ABBA, Porter Robinson, Justin Bieber, Little Simz, Lady Gaga, H.E.R., Kanye West e Wolf Alice. Colagem autoral

Sobre as indicações ao Grammy 2022

POR SOUNDX STAFF; 27 de NOVEMBRO de 2021

A lista de indicados ao Grammy 2022 foi anunciada, e, com ela, vieram as tradicionais queixas e fervos. Aqui, nós oferecemos nossa opinião acerca de quais indicações parecem pouco certas, quais gostaríamos de ter visto e por que ainda consideramos tanto a opinião de uma cerimônia que sempre nos desaponta.

Errar é humano; permanecer no erro é o Grammy:

Após a pantomímica edição do Grammy 2021, que julgou Changes, de Justin Bieber, um dos melhores álbuns pop do ano — ao passo que artistas como Jessie Ware (em What’s Your Pleasure?), Rina Sawayama (em Sawayama) e Charli XCX (em how I’m feeling now) eram completamente ignoradas —, era esperado que a referida premiação se ajuizasse de seu irracional absurdo e trabalhasse para valorizar projetos de efetiva qualidade. Não rolou. A cerimônia que ocorrerá no dia 31 de janeiro de 2022 honra a Bieber e ao patético, risível e desrespeitoso álbum Justice com 8 diferentes categorias — inclusive TODAS as categorias principais para as quais era elegível. Pena. Favoritismo. Ou o dito “faz-me rir”. Seja o motivo das indicações qual for, nenhum previu que, para caso ganhasse um gramofone e tivesse de subir ao palco, Justin teria de alugar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí para abarcar todos os compositores de seu álbum.

— Kaique Veloso


Little Simz: a melhor que não foi boa o suficiente:

Entre os melhores lançamentos desse ano, havia uma estrela que brilhava como nenhuma outra: Little Simz. Seu quarto disco, Sometimes I Might Be Introvert, é um trabalho grandioso, desafiador, refinado, elegante e ambicioso que mostrou com honestidade e transparências sentimentos voláteis de uma jovem em ascensão. Contudo, apesar de sua genialidade musical, parece que nada que ela fez em seu último registro foi bom, ou memorável, o suficiente para a academia. Simz foi excluída de todas as categorias, tanto as quatro mais importantes, em que ela poderia facilmente ter tido três indicações — álbum do ano, música e gravação do ano pelas faixas “I Love You, I Hate You” e “Introvert” —, quanto as de gênero rap. O mais enfurecedor, porém, é o fato de trabalhos significativamente inferiores terem sido indicados, como The Off-Season, de J. Cole, Certified Lover Boy, de Drake, e Donda, de Kanye West. Mesmo sendo a melhor, Simz parece não ter sido boa o suficiente. 

— Leonardo Frederico


Os tributos nas indicações ao Grammy não fazem qualquer sentido:

Essa edição do Grammy, sobre a qual se especulou bastante acerca de uma suposta nova bancada, mais progressista e consciente, parece querer fazer diversos tributos: ABBA, Tony Bennett, AC/DC, Foo Fighters. A questão é: será mesmo que as canções (e álbuns indicados) estão realmente a nível da maior premiação musical do mundo? O aguardado retorno do ABBA — e, segundo anunciado, seu último — foi a faísca que reacendeu a chama de seus fãs, tanto contemporâneos, quanto posteriores ao seu sucesso. No entanto, o grupo não agradou muito à crítica especializada. Voyage tem média 70 no albumoftheyear.org; seu lead single, por sua vez, não gerou o frisson que justificasse sua presença em uma das categorias do chamada Big Four, a de Record of The Year. No mesmo sentido, o segundo álbum colaborativo de jazz entre Gaga e Bennett, Love For Sale, obteve o impressionante número de 6 indicações ao Grammy — sendo uma delas a Melhor Videoclipe para “I Get A Kick Out of You”, ainda que esse seja apenas uma simples filmagem dos estúdios de gravação da canção. Será mesmo que tal álbum representa tanto o ano de 2021 ao ponto de concorrer às maiores categorias? Esse pode ser o último álbum de Tony, e ser ignorado pela academia seria vexatório. Mas Álbum do Ano? Gravação do Ano? Melhor Videoclipe?

