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Let Her Burn

2023 •

Independente

7.7
Rebecca Black mostra ser muito mais que apenas a garota de "Friday" em Let Her Burn
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Let Her Burn

2023 •

Independente

7.7
Rebecca Black mostra ser muito mais que apenas a garota de "Friday" em Let Her Burn
04/03/2023

Rebecca Black ficou conhecida na Internet de maneira extremamente negativa com o lançamento de “Friday”, uma canção boba que ela fez apenas para se divertir, mas que acabou tendo um sucesso muito maior do que o esperado e virou piada nas redes sociais  pela sua qualidade tosca. No entanto, mesmo com todos os ataques de ódio que a artista e a faixa lançada por ela estavam recebendo, Black não parou de fazer música e, com seus lançamentos a partir de 2016, ela evoluiu cada vez mais artisticamente.

Em 2021, Rebecca começou a criar ligações com a cena do hyperpop, fazendo um remix de “Friday” com Dorian Electra e lançando um EP com diversas influências do estilo. Penso que, essa aproximação com esse ritmo foi algo bastante positivo para sua carreira. Por mais que ela já havia mostrado uma melhora artística em trabalhos artísticos anteriores, foi com Rebecca Black Was Here que Black finalmente conseguiu entregar um projeto, de fato, interessante e, assim, mostrar que, diferentemente do que muitos que a julgaram em 2011 com “Friday” pensavam, ela tem uma grande habilidade para elaborar canções cativantes. Agora, em 2023, com Let Her Burn, seu primeiro álbum de estúdio, ela reforça ainda mais o quão talentosa é como cantora e que merece uma segunda chance na indústria fonográfica com um ótimo álbum pop que, provavelmente, será um dos maiores destaques do gênero esse ano.

O disco consegue ser ótimo, especialmente, por Rebecca, além de, em diversos momentos, trazer uma performance admirável, mostrar com excelência saber como elaborar canções divertidas. Fora isso, o trabalho feito ao produzir o projeto artístico também é um fator que contribui bastante para sua alta qualidade, com Let Her Burn trazendo consigo, surpreendentemente, algumas das produções mais fascinantes da música pop dos últimos meses. O quesito mais fraco do álbum é seu lirismo. Em várias faixas, como em “Erase You” e “Doe Eyed”, as composições são genéricas e pouco intrigantes. Entretanto, mesmo assim, há certos momentos, especialmente, na segunda metade do projeto, em que pode-se encontrar Rebecca entregando uma boa qualidade lírica.

O álbum inicia de maneira excelente com “Erase You”. Sonoramente, a canção mantém o som hyperpop que ela esteve, nos últimos tempos, explorando. Por mais que ela não traga algo tão surpreendente ao utilizar desse ritmo quanto em outras de suas faixas, como “Personal” e “NGL”, é ainda bastante primoroso como é usado o estilo nela, com os glitches e elementos eletrônicos distorcidos, típicos do gênero, soando arrebatadores. No momento seguinte, “Destroy Me”, Rebecca traz algo ainda mais fascinante, sendo o maior destaque do projeto. A sua grande excelência se dá, principalmente, por sua produção. Tudo utilizado nela, desde as intensas batidas de drum n’ bass às fervorosas guitarras de rock industrial, são fantásticas. Fora isso, as melodias envolventes da música são outro fator que torna-a ainda mais cativante.

“Misery Loves Company”, por mais que seja menos impressionante do que os momentos anteriores, ainda é um ótimo electropop, que traz ganchos cativantes e uma produção com um excelente uso de sintetizadores eletrônicos. Em seguida, vem “Crumbs”, uma das melhores músicas da carreira de Rebecca. Nela, o house se encontra com o hyperpop e essa mistura resulta em uma faixa de grande excelência sonora. “Doe Eyed” é mais um dos momentos do álbum no qual o bubblegum bass é explorado e, ainda que esta seja a faixa que menos surpreende no uso desse estilo, ainda consegue fazer a utilização do gênero de maneira cativante. 

A seguir, vem “Sick To My Stomach”, uma das canções mais carregadas de emoção do disco, explorando, em uma boa composição, os sentimentos que surgem após um término, especialmente, a da inveja de ver sua ex-namorada conseguindo seguir para outros relacionamentos mais rapidamente: “And now I’m sick, sick, sick, sick, sick to my stomach / My head knows you weren’t the one I wanted / And fuck, it hurts to know that you’rе fallin’ / Fallin’ in love before I did”. “What Am I Gonna Do With You” é um divertido pop-rock que destaca-se pela performance de Rebecca e seu som forte e intenso, especialmente no refrão. “Cry Hard Enough” é um dos melhores momentos do projeto. Apoiada em um encantador UK Garage, ela mostra, em belas letras, todas as dores que sente e a culpa que põe em si mesma por um relacionamento ruim: “You’re breaking my heart / Every time you try to pretend there’s nothing wrong / All of your flaws on display, so / So maybe it’s all my fault”.

Os temas sobre relações amorosas se mantém em seguida com “Look At You”. Se em “Sick To My Stomach” ela cantava sobre a inveja que ela sentia por sua ex-namorada estar conseguindo seguir sua vida e encontrar novas parceiras melhor que ela, agora seu parceiro está sofrendo por um relacionamento, no entanto, Rebecca mostra ainda preocupar-se com ela (“I hate that she made you wanna cry”), por mais que sentisse ciúmes pelo namoro (“And I’d be lying if I said I wasn’t jealous of you too, hmm”). E, não apenas a canção destaca-se por sua composição, como também, a performance de Rebecca soa adorável e é um excelente pop-rock com influências de new wave. Por fim, vem “Personal”, finalizando o disco de maneira intrigante liricamente, abordando como, em todas as suas relações, ela sentia que estava performando com, em cada uma delas, ela mostrando uma nova versão de si mesma, como se fossem diferentes personagens, entretanto, todas essas suas diversas personalidades faziam ela se machucar (“Multiple versions / Of the same person / All of them hurtin’ / Don’t think the pеrformance is workin'”). Porém, mesmo que nesse quesito ela acerte, é, infelizmente, a pior música em termos sonoros do registro, pois, ainda que não haja, de fato, algum erro nesse sentido, não há nada nela que surpreenda o ouvinte.

Com sua estreia, Rebecca mostra que, aquela menina a qual, há 12 anos, lançou uma canção ingênua para se divertir e que se tornou uma piada na internet deve ser esquecida, deixe-lá queimar, não julgue a carreira de Rebecca atualmente por isso, pois, Rebecca Black, principalmente, com Let Her Burn, mostra ser muito mais que apenas a garota de “Friday”. Se com ‘Rebecca Black Was Here’ a artista já havia evidenciado ter uma grande habilidade para elaborar ótimas canções pop, com ‘Let Her Burn’, ela demonstra, de maneira ainda mais concreta, ser um nome interessante para o gênero e que merece receber uma segunda chance na indústria fonográfica.

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