Queendom
2021 • K-POP/POP • SM ENTERTAINMENT
POR MATHEUS JOSÉ; 24 de AGOSTO de 2021
6.9

Que o Red Velvet abriu margem para diversas experimentações dentro do K-pop todo mundo já sabe. Assim, porém, entre muitos acertos, era de se esperar que uma hora ou outra algo não tão bom pudesse vir delas, e isso é exatamente o que acontece em Queendom, o primeiro disco lançado pelo grupo desde 2019, quando o então ‘The ReVe Festival’ Finale conquistou um espaço surpreendente no topo das obras que definiram a música sul-coreana durante a década de 2010 – um período de reinado absoluto – onde canções como “Bad Boy”, “Dumb Dumb”, “Red Flavor”, “Peek-A-Boo”, “Powe Up”, “RBB (Really Bad Boy)”, “Rookie” e principalmente, “Pyscho” se tornaram símbolos da genialidade presente nos projetos perfeitamente executados por elas, as rainhas do K-pop. 

Contudo, ao longo do período de atividade em que o grupo se desenvolveu é possível observar alguns deslizes, mesmo que esses não sejam tão repugnantes ao ponto de gerar uma baixa significativa no material sempre apresentado por elas, como em Russian Roulette de 2016, de longe o pior disco, mas que ainda assim rendeu certos destaques. O mesmo acontece agora com Queendom, a sexta peça estendida do Red Velvet e também um dos comebacks mais aguardados do ano. “Nós somos rainhas no castelo vermelho / Não precisamos de coroa, nós nascemos para fascinar”, trecho da letra presente na introdutória “Queendom”, faixa que mesmo acompanhada por um videoclipe à moda do grupo, acaba soando deslocada se for comparada as outras do mesmo material, além de não servir em nada na ótima coleção de title tracks das quais sempre marcaram as gloriosas e bem-sucedidas eras do melhor quarteto da SM Entertainment.

“Pose” é uma das melhores surpresas, pois possui o ritmo que corresponde perfeitamente ao lado Red (vermelho) do conceito sonoro desenvolvido pelo grupo em que geralmente as canções desse lado são experimentações eletrônicas com diversas referências, sempre postadas nos anos 90. Na sequência “Knock On Wood” e “Better Be” ainda seguem com influências noventistas, porém a intensidade diminuí e somos aos poucos inseridos no lado Velvet (veludo), onde o R&B e o funk — convertido ao funky — passam a marcar presença. “Pushin’ N Pushin'” é sem sombra de dúvidas o melhor que podemos encontrar nessa altura do disco, onde os vocais perfeitamente ajustados e o ritmo embalado por acordes de piano se misturam às batidas lentas criando uma atmosfera única e extremamente volátil; enriquecida pela demonstração harmoniosa entre os elementos líricos e sonoros. Por fim, “Hello, Sunset” encerra o disco com chave de ouro e nuances delicadas no instrumental contido, deixando a faixa guiar-se apenas pelos toques de guitarra e vocais rasos na superfície do amor descrita pela sensação universal de se admirar o pôr do sol.

No geral, mesmo não sendo tão surpreendentes, as b-sides acabam salvando a experiência de ouvir algo ligado ao Red Velvet nesse disco, coisa que infelizmente a faixa-título não é capaz de fazer. E mesmo deixando a desejar em muitos aspectos — desde a abertura pra lá de enfadonha até o desgaste da tracklist — nenhum desapontamento acaba sendo pior que o de receber um comeback morno e, muitas vezes, mediano, isso somado ao fato de que o grupo é capaz de sempre ir além, mas parece ter preferido ficar numa estaca extremamente limitada como a qual apresentam nessa peça pouco cativante.