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Rihanna’s Super Bowl Halftime Show

3/5
Em seu Halftime Show do Super Bowl desse ano, Rihanna foi posta no topo do mundo, porém, parecia um pouco desajeitada lá.
POR Leonardo Frederico
fevereiro 14, 2023

Nos quase 13 minutos de apresentação, no último domingo (12), no intervalo do Super Bowl, Rihanna não trocou de roupa nenhuma vez. Ela usou um macacão, um top vinílico, um body fosco e um sobretudo, todos vermelhos, pelos mais de dez minutos, enquanto passava por doze de suas canções — ou melhor, músicas em que sua presença era indispensável ou que só se tornaram verdadeiras peças nostálgicas pela marca de Rihanna. O contraste veio puramente pelas cores: enquanto a cantora ardia em vermelho, seus dançarinos se apresentaram em trajes largos e brancos. Plataformas flutuantes foram as grandes responsáveis por dar dinamicidade para todo o espetáculo, pondo Rihanna e os dançarinos para voar no grande estádio da Universidade de Phoenix, no Arizona. Definitivamente, Rihanna foi posta no topo do mundo, porém, parecia um pouco desajeitada lá. 

Umas das melhores qualidades dessa apresentação foi Rihanna reafirmando sua identidade e sua própria noção de ser uma mega-estrela, uma que carrega seu poder sem precisar de, novamente, troca de roupas ou convidados musicais. No começo da apresentação, com “Bitch Better Have My Money”, uma câmera capta a cantora em primeiro plano e, em um travelling para trás, revela sua posição: uma plataforma flutuante transparente coloca ela no topo do mundo. Da mesma forma, no final, durante a apresentação de “Diamonds”, ela novamente se localiza no topo. Esse movimento assegura sua singularidade, seu caráter de uma artista (que acredita ser) intocável. Apesar disso, Rihanna parecia confortável com o espaço, sabendo comandar, ainda que de maneira fraca em alguns instantes, todo palco da apresentação. Era inegável, garantidamente, que ela sabia bem o que estava fazendo e que está feliz naquele momento. 

Essa edição do Super Bowl Halftime Show realmente instaurou um espetáculo de uma estrela, mas falhou em mostrar os reais motivos do porquê daquela estrela estar no lugar que estava — para além de seus inúmeros hits no.1 na Billboard. Primeiramente deve-se falar da movimentação de Rihanna. Certo, ela estava grávida, mas isso não justifica exatamente seus passos estarem limitados do jeito que estavam do jeito que vários estão alegando — simples abanos com a mão, passinhos de lado e ombros chacoalhando. Olhe, por exemplo, para as caretas sem propósito em “Where Have You Been”, que parecem apenas disfarçar o desajeitamento da cantora. Em seguida, isso se segue em uma versão abafada e quase sem brilho de “Wild Thoughts”, de DJ Khaled, e em “Pour It Up”, que apresenta-se acompanhada de passos que parecem ter sido ensaiados por e para crianças do TikTok. O sentido que persistiu, em partes, foi uma falta de maior cautela e capricho nas coreografias que, mesmo para mulheres grávidas, poderiam e conseguiriam ser mais interessantes — não preciso nem citar a apresentação histórica de Beyoncé no Grammy de 2017. 

Penso que grande parte dessa limitação, que resultou em certos bloqueios na apresentação, partem por dois fatores que se correlacionam: as vestimentas de Rihanna e suas próprias canções. Em primeiro lugar, acredito que as roupas usadas, ainda que refletiam sua personalidade, não deram total liberdade para ela. Ou seja, Rihanna, com maiores cuidados devido a sua gravidez, vestiu uma roupa que limitou ainda mais sua movimentação — ou que, pelo menos, exigiam mais do físico —, ao invés de, novamente lembrando de Beyoncé, apostar em roupas mais leves e soltas, que permitiam uma movimentação visual maior. No entanto, isso leva para o segundo problema que, com isso, Rihanna precisaria realizar alterações e modulações em suas canções, o que não só não seria da índole da cantora, bem como estragariam com a nostalgia dessas músicas — o que, por sua vez, demonstra o quão cerceado é o trabalho dela. 

Nesse sentido, o que realmente deu movimento e dinâmica para toda apresentação foram os dançarinos e as plataformas que subiam e desciam, como já mencionado. Para além de seus significados simbólicos (que já foram comentados), a maneira pela qual toda estrutura montada atuou foi visualmente impressionante, que, em conjunto com todo show pirotécnico e fogos de artifício, conseguiu fazer dessa uma apresentação visualmente impecável. Em conjunto, os dançarinos estavam igualmente ótimos — e, quando não estavam, era pela necessidade de se adequar aos passos encerados de Rihanna, como no clímax de “We Found Love”, de Calvin Harris, que perdeu toda energia pela quebra da explosão do refrão para tentar criar um espaço que a coreografia contida de Rihanna fizesse o mínimo sentido.

Por fim, essa, além de uma apresentação minimalista, foi extremamente nostálgica. Rihanna foi uma das maiores artistas dos anos 2000 e 2010 e suas canções marcaram aquele tempo e estão conseguindo atravessar gerações. Mesmo que a cantora tenha utilizado de pontes sintéticas em excesso e cantado relativamente pouco de suas canções, ela ainda assim conseguiu trazer seu passado saudosista a tona. “Umbrella” e “Diamonds”, por exemplo, fecharam com chave de ouro a noite, construindo um evento que foi capaz de reviver os sentimentos de anos atrás — infelizmente, esse evento não foi tão grandioso e memorável quanto poderia ter sido. 

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