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Sometimes, Forever

2022 •

Loma Vista

8.2
O terceiro álbum de Soccer Mommy não é seu trabalho mais intimista, mas apresenta seu material mais ousado até agora.
Soccer Mommy - Sometimes, Forever

Sometimes, Forever

2022 •

Loma Vista

8.2
O terceiro álbum de Soccer Mommy não é seu trabalho mais intimista, mas apresenta seu material mais ousado até agora.
10/08/2022

Taylor Swift sempre foi uma grande inspiração para Sophia Allison. De certo modo, não é um absurdo, inclusive, ver a cantora suíça, que atua sob o nome artístico de Soccer Mommy, como uma espécie de Swift do alternativo. Da mesma forma que Taylor, Allison teve contato com o violão precocemente, instrumento esse que se manteria presente em essência em suas canções até os dias de hoje. Bem como, também, ambas cresceram dentro do cenário musical de Nashville. Embora as diferenças claras que as duas seguiram, com Swift assumindo o country para depois ascender para o estrelato pop e Sophia preferindo um público enxuto, as duas discografias se encontram no presente, com os dois lados apresentando seus trabalhos mais ousados e abrangentes até então. 

Sometimes, Forever, o terceiro disco de estúdio de Allison, não é tão potente quanto seu antecessor, color theory, de 2020, mas ainda dá continuidade para o ensaio sentimental que Mommy constrói em torno de suas próprias experiências. Se Swift está no ponto mais amplo e fecundo, criativamente falando, de sua carreira, principalmente com seus dois últimos registros e suas regravações, trabalhando tanto sua faceta pop, como seu lado experimental, Soccer Mommy está artisticamente no mesmo lugar. Embora não seja seu registro mais vulnerável e intimista, é nele em que ela variou de personalidade. Nessa perspectiva, enxerga-se Mommy empenhando-se tanto em criar o material que sempre foi afeiçoado para ela — rock alternativo sombrio, como em “Shotgun”, “newdemo” e “Darkness Forever” —, mas também virando-se para suas influências, dando um maior espaço para que elas pudessem atuar, tal qual experimentando novas formas de sons e novas paletas. 

Quando perguntada sobre sua relação com Taylor, Sophia disse que sempre viu composições da cantora como modelos. Para Paper, ela disse que Speak Now, de 2010, é seu registro favorito e foi responsável por consola-lá na juventude. Nesse sentido, é fácil ver como a escrita de Allison conversa com as letras de Swift. “Being with you is all I can do / The stars and thе moon can’t compare / To coming undone staring straight at the sun / Until all I can see is you thеre”, ela canta em “With U”, dialogando com o sentimentalismo de Fearless, de 2008. “Fire In The Driveway”, por sua vez, recalcula a simplicidade dos primeiros trabalhos da cantora de “Love Story” para uma esfera alternativa. Nessa, ela canta sobre cordas soltas e simples, assim como Taylor fez várias vezes: “Running out of answers / Burning through September / A fire in the driveway last night / Saw it in your blue eyes / And you were just a small child / Now you’re only ashes of a man”.

Outra peça importante para Soccer Mommy é Mitski. Segundo ela, para a Billboard, a cantora de Be The Cowboy é uma das suas artistas favoritas e uma influência direta para sua escrita — em 2017, inclusive, ela faria uma série de shows com Mitski. “With U”, novamente, relembra o rock sintético experimental da nipo-americana. “Don’t Ask Me”, nessa lógica, tem versos apertados emocionalmente carregados, igual às canções de Be The Cowboy, de 2018. Outrossim, Kacey Musgraves também aparece sendo uma inspiração, que tem suas características refletidas. Na abertura, há um sentimento energético de Nashville, com sua construção pop e refrão sútil e melódico. “I wanna know what’s wrong / With all of the ways I am / I’m trying to be someone / That you could love and understand”, ela canta, soando como uma peça perdida de Golden Hour, de 2018.

Todavia, é importante ressaltar que embora Soccer Mommy tenha, desde o seu primeiro lançamento, tomando suas influências como fortes elementos na produção de suas músicas, isso não significa que ela não carregue originalidade. Em outras palavras, ela não tenta ser Taylor Swift, Mitski ou Musgraves, mas coloca em prática o que aprendeu. Olhe para “Unholy Affliction”, que conta com toques industriais e destoa do material apresentado pelas outras artistas. “Following Eyes”, com puxões de guitarra do rock clássico, é a canção mais singular do disco, tanto por sua atmosfera pesada, densa e aterradora, por sua composição que retrata um pesadelo: “I felt its stare like / A million spiders on my skin / A kind of haunting / That’s gripped me ever since”. Entretanto, no meio de tanta influência que pode-se ouvir, há uma mais especial: Soccer Mommy.

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