ODDINARY
2022 • K-POP/POP • JYP ENTERTAINMENT
POR MATHEUS JOSÉ; 21 DE MARÇO DE 2022
7.1

Não existe meio-termo para quem acompanha o Stray Kids. Eles são amados e odiados por muitos simplesmente pelo fato de terem uma proposta musical tida como estranha e, por vezes, barulhenta demais. O grupo é a principal aposta da JYP para compor a atual quarta geração, que, por sinal, tem eles como um dos seus maiores atos. Apesar de nunca atingirem um nível profundo no ponto de vista artístico, as brincadeiras proporcionadas em seus projetos são sempre muito bem-vindas. Exemplo disso é o novo mini álbum deles, que surge como uma afirmação de que os mesmos não pretendem abandonar aquilo que fazem de melhor: o estardalhaço musical.

Por sorte, mesmo tendo uma recepção negativa por parte do público, o Stray Kids ainda assim consegue trazer um diferencial para o K-pop, isso é inegável. Enquanto muitos grupos seguem o exaustivo molde de cantar e performar canções fabricadas e dadas a eles sem o mínimo de critério individual, o Stray Kids, por outro lado, além de se envolver naquilo que eles vão lançar, também parecem se distanciar do que costumamos ouvir a rodo nessa indústria que pouco reconhece o trabalho autônomo dos seus artistas. Com batidas secas, melodias bagunçadas e uma produção revoltante, ODDINARY é uma ode ao noise music que eles exploram como nenhum outro grupo da quarta geração.

“MANIAC”, a melhor música do projeto, é uma constante reformulação de sentidos. Nela, os oito integrantes se sentem livres para explorar sons e temas distantes do habitual. Cheios de ironia, eles cantam: “Protótipo, dentro de mim é sempre um monstro esquisito”. Trazendo algo que já haviam abordado na faixa-título do álbum anterior, “Thunderous”, que assim como “MANIAC”, é uma resposta às críticas em que todos os membros são constantemente alvos na internet. “Maníaco, um grupo cheio de anormalidades”, concluem no refrão dessa que, de cara, é uma das peças mais ousadas deles. “VENOM”, por sua vez, é estranha e puramente endoidecida. “FREEZE” é intensa e cheia de drops divertidos, diferente de “Wating For Us”, faixa cantada pelo Bang Chan, Lee Know, Seungmin e I.N, e que, de longe, é a pior de toda a obra. Além de quebrar o ritmo e remontar um dos piores aspectos levantados em seus álbuns, a canção tem uma atmosfera de que funcionaria bem melhor se fosse lançada fora desse projeto.

Misturar baladas com sons cheios de fúria é algo que deveria ser proibido de vez no K-pop. Por fim, tomando o noise music para si e fazendo sons mais agressivos que nunca, o novo mini álbum do Stray Kids repete a fórmula constantemente usada por eles, mas, felizmente, tudo parece funcionar muito bem, ou pelo menos, na medida do possível de alguma coisa aceitável para uns ou um tremendo absurdo para outros, afinal, esse é verdadeiro impacto que eles estão sempre dispostos a causar.