SQUEEZE
2022 • ROCK/ALTERNATIVO • DOMINO
POR LEONARDO FREDERICO; 01 de MARÇO DE 2022
7.4

Na última canção de seu disco de estreia, Sasami Ashworth encerra com uma revelação potente: “Thought I was the only one / Turned out I was everyone / To be so alone in the night / Thought I was the only one”, ela canta, apoiada sobre sintetizadores shoegaze. Essas poucas palavras estabelecem um estado de espírito de alívio e desespero simultâneo: enquanto as duas primeiras servem como conforto e concebem que, independente de seus problemas, você não está sozinho, as duas últimas emergem com desalento, com a cantora se sentindo altamente solitária em seu devido meio. Esse sentimento, de certa forma, é um reflexo astucioso da juventude, entrando na vida adulta, naquele momento no qual você tenta se descobrir, se conectar, mas constantemente se sente desligado da sua própria ambiência. 

Em seu segundo álbum de estúdio, SQUEEZE, Sasami expande esses sentidos. Partindo de uma nova abordagem, o registo aflora com uma abordagem mais expressiva. Em contraste com a sonoridade alternativa e amena de seu primeiro álbum autointitulado, SQUEEZE se apropria de um som mais violento e visceral. Na página oficial de SASAMI na internet, ela disse que o disco funde “agressão bruta do nu-metal, a simplicidade do country-pop e do folk rock, e o romantismo dramático da música clássica”. Em conformidade, a atuação da cantora é movida principalmente pela certeza de que suas emoções serão canalizadas e transmitidas, e não como tudo será contado.  Em outras palavras, sua preocupação é com a natureza de suas canções, e não com seu estilo. Embora ainda haja uma evolução sonora, quando Sasami se expressa, ela está sendo honesta, e não propriamente cautelosa.

“Skin a Rat”, canção de abertura do álbum, é tanto uma das melhores músicas da artista, quanto um dos principais eixos norteadores de SQUEEZE. Voltada para o metal e com leves toques de passagens experimentais, a canção pinta Sasami de uma nova forma, em uma estética mais voraz. Para além de quebrar bruscamente com a visão do trabalho anterior da artista, a faixa coordena o enfoque principal das melhores canções do disco. Dessa mesma forma, “Say It”, “Sorry Entertainer” e “Squeeze” seguem esse caminho: essas são peças ácidas, tanto em som quanto composição, ambiciosas e agressivas. Embora a abertura embase-se em uma lírica relativamente confusa e rasa, “Squeeze”, por outro lado, surge como uma das melhores letras, uma metáfora afável entre imagens de gore vibrante. 

No entanto, na outra porção do disco, Sasami parece não só entregar algo usual, mas também se apoia totalmente em estilo de outros artistas para construir suas canções. Em “The Greatest”, por exemplo, ela soa como Mitski em todos os sentidos: composição, trabalho de cordas, progressão e estabelecimento de clímax. Do mesmo modo, em “Call Me Home” e “Make It Right”, ela ecoa nos moldes da HAIM. Por mais que essas canções não sejam ruins, propriamente falando, elas carecem de algo que se conecte à Sasami. Em “Not a Love Song”, porém, ela entrega a melhor composição do álbum, trabalhando em torno da ciência de que nem sempre algo bonito precisa ser ligado ao amor externo. “Something so profound / It’s not a love song / Just a beautiful, beautiful sound”, ela canta. Novamente, o ciclo se fecha com um ensinamento: se em seu primeiro disco ela parecia confusa sobre o seu real lugar no mundo, em SQUEEZE, todavia, ela finaliza consciente de que se amar primeiro é o primeiro passo para qualquer objetivo.