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First Two Pages of Frankenstein

2023 •

4AD

6.7
O último álbum de The National cruza a linha entre o excelente e o medíocre.

First Two Pages of Frankenstein

2023 •

4AD

6.7
O último álbum de The National cruza a linha entre o excelente e o medíocre.
04/05/2023

A mais recente obra musical do The National, intitulada First Two Pages of Frankenstein, é um álbum que apresenta uma série de artistas de renome, incluindo Sufjan Stevens, Phoebe Bridgers e Taylor Swift, apresentando um elemento inédito à banda, que são as colaborações. Elas trazem um lado mais sentimental para o som do grupo, mas será que trouxe, de fato, resultados positivos para o projeto na sua totalidade?

A primeira coisa que se destaca no disco é a profundidade emocional e a complexidade lírica das músicas. As letras são muito bem escritas, mas, desta vez, parecem mais pessoais e íntimas, explorando temas como amor, perda, redenção e, em muitos casos, a experiência de envelhecer. A voz do vocalista Matt Berninger é um instrumento poderoso, capaz de transmitir todas essas emoções de forma clara e intensa.

O álbum é uma reflexão sobre a mudança e a evasão, ao mesmo tempo que aborda a depressão e o bloqueio criativo de Berninger. Tal estagnação criativa pode justificar a necessidade de trazer parcerias, o que não é deplorável de todo, porque, em muitos casos, ajudam o artista a ganhar mais inspiração, como também trazem perspetivas e ideias para a mesa. Em “The Alcott”, com Taylor Swift, temos uma amostra de quão benéfica é esta aliança, mostrando o melhor das capacidades líricas do grupo e da estrela pop, abordando a narrativa de duas pessoas com uma longa história retornando a um lugar e tentando reviver um certo momento no tempo (“When you see it’s me / I had to do something / To break into your golden thinking”).

No entanto, em outras faixas, as colaborações parecem ser inseridas sem muita reflexão, soando previsíveis e pouco inspiradoras, não aproveitando as destrezas extraordinárias dos outros artistas. O álbum, em sua maior parte, consiste em estruturas musicais bem concebidas, porém incapazes de atingir sua capacidade máxima, permanecendo em uma zona de conforto que não ousa arriscar ou surpreender. Por exemplo, em canções como “Eucalyptus” e “New Order T-Shirt”, é utilizado instrumentos genéricos acompanhados por melodias cativantes, criando uma base que fica entre o excelente e o medíocre.

First Two Pages of Frankenstein apresenta uma construção musical bem-feita, mas que falha em explorar todo o seu potencial artístico. Em comparação com outros trabalhos atuais da banda com outros artistas contemporâneos, o novo material de The National acaba por ser frustrante, uma vez que sabemos das habilidades excepcionais do grupo. O projeto pode ser visto então como um trabalho competente, mas que não alcança o estatuto de obra-prima.

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