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Being Funny In A Foreign Language

2022 •

Dirty Hit

7.8
Em seu novo projeto, The 1975 encontra o equilíbrio perfeito entre experimentalismo e mainstream.
The 1975

Being Funny In A Foreign Language

2022 •

Dirty Hit

7.8
Em seu novo projeto, The 1975 encontra o equilíbrio perfeito entre experimentalismo e mainstream.
25/10/2022

Conhecida pelos seus temas sombrios e juvenis de sexo, amor e medo combinados com música de rock alternativa etérea, a banda The 1975 tornou-se um fenônemo entre o público mais jovem, mais tarde ganhando reconhecimento não só no mainstream, como na crítica. Todavia, cada passo em frente que eles tomam na discografia é questionável. Esporadicamente, progridem artisticamente, como no aclamado A Brief Inquiry Into Online Relationships, de 2018, e outras vezes dão uma decaída na qualidade, tal como no antecessor Notes on a Conditional Form. No entanto, parece que esse novo projeto traz um equilíbrio artístico autêntico e confortável ao grupo britânico.

A produção continua a ser característica da banda, com refrões contagiantes e melodramáticos que parecem sair de uma soundtrack de um filme indie dos anos 80. Contudo, o recente elemento que traz nuances interessantes à fórmula do grupo é Jack Antonoff, que consegue trazer algo novo e diferente. Um exemplo dessa mudança é o primeiro single, “Part Of The Band”, que usa instrumentais orgânicos orquestrados num refrão calmamente e encantador. E acabando por explorar novos gêneros além do pop rock, como a new wave e o synth funk na alegre e energética música “Happiness”.

Contudo, nem tudo é um mar de rosas. As composições do álbum são bastante influenciadas pela cultura da Geração Z, mas de uma forma pouco substancial. Na faixa de encerramento, “When We Are Together”, temos amostras de quão vergonhoso alguns versos são a tentarem ser inteligentes em busca de uma estética juvenil (“The day we both got canceled / Because I’m a racist and you’re some kind of slag” e “I like socks with sandals, she’s more into scented candles”). A falta de consistência no lirismo torna a ouvida redundante, fazendo com que o ouvinte fique melhor ignorando certos versos em prol de sentir as canções. Este é o único quesito em que a banda não mostra evolução. 

Em relação aos vocais, Matthew Healy dá um show completo. O desempenho do cantor traz emoção mesmo às músicas que carecem de conteúdo lírico. “All I Need To Hear” e “About You”, por exemplo, contêm várias camadas e harmonias que são um deleite ao ouvido, mostrando que os britânicos não são sustentados apenas pela instrumentação.O fato do projeto ser resumido em 11 faixas resultou numa maior coesão e numa redução do número de fillers, que era um problema consistente nos álbuns anteriores da banda. Being Funny In A Foreign Language acaba por ser excêntrico e confortável ao mesmo tempo, questionando-se a si próprio se conseguiria ser ainda mais grandioso sem prejudicar a experiência sonora.

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