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The ReVe Festival 2022 - Birthday

2022 •

SM Entertainment

7.9
Red Velvet permanece como um catalisador criativo em cadeia, provando que o seu fim é uma possibilidade ainda longínqua de acontecer.
Capa do álbum Birthday, de Red Velvet. Num fundo rosa, a capa apresenta a ilustração de um gato furioso, com fones de ouvido e efeitos de quadrinhos de corrida e confetes de aniversário. No centro inferior da capa, apresenta-se o nome do álbum e do grupo.

The ReVe Festival 2022 - Birthday

2022 •

SM Entertainment

7.9
Red Velvet permanece como um catalisador criativo em cadeia, provando que o seu fim é uma possibilidade ainda longínqua de acontecer.
15/12/2022

Existe um fantasma que assombra grande parte da indústria de k-pop: o contrato de sete anos. Esse é o período crucial para idols despontarem ao sucesso em diversas frentes, seja com a criação de uma fã base fiel, que se expressa em vendas de álbuns e shows lotados em turnês, ou com a captação do público geral, que catalisa os principais sucessos do gênero dentro da Coreia do Sul. Quando Red Velvet precisou entrar em um hiato abrupto e indeterminado no começo de 2020, por causa do acidente de Wendy e, posteriormente, pela pandemia de Covid-19, o senso geral que pairava e atormentava os reveluvs era de que o quinteto seguiria o caminho do fim. Esse anseio aumentava pelo fato de a SM Entertainment possuir a cultura de não dissolver seus grupos oficialmente, mas, com o tempo, defasar as atividades em promoções cada vez mais espaçadas.

Porém, a realidade seguiu uma trajetória oposta. ‘The ReVe Festival 2022 – Birthday’ é o quarto trabalho de Red Velvet desde o seu aguardado retorno em agosto de 2021, e ele sedimenta as bases sólidas que a nova fase do grupo está construindo. A combinação dos dois conceitos-chave (red e velvet) ganha uma complexidade cadenciada: Queendom e ‘The ReVe Festival 2022 – Feel My Rhythm’ amplificaram a sua abrangência, enquanto o novo projeto reafirma que essa é a linha criativa predominante a ser seguida.

“Birthday” é o reencontro do quinteto ao aspecto quirky, que consagrou a sua imagética e sonoridade. “Rookie”, “Dumb Dumb” e “Ice Cream Cake” ganham uma irmã visual e sonora, enquanto “Zimzalabim” e “RBB (Really Bad Boy)” abraçam a companhia de uma nova e deliciosa cacofonia sonora em curso. O uso de samples de música clássica é outro elemento que também perdura aqui, dessa vez com “Rhapsody In Blue”, de George Gerwish, mas a distribuição contempla apenas os versos. O refrão e a ponte, entretanto, são explosivas e picham as batidas eletrônicas com maximização. É uma faixa-título que gera reações divisivas imediatas, e isso, por si só, já basta para saber que a escolha foi acertada. 

As não-singles, no entanto, trabalham com o contraste, que se relaciona tanto com “Birthday” quanto ao mini-álbum anterior. Dinamizando diferentes aspectos de sonoridades R&B, o caráter é menos charmoso e mais explosivo. “BYE BYE” é uma despedida desiludida ao amor, enquanto “Celebrate” atravessa a linha e já observa a partida com saudade. A posição das duas músicas torna essa contradição engraçada e, ao mesmo tempo, intrigante. “ZOOM” usa a mesma estratégia que “28 Reasons”, de Seulgi, em ser uma música de impacto e atordoar já nas primeiras linhas: “Why are you lying? / Tired, man / Come on”. Porém, o grande destaque do disco está no meio: “On a Ride” é um passeio extravagante em montanha-russa, dedilhando o hyperpop e o tornando uma expressão da personalidade própria do grupo. Os detalhes tornam a produção altamente viciante, transformando a ânsia do final da viagem em embriaguez de euforia. 

Complexificar o já citado conceito red+velvet, iniciado pela excelente “러시안 룰렛 Russian Roulette”, é um compromisso que se tornou irrevogável. O grupo encerra um dos seus melhores anos em atividade, por diversos parâmetros, com um registro sóbrio sobre si: enxuto e consistente. A sua estética visual, frenética, bagunçada e que trata os tons rosados em ambiguidade, acerta em pincelar com precisão a expressão sonora das cinco faixas. Atingindo o marco de oito anos, Red Velvet ainda está em completa forma, e se mantém como um motor relevante e essencial da criatividade dentro e fora do k-pop.

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