— Kaique Veloso


Um prêmio de excelência e reconhecimento musical que deixou de ser sobre excelência e reconhecimento há muito tempo:

De certa forma, é possível notar um descontentamento geral com o Grammy acerca dos indicados nas categorias principais. E não é por menos. Basta olhar para os nomes que figuraram nas mais recentes edições, de indicados a vencedores, foram poucas as vezes que algum artista verdadeiramente merecedor saiu ganhando ou até mesmo, foi contemplado com uma nomeação sequer. E, mesmo diante de tantas críticas, a Academia parece não aprender nunca, chegando a afirmar que houve mudanças concretas após tantos escândalos seguidos, como o boicote ao The Weeknd, um estopim que daria cara ao novo seguimento dos votantes — o que aparenta não ter acontecido. Nessa edição, o encargo de indesejáveis são vários, principalmente na categoria de Álbum do Ano, onde chega a ser perturbador ver que quase mil álbuns foram submetidos e apenas dez selecionados, sendo um deles, o Donda, de Kanye West. Penosamente, Taylor Swift também aparece empacando a categoria. Dessa vez com o disco evermore, ofuscado pelo folklore e que certamente, só entrou para preencher a cota de exclusividade em tomar posições de artistas que fariam bem mais proveito diante da premiação. Como é o caso dos esnobados que nem mesmo conseguiram marcar presença em subcategorias.

— Matheus José


A categoria de Dance/Electronic do Grammy 2022 é uma viagem psicodélica… mas você está sóbrio e não sente prazer algum nisso:

Não vamos nos focar na tremenda idiotice, digna de quem claramente não ouviu muitas músicas eletrônicas durante o ano, de indicar Tiesto por “The Business” e David Guetta por “Hero” — o lado bom é pensar que jovens DJs possuem total condição de ganhar um Grammy, visto que não é necessário qualquer talento para confeccionar as irrisórias batidas dessas. Mas onde estão as boas músicas? Porter Robinson lançou, neste ano, seu sutil e reconfortante Nurture, o qual foi bem recebido tanto pela crítica especializada, quanto pelo público geral. Ainda assim, não recebeu qualquer indicação em Recording ou Music Album. Somado a isso, o Grammy desperdiçou a chance de cumprir com sua aparente proposta de homenagear artistas, deixando de fora da lista “UNISIL”, single lançado 2 dias antes do falecimento da revolucionária produtora SOPHIE, para sempre única no cenário eletrônico.

— Kaique Veloso


Várias indicações às categorias que formam o Big Four, especialmente as de Música do Ano e Álbum do Ano, são bem questionáveis:

As categorias do Big Four não são as únicas relevantes, porém são as mais importantes, logo, elas deveriam ter indicações melhores. Todavia, não foi isso que ocorreu. Em Álbum do Ano temos como indicados Back Of My Mind e Justice, álbuns medianos que não mereciam de forma alguma indicação para isto. Já na categoria de Música Do Ano, tivemos indicação de Bad Habits e Peaches: a primeira citada dispara na frente da corrida pelo primeiro lugar na competição de um dos piores singles do ano; já a última não é ruim, mas, para uma categoria que prestigia composição, essa não possui material lírico de tanta qualidade ao ponto de ser indicada.

—  Davi Bittencourt

Sentimos falta de:

  1. Wolf Alice indicado nas categorias de rock ou de alternativo por seu álbum Blue Weekend.
  2. Poppy indicada nas categorias de metal por “EAT” e de rock por Flux.
  3. Turnstile indicado nas categorias de rock por Glow On.
  4. Mariah The Scientist indicada nas categorias de R&B por Ry Ry World.
  5. Orla Gartland indicada na categoria de Artista Revelação.
  6. Iceage indicado nas categorias de rock por seu álbum Seek Shelter. 
  7. FKA Twigs, Headie One e Fred again. indicados na categoria de Melhor Videoclipe por “Don’t Judge Mé” (dirigido por Emmanuel Adjei e FKA Twigs).
  8. One Step Closer (100 gecs reanimation) indicada na categoria de Melhor Gravação Remixada.
  9. Brasileiros, como Duda Beat por Te Amo Lá Fora, indicados nas categorias latinas.
  10. Lana Del Rey indicada nas categorias gerais e alternativas por Chemtrails Over The Country Club.