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333

2021 •

independente

7.8
333 talvez não seja seu melhor álbum, mas é um de seus mais ecléticos e interessantes, mostrando a versatilidade e talento da artista.
Tinashe - 333

333

2021 •

independente

7.8
333 talvez não seja seu melhor álbum, mas é um de seus mais ecléticos e interessantes, mostrando a versatilidade e talento da artista.
12/08/2021

Sair de uma gravadora e se tornar um artista independente pode trazer várias complicações, especialmente por não se ter mais acesso aos recursos necessários que um contrato disponibiliza. Todavia, a cantora estadunidense Tinashe já havia lançado um álbum de forma independente, o Songs For You, de 2019, quando saiu da RCA para, conforme o que a empresária dela disse em um comunicado, recuperar seu controle criativo. Com isso, Tinashe conseguiu fazer Songs For You um de seus melhores discos, mostrando que não é preciso ajuda de nenhuma gravadora para conseguir entregar bons trabalhos.

Em 333, seu quinto disco, a artista prova mais uma vez isso. Tinashe volta com seu disco mais experimental e eclético, tentando experimentar vários gêneros como art pop, synthpop e outros, apesar de continuar predominantemente R&B. Nesse novo projeto, a cantora também dá continuidade ao legado de “fazer aquilo que você se sentir bem fazendo”, além de explorar seu lado ambicioso. Um ótimo exemplo dessa mistura e da continuidade desse sentimento é “Small Reminders”, na qual ela apresenta desde tendências inspiradas no jazz para elementos coordenados pelo funk sem qualquer esforço, construindo uma canção extremamente diversificada, mas continuamente homogênica.

A produção é algo que se destaca muito, entregando em quase todas as músicas um trabalho cheio de camadas bastante complexas, criando para aqueles que ouvem o álbum uma experiência completa e notável. Uma das faixas em que esse ponto mais se sobressai é “333”, que vai mudando e adicionando progressivamente mais elementos de outros gêneros e movimentos, construindo uma sonoridade bem interessante e concretizando uma grande e variada mistura desses estilos. Seus vocais também são ótimos, enfatizando eles nas faixas “Last Call” e “I Can See The Future”, onde encontramos um desempenho vocal forte, bonito, amplo e firme. Outro destaque é na faixa título, que mostra a sua voz angelical.

Uma coisa em que o disco não se destaca tanto são as letras. Elas não são ruins, grande parte são decentes, mas não são tão interessantes. Os momentos em que o álbum mais brilha em termos de composição é quando a cantora canta sobre amor de forma mais sentimental, como em “Undo (back to my heart)”: “I’ve been focused on all of the things that went wrong / Now I don’t care who’s even at fault / We could turn it all ’round, no, it’s never too late / Findin’ your way right back to my heart ”; e em “Let Me Down Slowly”, onde ela canta: “You know it’s hard on me / I don’t wanna cry no more / Waiting all night for you to hold me”.

333 talvez não seja seu melhor disco, mas é um dos mais interessantes e ecléticos de carreira de Tinashe. Ainda que em algumas músicas, apesar ser claro a possibilidade de uma experimentação ainda mais ousada onde ela conseguia experimentar outros estilos, ela não tenha o feito, ela nunca conseguiu entregar um repertório tão variado como fez aqui. 333 acaba por ser um álbum surpreendente em que a artista se mostra extremamente versátil e talentosa.

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Com apenas sete faixas, BB/ANG3L é mais uma adição certeira ao catálogo independente de Tinashe e consagra a louvável capacidade de reinvenção da artista como força motriz da cena R&B contemporânea.
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