THRILL-ING
2021 • K-POP/POP • CRE.KER ENTERTAINMENT
POR MATHEUS JOSÉ; 18 de AGOSTO de 2021
6.8

O verão chegou na Coreia, e com ele, os lançamentos de K-pop que, anualmente, seguem esse conceito. E apesar de ser a melhor época para os fãs e, principalmente para o mercado, onde os grupos exploram visuais tropicais e canções mais divertidas, os lançamentos desse período fértil na indústria costumam seguir uma cartilha bem típica que os definem através de algumas características. E quanto a isso, o novo comeback do THE BOYZ acaba sendo um exemplo de que nem sempre esse formato pré-embalado pode resultar em algo no mínimo conveniente como costuma ser.

THRILL-ING, o sexto mini-album do grupo poderia facilmente ser algo que o NCT ou Stray Kids faria, mas em relação à temática, esse até que rende uma perspectiva interessante. A proposta do grupo era de trazer diferentes abordagens acerca da sonoridade em cada música, somando 6 no total. Mas, infelizmente, essa ideia careceu de um desenvolvimento melhor, pois a diferença, apesar de existir, acaba não surtindo efeito nenhum — o que torna frustrante ouvir o disco esperando algo tão “uau” como parecia que ia ter —, fazendo com que alguns desperdícios somem ao descartável e, muitas vezes ao genérico tratamento que as faixas recebem em sua totalidade.

Exemplo disso é o pontapé inicial com música de abertura “THRILL RIDE”, onde o ritmo que se desenvolve de maneira decente e empolgante acaba correspondendo penosamente ao que o grupo sempre fez, principalmente no refrão que parece faltar com criatividade devido a intensa repetição de palavras, aspecto esse que pode ser observado em “T-thrill ride, t-thrill ride (how ya feeling) / T-thrill ride, t-thrill ride (ah)”. Porém, longe desse sentido, a faixa “Out Of Control” se distancia de todas as outras e se revela o melhor momento de todo disco, começando com um ritmo quente banhado pelo EDM que explode no refrão, uma canção indiscutivelmente astuta dado o contexto em que o grupo se encontra de ser um dos principais atos da quarta geração.

Em “Dancing Till We Drop”, os 11 integrantes seguem na tentativa incansável de demonstrar a variação sonora pretendida por eles na proposta desse mini-album conservado pela perspectiva do grupo, e em partes, isso acontece positivamente, principalmente pela abordagem pop-disco e o lirismo alegre que a canção desenvolve nos minutos radiantes de puro prazer. Enquanto isso, “Nightmares” e “Merry Bad Ending” se distanciam da produção fervorosa e plastificada, onde o grupo utiliza seus vocais — quase em coro — para cantar ao lado de batidas mais contidas sobre declarações e desejos amorosos, como no trecho: “Para aquele lugar que não é tão longe / É como se você estivesse me chamando / Garota você conhece / Meu coração bate, meu coração bate por você”.

“B.O.Y (Bet On You)” além de ser a responsável por encerrar o disco, é também a responsável por confirmar maior êxito do grupo nesse projeto: a ausência de baladas. Diferente de Breaking Dawn, lançado no início do ano, THRILL-ING é menos experimental e, por isso, mais assertivo, principalmente pelo fato de que aqui o grupo conseguiu realizar um comeback completo, sem muita pressa ou distantes da programação de lançamentos que acontecem nesse tempo. No geral, o sexto mini-album do THE BOYZ pode não ser o melhor exemplo que remonte perfeitamente o verão do K-pop na Coreia, ou que a abordagem da proposta seja tão assertiva quanto poderia ser, mas no fim das contas, esse lançamento nos prova que eles parecem criar noção a cada lançamento, pois a melhora desse último projeto para o anterior é gritante. Eles podem ter um futuro brilhante, basta abandonar essa fórmula que cada dia mais perde o sentido.