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28 Reasons

2022 •

SM Entertainment

8.3
A estreia de Seulgi como solista é uma amostra poderosa dos seus múltiplos talentos e de outras facetas da sua persona artística.
Capa do mini album 28 Reasons, de Seulgi. No centro da foto, vemos um espelho de adornos que remetem ao art nouveau, onde há uma fotografia da cantora de costas. Ela é uma mulher asiática amarela, de cabelo preto longo e que está usando um conjunto preto, com parte das costas nuas. Ela está encarando uma parede vermelha. O espelho está posto numa mesa preta, em que há algumas maçãs vermelhas espalhadas. Abaixo, informações sobre o álbum.

28 Reasons

2022 •

SM Entertainment

8.3
A estreia de Seulgi como solista é uma amostra poderosa dos seus múltiplos talentos e de outras facetas da sua persona artística.
11/10/2022

Para uma parcela considerável de fãs de k-pop, um momento extremamente importante e especial é a grande estreia de seu idol favorito como solista. As expectativas se fermentam: quais direções artísticas serão tomadas, como o artista participará das tomadas de decisão, se todos os seus talentos serão contemplados ou expandidos. Antes integrante de um grupo, com narrativas, conceitos e elementos específicos e que funcionam com o conjunto daqueles membros, agora uma única pessoa está com todos os holofotes voltados para si e tem a oportunidade de solidificar ou redefinir a própria identidade de maneira mais assertiva. Com uma carreira de oito anos como membro do girl group Red Velvet e alguns projetos colaborativos (como “IRENE & SEULGI” e “Got the beat”) na bagagem, chegou a vez de Seulgi ter seu espaço próprio para brilhar.

Desde o anúncio pela mídia coreana e posteriormente oficializado pelos canais oficiais da SM Entertainment no começo de setembro, a iminência de um grande projeto já era palpável. Com um trailer do álbum de tirar o fôlego e teasers irretocáveis, que soavam fora de comum até mesmo para os grandes lançamentos de k-pop, a atmosfera de 28 Reasons se desenhava. Inspirada em filmes como “Coringa”, de 2019, e o conto de fadas “Branca de Neve”, a idol participou integralmente de todos os processos criativos da concepção do disco. Parte dos photocards disponíveis nas versões físicas do álbum são ilustrações suas, alguns elementos dos materiais visuais foram projetados e desenhados por ela e “Dead Man Runnin’” marca a sua primeira composição num trabalho oficial de estúdio. Seu gosto por fotografia e cinema, seu talento como ilustradora, a expansão das suas técnicas de canto e dança… tudo grita a identidade de Kang Seulgi, sua identidade está impressa em todos os aspectos estéticos, conceituais e sonoros que rondam 28 Reasons.

Até mesmo para o fã mais entusiasmado, o álbum foi uma surpresa muito satisfatória. Ao longo de seis faixas, se explora os desdobramentos da coexistência e das disputas entre o bem e o mal, que se misturam, se confundem e estão onipresentes em uma pessoa ou em uma situação. Apesar da complexidade, o álbum também é um novo arranjo da imagem da artista dentro do Red Velvet: no grupo, ela apresenta paletas mais alegres e geralmente uma persona artística mais colorida. Nesse trabalho, ela resolve se aprofundar na sua faceta sombria, apoiada em letras provocativas, misteriosas e, dependendo da perspectiva, soturnas. A sonoridade que permeia as músicas passeiam principalmente na confluência de ritmos pop e R&B, mas também há alguns elementos inesperados. 

“28 Reasons”, abertura do disco e também a faixa escolhida para as promoções, sintetiza a proposta. Apoiada em distorções persistentes e assobios, ela é avassaladora, sedutora, sarcástica e já adianta que é um caminho intenso, mesmo com silêncios estratégicos dentro da produção da faixa. “Dead Man Runnin’” é como um aviso assombroso e derradeiro para um vilão prestes a ser derrotado, enquanto “Bad Boy, Sad Girl”, parceria com o rapper BE’O, desacelera o tom e traz uma Seulgi machucada com um relacionamento que parece não dar certo, ao passo que o outro personagem tenta a convencer do contrário. “Anywhere But Home” e “Los Angeles” são os grandes destaques do álbum, e formam uma experiência irresistível de escapismo. A primeira começa com um trecho distorcido (que, de todos os momentos, é o que melhor representa a capa do disco) e logo estamos elétricos, acompanhando uma fuga que parece não ter volta. Ao chegarmos em LA, perto do amanhecer (ou não, já que a composição brinca com a noção de tempo), mergulhamos numa produção poderosa que guia a um break EDM contagiante. “Crown” finaliza com drama e peso, com o eu lírico exigindo tudo o que é seu por direito: a nossa total atenção e encanto.

Em entrevista para a revista Rolling Stone, Seulgi revelou que ela estava nervosa e sentia que algumas coisas estavam desajustadas no começo, mas o tempo e a aprovação do seu desempenho a deram confiança. Isso transparece com a estreia de 28 Reasons, um álbum que não se permite cessar o fôlego. Confiante, carismático e honesto em demonstrar a complexidade dos talentos e visões da cantora, a peça é também um ótimo parâmetro de que uma grande carreira de solista da indústria do k-pop está nascendo nesse momento, e o título de “All-rounder Queen” destinado a ela não poderia ser mais certeiro.

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