“Take My Breath”
2021 • POP • XO
POR MATHEUS JOSÉ; 6 de AGOSTO de 2021

Avaliação: 4 de 5.

O envolvimento de Abel com o pop-disco começou bem antes de 2020, ano em que Jessie Ware, Dua Lipa e Roisin Murphy se tornaram grandes vozes do revival do gênero. Fruto da colaboração com o duo Daft Punk, as canções “Starboy” e “I Feel It Coming” do álbum Starboy, de 2016, foram grandes iniciativas do que tempos depois se tornaria uma das principais bases exploradas na música pop ultimamente.

Foi então que no período de 2019 à 2020, Abel se consagrou como o grande mensageiro da onda anos 80 que varreria o mundo da música. Embora no underground esse movimento fosse mais presente, The Weeknd foi o nome responsável por dar o empurrão necessário para que a partir de então, o mainstream abraçasse a ideia, e assim foi feito. Com single “Blinding Lights” e o álbum After Hours, o primeiro passo fixo do Synthwave aos moldes de Abel alcançou sucesso comercial e de crítica, mesmo que apesar das óbvias referências e, ora ou outra, usando sons mais progressivos, ele nunca de fato se gabou de ter criado tendência. Mas dessa vez é diferente, pois em “Take My Breath” Abel encontra a confiança necessária para dizer o quão sua ousadia é resultado do que ele mesmo construiu nos seus últimos lançamentos. E com isso, mais solto do que nunca, ele abraça de vez o sequenciador rítmico amparado pelos sintetizadores para lá de Moroder e se joga na pista de dança até ficar sem fôlego, como canta no refrão: “Take my breath away / And make it last forever, babe / Do it now or never, babe / Take my breath away / Nobody does it better, babe / Bring me close to”.

Além do ritmo incansável que pode ser notado nos três minutos e quarenta segundos de música, o desempenho vocal de Abel consegue ressurgir ainda mais atmosfera pretendida por ele, que avança de nota em nota rumo a explosão seguida pela produção majestosa e incrivelmente nostálgica. Em mais um excelente passo da sua carreira, fazendo referência às suas influências — o Daft Punknismo —, Abel alcança, mais uma vez, a posição criteriosa de trabalhar o passado no presente como ninguém.