, de fato, nunca atingiu uma profundidade artística que mudasse os parâmetros dos quais eles eram apoiados o tempo todo. Claro que essa estagnação traria algumas consequências, entre elas, a saída dos membros Mikey Goldsworthy e Emre Türkmen, cuja explicação segue sendo uma decisão tomada em consenso a partir de diferenças criativas. Então, a atual formação segue apenas com o vocalista Olly Alexander, sustentando o projeto todo sozinho.

E como pode ser visto agora, gerir um projeto musical que antes pertencia a um grupo, é uma tarefa bastante difícil. Desse modo, Night Call, o terceiro disco do Years & Years, surge com uma proposta mais limitada e, de certa forma, menos arriscada perto do que poderíamos imaginar quando saiu a notícia de que Olly estaria à frente de tudo. Expectativas sempre serão um problema em casos como esse, mas apesar disso, nem tudo está perdido, pois embora tenha alguns pontos negativos, o álbum ainda assim tem seus méritos, entre eles, o tom divertido e dançante promovido em grande parte das faixas embaladas por sintetizadores e uma clara influência dos anos 80.

Embora o principal ponto positivo no álbum seja em relação ao ritmo que não sofre nenhuma queda brusca igual ao que estamos acostumados a ouvir em obras que exploram as batidas oitentistas, Night Call, dispõe de pouca variedade melódica e uma superficialidade óbvia em composições que não possuem nada interessante. Isto é, o que você lê no nome do álbum, é o que você encontra dentro do seu conteúdo lírico: canções que remetem a vida noturna o tempo todo. E quando surge uma variação nesse tema, o destaque acaba rendendo pouco, pois apesar das diferenças acerca do que é proposto nos arranjos e no tom mais ameno, a fórmula presente na letra é, basicamente, a mesma. Exemplo disso é a faixa “Make It Out Alive”, que se encontra em um momento mais calmo e reflexivo, mas, ainda assim, dentro de um contexto programado para empurrar sentimentalismo sem um plano de fundo para isso, como pode ser visto na letra: “Maybe that’s the way I was raised / To hold on to the things that I can’t change / I just wish I had the courage to see the truth”.

Diferente do disco anterior, Palo Santo, em Night Call pode-se notar a ausência de uma mudança que poderia muito bem resolver o problema que é visto em uma sequência muito seca de melodias sintéticas, repetitivas e sem qualquer profundidade que possa surpreender quem ouve. E mesmo com a participação especial de Kylie Minogue em “A Second To Midnight”, música presente na versão New Year’s Edition, disponível no Spotify, o álbum consegue engatinhar rumo ao que era esperado vindo da personalidade pop avassaladora assumida por Olly nos videoclipes que divulgaram de forma bastante morna o lançamento desse disco.

Da capa, que de cara já imprime as incertezas criativas presentes no álbum, tudo em Night Call parece ser feito com pouco propósito ou sem uma dedicação mais incisiva, a qual chamava a atenção em outros trabalhos assinados pela banda. Se o problema envolvendo os integrantes foi o grande responsável por condenar o desenvolvimento mediano desse disco, só o tempo irá dizer, uma vez que, apesar de incerto, o futuro de Olly à frente do Years & Years pode render muita coisa boa. Basta ele provocar as mudanças necessárias das quais são extremamente importantes nesse momento.