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Hold the Girl

2022 •

Dirty Hit

7.9
O segundo disco de Rina Sawayama não cumpre as expectativas criadas com o primeiro, mas é competente.
Rina Sawayama - Hold the Girl

Hold the Girl

2022 •

Dirty Hit

7.9
O segundo disco de Rina Sawayama não cumpre as expectativas criadas com o primeiro, mas é competente.
23/09/2022

Rina Sawayama causou um grande impacto no seu primeiro álbum, SAWAYAMA, que foi muito bem recebido pela crítica. Contudo, durante a pandemia, como todos nós, a artista acabou entrando em um espiral, no qual descobriu que vinha negligenciando a sua criança interior por todo esse tempo, algo que a artista relata nas canções “Phantom” e na faixa-título, por exemplo. E agora, chegou a hora de abraçá-la novamente: é no meio disso, que nasceu o Hold the Girl.

Nos seus 46 minutos, a artista passa por todas as fases necessárias da sua vida, sejam elas quais forem. Desde sua infância, cobrindo seus problemas e questionamentos com a religião, e terminando em uma canção inspiradora sobre a vida e como é bom “se sentir viva” depois de tanto tempo. Eu vi muitas comparações desse projeto com o SAWAYAMA, mas acho que eles não devem ser comparados, não apenas porque são discos com propostas diferentes, mas também há uma exploração maior de gêneros nesse registro. 

As influências que permeiam o projeto vão desde Shania Twain à Spice Girls, passando pela Alanis Morissette e o rave. Há algo em comum em todas elas: são dos anos 1990. Mas é nisso que mora a parte mais curiosa desse disco: mesmo com todas essas menções a uma das décadas mais referenciadas na música atual, existe algo bem anos 2000 aqui, até mais do que o seu antecessor — talvez pela presença de alguns produtores e colaboradores que moldaram a música da década citada, como o Stuart Price em “Holy (Til You Let Me Go).” Obviamente, a Rina também trouxe a maior bagagem possível de elementos nesse projeto, o que é muito interessante, mas te confunde facilmente: em um momento, você está ouvindo um dubstep-garage-pop britânico (Hold the Girl) e, no próximo minuto, você é empurrado para uma canção de country-rock com uma produção luxuosa (This Hell), solos de guitarra e um refrão cheio de adlibs. Sim, as faixas são próximas, o que deixa as coisas ainda mais confusas e levemente desconexas no álbum.

Algo que eu percebi sobre esse novo disco da Rina é que não existe uma tentativa de soar muito diferente, muito menos de ser o mais alternativa possível. Ela só assume a sua personalidade de cantora mainstream em tempo integral, não importando muito se vai funcionar ou não. Contudo, ela pagou um preço por isso, digamos. A artista tem enfrentado uma enxurrada de críticas vindas do público, principalmente dizendo que ela perdeu sua capacidade de fazer música interessante que não soasse totalmente mainstream. E eu não discordo totalmente. Há boas canções neste álbum? Definitivamente. Ele é cheio delas? Talvez. Mas ainda assim, durante todo o tempo, senti que faltava algo. Apesar de bem produzido, parece que algumas canções são meio vazias demais. Ou falta um baixo, ou são barulhentas demais, algumas precisam de mais groove, outras precisam de mais calma. São poucas as canções que são equilibradas. Consigo citar: “Frankenstein”, “Hurricanes”, “Minor Feelings” e “This Hell”, como exemplos. A maioria das outras músicas, acabam por soar muito bagunçadas (e caóticas), dando um sentimento de que a Rina quis abraçar o mundo.

Contudo, Rina sempre é uma artista que causa algum tipo de interesse no seu público fiel. Ela trabalha das formas mais diversas possíveis, sempre avançando na direção de novas coisas e tentando inovar o máximo possível. Seu talento é enorme, mas, infelizmente, nem sempre consegue mostrá-lo inteiro nos projetos que se envolve. Esse é um deles. Tem potencial, mas falta algo.

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