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AudioLust & HigherLove

2023 •

PMR

7.5
Por mais que ainda inferior à seus trabalhos produzindo para terceiros, AudioLust & HigherLove é um bom disco, no qual, SG Lewis mostra novamente sua habilidade para elaborar cativantes músicas inspiradas nos anos 80.
SG Lewis

AudioLust & HigherLove

2023 •

PMR

7.5
Por mais que ainda inferior à seus trabalhos produzindo para terceiros, AudioLust & HigherLove é um bom disco, no qual, SG Lewis mostra novamente sua habilidade para elaborar cativantes músicas inspiradas nos anos 80.
15/02/2023

A partir de 2020, pôde-se perceber uma tendência sendo iniciada, na indústria fonográfica, de explorar o synthpop e o disco dos anos 80, com artistas como The Weeknd e Dua Lipa, conseguindo grande sucesso ao utilizar esses gêneros em seus trabalhos artísticos. Por mais que esses sejam os principais cantores a tornar sonoridades oitentistas populares novamente, ao falar, exclusivamente, sobre produtores, SG Lewis é um nome de grande destaque nessa onda retrô. No ano de 2020, ele conquistou bastante notoriedade ao trabalhar na produção de músicas de aclamados discos que seguiam esse som inspirado na década de 80, tais como: Future Nostalgia e What’s Your Pleasure?.

No ano seguinte, ele decide dar um foco maior à sua própria discografia e lança times, sua estreia, mantendo a sonoridade oitentista que ele, anteriormente, entregou grande excelência utilizando-a ao produzir para outros cantores. O primeiro disco de SG Lewis conseguiu mostrar que sua carreira como artista principal tinha potencial. Entretanto, mesmo que fizesse o uso de um som que deu bastante certo ao trazê-lo em produções feitas por ele para outros cantores em 2020, times contava com problemas que faziam com que o material entregue fosse inferior ao que ele trouxe em lançamentos de, por exemplo, Jessie Ware e Dua Lipa. Agora, em 2023, ele retorna com um álbum que demonstra evolução em comparação ao seu registro de 2021, no entanto, pode-se perceber, mesmo assim, erros nele que mostram que seus projetos permanecem longe de chegar ao nível de qualidade que ele consegue trazer trabalhando para terceiros.

Em AudioLust & HigherLove, como em times, SG Lewis explora sonoridades oitentistas. Por mais que ele traga nada de inovador, utilizando de algo já feito diversas vezes pelo artista, a maneira a qual ele utiliza o disco e synthpop mostra-se como um dos principais acertos do projeto, principalmente por essa exploração ser feita de forma mais fascinante que em sua estreia. “Infatuation” é um ótimo exemplo disso. Ao produzi-la, Lewis traz um fantástico uso de elementos de ambos os gêneros, elaborando uma das melhores produções que ele já fez para sua própria discografia. Outro destaque é “Call On Me”, a utilização dos sintetizadores nela, além de bastante divertida, foge da forma a qual é usado em outras faixas do registro, sendo o momento mais diferente de AudioLust & HigherLove e, além disso, o mais surpreendente. “Vibe Like This” e “Fever Dreamer” também merecem ênfase nesse aspecto, sendo lustrosos e cativantes nu-discos. Fora isso, diversas músicas proporcionam ao ouvinte uma grande diversão, sendo assim, outro ponto positivo.

Seu lirismo mostra-se também como um acerto de AudioLust & HigherLove. Durante todo o projeto, SG Lewis se propõe a falar sobre o amor, dividindo o registro em duas partes, nas quais, em cada uma delas, são abordados dois lados opostos desse tema. Em uma entrevista à NME, o artista falou: “AudioLust é a versão mais obscura, sensual, apaixonada, de curta duração e voltada para o ego do amor. A segunda metade representa uma versão muito mais profunda, atualizada e realizada do amor.”. Embora sejam poucos os momentos em que o produtor traz uma qualidade surpreendente nesse aspecto, as composições, além de, em sua maioria, bem-escritas, conseguem abordar bem a proposta do disco. “Honest” é um grande destaque. Após canções que mostravam o britânico no ápice de um amor realizado, o álbum finaliza com ele se deparando com problemas na relação amorosa que a prejudica, trazendo uma ótima reflexão de que um romance perfeito pode facilmente acabar, e pede por uma segunda chance para mostrar honestidade no relacionamento: “Now I’m looking for a chance (Clear blue skies) / (I’ve nothing left to show) To be honest from the start”.

Por mais que o disco seja repleto de acertos, há certos problemas que podem ser observados em AudioLust & HigherLove. O principal deles é ele não conseguir se manter interessante durante todas a sua longa 1 hora de duração. A partir de sua segunda metade, o registro começa a ficar um pouco cansativo, surgindo muitas canções enfadonhas como “Plain Sailing”, “Epiphany” e “Different Light”. Penso que, caso o projeto fosse mais curto, retirando estas faixas, a experiência de escutá-lo seria muito melhor. Pode-se concluir que, o segundo álbum de SG Lewis é um bom registro, no qual, o artista mostra novamente sua habilidade para elaborar cativantes músicas inspiradas nos anos 80. No entanto, se quiser mostrar em sua própria discografia toda a excelência que ele entregou em diversos dos seus trabalhos para terceiros, o britânico terá ainda o que melhorar em próximos lançamentos.

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