Last Year Was Weird, Vol. 3
2021 • POP/RAP/HIP-HOP • 4AD
POR LEONARDO FREDERICO; 12 de JULHO de 2021
7.7

Em uma entrevista com a Apple Music, Tkay Maidza definiu cada uma das partes de sua trilogia Last Year Was Weird. Para ela, a primeira, com seus tons mais claros, era o dia, enquanto a segunda, trabalhada em tons mais pesados e mais escuros, era a noite. A terceira, por sua vez, é a peça final e é vista por ela como o dia seguinte. Ela acrescentou que todos estes projetos são como um rito de passagem que a levará a entender onde ela está e para onde quer ir. “A música que estou fazendo agora é mais como o que ouço. Eu queria que minha percepção e a maneira como eu me sinto correspondesse”, disse ela. Entretanto, por mais que Last Year Was Weird, Vol. 3 ainda mantenha o patamar que Maidza estabeleceu para ela, ele é definitivamente mais fraco que seus predecessores.

Logo nos segundos iniciais, Last Year Was Weird, Vol. 3  já se mostra mais fraco que os seus dois irmãos mais velhos. A abertura, “Eden”, embora relativamente boa, está longe de ser a melhor escolha para abrir o projeto, especialmente se você considerar a primeira canção do Vol. 2, “My Flowers”. Entretanto, o fator mais pertinente desta primeira faixa é que ela é um reflexo instantâneo de todo o EP: não é ruim em momento algum, porém, não se pode negar que não é tão memorável e cativante, não conta como uma produção tão ousada, e não parece tirar o máximo proveito de seu próprio contexto. Em outras palavras, quando você olha a melhoria que houve da primeira para a segunda e ouve esta última instância da trilogia, você se sente desapontado por não ter ficado tão surpreso quanto antes, mas ainda assim se diverte um pouco.

O som mais pé no chão do Vol. 3 talvez seja a maior decepção do projeto. Em comparação com os outros, apesar de parecer ter um som mais amplo, este é menos ousado e menos ativo no ouvinte. E esses momentos tépidos do disco estão concentrados logo no início, o que, de certa forma, aumenta o impacto em sua experiência total com o álbum. Enquanto “Onto Me”, com UMI, é totalmente esquecido, “So Cold” consegue ser um pouco mais marcante, mas não se iguala aos grandes sucessos que Maidza provou ser capaz de fazer. Finalmente, a canção final do EP, “Breathe”, é outro momento fraco porque é simplesmente esquecível. Embora tenha algumas qualidades que você pode notar enquanto a escuta, ela terá perdido todo seu brilho e irá cair no esquecimento alguns minutos depois.

Entretanto, o Vol. 3 também carrega vários momentos dourados, embora não da maneira mais potente. É na faixa “Syrup” que o EP começa a aquecer e a dar certo. Ela apresenta sintetizadores e tambores industriais volumosos com Tkay executando um flow incrível enquanto ela canta: “I just wanna be rich / Thick, sweet, sick / Syrup, syrup, syrup”. Depois “Kim”, com instrumentais ainda mais experimentais, traz de volta lembranças de um antigo programa de TV da Disney. Mas o mais incrível é como Tkay, junto com Yung Baby Tate, consegue fazer com que a faixa tenha esta incrível progressão, tornando o som mais intenso, criando esta escalada memorável, e transformando repetições cansativas no gancho em algo realmente interessante. Enquanto isso, “High Beams”, que apresenta uma mistura interessante de grandes vocais de igreja e batidas de hip-hop, contrasta com “Cashmere”, uma espécie de balada pop suave que mostra o cantor em uma relação destrutiva.

Entretanto, apesar de todas essas qualidades, você não pode deixar de desejar que a Maidza tivesse ido mais longe. Considerando que este é o primeiro EP da trilogia que teve seu processo afetado por um ano de isolamento social, lockdown e pandemia, é claro que ela poderia ter trabalhado vários outros temas com uma mão mais firme e incisiva. Em vez disso, Maidza parece ter se concentrado mais no drama de sua vida pessoal e privada do que em algo mais abrangente, o que talvez tivesse sido mais interessante neste caso. Mas talvez você não reclame muito, pois aqui a Maidza prova que, na pior das hipóteses, ela entrega coisas que não são tão surpreendentes. Algo ruim está sempre fora de questão para ela.