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Gloria

2023 •

Capitol

5.0
Em seu álbum mais fraco até então, Sam Smith entrega um conjunto de canções extremamente esquecíveis.
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Gloria

2023 •

Capitol

5.0
Em seu álbum mais fraco até então, Sam Smith entrega um conjunto de canções extremamente esquecíveis.
10/02/2023

Não são poucos os cantores que, ao longo do tempo, se reinventam e exploram novas nuances por meio da arte. Se tratando de Sam Smith, essas metamorfoses são ainda mais visíveis. Não somente por explorar novas sonoridades, mas devido a fatores que transcendem o âmbito musical. Ao se assumir uma pessoa não-binária, há alguns anos, era certo que sua carreira iria desabrochar para outras direções a partir dali. Sob esse prisma, nasce seu quarto álbum de estúdio, “Gloria”, uma tentativa de fazer jus a como elu se encontra hoje como artista. Infelizmente, o resultado é frágil e pouco interessante. 

O projeto começa com “Love Me More”, uma música leve e despretensiosa sobre auto-aceitação, cuja sonoridade se aproxima sutilmente de algumas faixas dos primeiros discos de Sam. Embora agradável, é uma abertura bem fraca. No entanto, acaba se tornando um dos destaques do registro por demérito de boa parte do que vem a seguir: uma sequência de canções insossas que une uma versão pouco inspirada do que ê artista já fez antes com momentos mais dançantes. Em meio a isso, “Unholy”, a parceria com Kim Petras que se tornou um sucesso tão estrondoso, parece perdida. Gostem do hit ou não, ele tem força e carisma o suficiente para se tornar memorável. E, justamente por isso, destoa de quase todo o resto do projeto. 

Apesar de ser relativamente curto, com 13 faixas e pouco mais de 33 minutos de duração, a sensação é de que o álbum dura bem mais tempo do que isso. Enquanto seus dois primeiros discos, In The Lonely Hour e The Thrill Of It All eram projetos mais concisos, coesos e bem construídos, Gloria parece seguir o mesmo caminho de seu antecessor, o também irregular Love Goes: ter uma construção capenga e inconsistente, com o diferencial que, desta vez, nem mesmo canções pop enérgicas como “Gimme” e “I’m Not Here To Make Friends” parecem surtir algum efeito para tornar a escuta mais dinâmica e prazerosa, por serem extremamente descartáveis. 

O álbum termina ainda da pior forma possível: um dueto com Ed Sheeran. Diferentemente de outras baladas pop-soul de encerramento presentes em outros registros de Sam, como as charmosas “Lay Me Down” e “Kids Again”, aqui em “Who We Love”, o saldo que fica é de ter terminado de ouvir a contragosto. A faixa, que começa em nada e termina em lugar nenhum, apenas escancara a cafonice de se fazer alguma parceria com a voz de “Shape of You” em pleno 2023. 

Por fim, fica nítido que Gloria é, de fato, um disco ruim. Apesar disso, mesmo ao entregar o pior trabalho de sua carreira até então, é bonita a forma como Sam vem se conhecendo melhor e se transformando diante dos nossos olhos. Elu está na melhor fase de sua vida pessoal e parece genuinamente feliz com o resultado final. Uma pena que, para além disso, não há nada muito concreto para se lembrar do projeto.

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