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"Karma (feat. Ice Spice)" / "Snow On The Beach (feat. More Lana Del Rey)" / "Hits Different" / "You're Losing Me"

2023 •

Republic

Essas quatro novas músicas resumem bem toda discografia de Swift.
Taylor Swift - Midnights Til The Dawn

"Karma (feat. Ice Spice)" / "Snow On The Beach (feat. More Lana Del Rey)" / "Hits Different" / "You're Losing Me"

2023 •

Republic

Essas quatro novas músicas resumem bem toda discografia de Swift.
30/05/2023

Para Taylor Swift, as coisas sempre parecem funcionar na direção oposta. Enquanto diversos artistas fazem longas pausas entre seus lançamentos, na tentativa de fazer o público criar expectativas em cima do novo material — como Adele com suas pausas de cinco anos, ou, ainda, Fiona Apple e as esperas de quase uma década —, Swift, pelo quinto ano consecutivo, vem soltando novas canções, sendo elas trilhas sonoras para filmes fracassados ou regravações do seu próprio catálogo. Sua discografia está, não vamos mentir, uma bagunça: um disco de inéditas lançado no meio do processo de reconquistar os direitos autorais dos seus seis primeiros álbuns, enquanto 1989 (Taylor’s Version) já teve singles lançados, mas sem nenhum anúncio oficial. Magicamente, no entanto, Swift mantém seu hype acima — e apesar — de tudo.

Speak Now (Taylor’s Version) foi anunciado no começo desse mês com data de lançamento marcada para julho, mas isso não impediu Swift de voltar a trabalhar em Midnights. Recentemente, duas novas edições surgiram: Midnights (Late Night Edition) e (Til The Dawn Edition). Ao passo que a primeira conta com uma música não lançada anteriormente, a segunda traz “Hits Different”, antes disponível apenas na versão especial da Target, para os streamings. Em ambas versões, um remix com Ice Spice para a música “Karma” e a adição de mais vocais de Lana Del Rey em “Snow on the Beach (Feat. More Lana Del Rey)” brilham entre os lançamentos. No entanto, apesar dos pontos positivos dessas quatro novas faixas, seu único propósito parece ser apenas um aquecimento até a chegada da regravação do álbum de 2010 de Swift. 

Primeiramente, debruçando-se sobre os remixes, ambos são inferiores às suas versões originais. “Karma” (2/5), com Ice Spice, como exemplo, parece ter sido feita às pressas e de qualquer jeito, fazendo crer que tudo não passa de um mashup desses postados por anônimos no YouTube. Embora Ice Spice tenha feito um contraste interessante com Swift, a maneira pela qual os dois lados da canção foram suturados parece amador e improvisado — a carência de melhores transições é toda escancarada. “Snow On The Beach” (3,5/5), por outro lado, é um fan service para aqueles que reclamaram sobre a falta de Lana Del Rey cantando um verso inteiro. Nessa nova versão, Lana tem uma participação maior, mas não parece adicionar muito, fazendo sua atuação como complemento para Swift algo mais interessante. Ademais, alguns acordes de corda e vocais em fade-out contribuíram para uma visão negativa da música. 

Com relação às canções inéditas, ambas divergem em estilo e temática, mas as duas são peças douradas na discografia de Swift. “Hits Different” (4/5) é uma faixa chiclete, advinda diretamente de um filme de comédia romântica nos anos 2000. Embora isso, sua habilidade de fazer dançar e chorar e suas conotações melodramáticas cinematográficas são um exímio para música pop atual — fazia tanto tempo que algo soava tão gostoso e leve assim. Essa canção é um ponto médio perfeito para Swift, fundido seu lado maduro com infantil (“I washed my hands of us at the club / You made a mess of me” e “It hits different ’cause it’s you”) em uma tragédia-cômica trabalhava em cima das peças que nossa mente prega. “You’re Losing Me” (4,5/5), por outro lado, é mais densa. Com assinatura clara de Jack Antonoff e seus sintetizadores atmosféricos com leves pinceladas oitentistas, a faixa mostra a cantora definhando enquanto implora para seu parceiro reconhecer seu amor: “I’m fading, thinking / Do something, babe, say something”. Enquanto a construção instrumental é mínima, ainda que envolvente, e tenha as — não inéditas — distorções dos vocais de Swift, a composição apenas fica cada vez mais intensa: de conflitos quaisquer do primeiro versão (“You say, ‘I don’t understand,’ and I say, ‘I know you don’t’”), chegamos na cantora da ponte odiando e culpando a si mesma (“And I wouldn’t marry me either / A pathological people pleaser”). Dessarte, essas quatro músicas resumem bem toda discografia de Swift: seus remixes falhos, suas canções bobas que concretizam bem seus propósitos simples e suas devastadoras canções de coração partido. 

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