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Plasma

2022 •

Universal J

8.3
PLASMA é uma conjuração artística sui generis por conter algumas características indissociáveis do Perfume.
plasma (1)

Plasma

2022 •

Universal J

8.3
PLASMA é uma conjuração artística sui generis por conter algumas características indissociáveis do Perfume.
12/08/2022

As complexidades artísticas de um cenário musical, principalmente no que tange à música eletrônica, tende a sofrer ações positivas ou negativas decorrentes do processo de expansão e de modernização dos meios de produção. Embora hoje em dia qualquer abordagem futurista possa ser um conceito batido, no início da década de 2000, com sintetizadores dotados de novas configurações — algumas delas bastante simbólicas, como as presentes nos trabalhos do Daft Punk — que acabavam se tornando, de maneira imediata, algo verdadeiramente revolucionário. No Japão, cientes dos avanços tecnológicos acerca da engenharia sonora da época, surgia Perfume, um trio perfeitamente alinhado ao carácter inovador da música pop japonesa e que agora, depois de anos, procura manter fielmente a sua principal característica.

Coreografias com movimentos robóticos, batidas eletrônicas desconfiguradas e uma pegada retrô futurista cheia de ganchos divertidos, são coisas que, em poucas palavras, definem muito daquilo feito pelo Perfume em seus melhores discos. Essas colocações de estilo, extremamente interessantes no contexto vanguardista em que se desenvolveu, podem facilmente soar como um golpe barato se caso fossem utilizadas por outros artistas. Isso acontece porque o Perfume possui um viés analógico sem igual, optando sempre por deixar as aparências que tinham no início da carreira. Essa singularidade prova a verdadeira constância de se fazer música olhando para o futuro: elas nunca vão envelhecer independente do momento e da proposta. 

PLASMA, o oitavo álbum de estúdio do Perfume, é uma junção daquilo que elas sabem fazer de melhor. Nele, a abordagem futurista dispara da mesma forma que surgiu no passado, porém, com diferenças óbvias em relação à produção, que dessa vez, graças ao tempo, soa refinada e polida — ainda que muitas vezes, não tenha o exato sentido revolucionário que antes. Mas, longe de soar obsoleto, PLASMA, diferente dos outros registros do Perfume, é o material mais abrangente e aberto a interpretações que elas já fizeram. Se nos anos anteriores a necessidade de afirmação, que qualquer artista sofre, fazia com que o trio buscasse implementar conceituações e representações narrativas mais definidas em suas obras, agora, felizmente, KASHIYUKA, NOCCHi e a-chan se vêem livres para experimentar e usufruir musicalmente daquilo que desperta interesse e vontade nelas. 

A partir disso, o produtor Yasutaka Nakata, que já trabalhou com Kyary Pamyu Pamyu, outro ícone do j-pop, desempenhou um papel importante na produção desta obra. Aqui, os vocais doces e melodiosos do Perfume, tornam a dividir espaço com ganchos instrumentais pesados e pontualmente definidos por margens eletrônicas, o que, consequentemente, gera um impressionante contraste. “Time Warp (v1.1)”, por exemplo, é um verdadeiro choque eufônico. A faixa, carregada por um synthpop alegre e aprazível, dá a impressão de reproduzir grande parte do estilo desenvolvido no restante do álbum. “Polygon Wave (Original Mix)”, canção trabalhada previamente, faz o mesmo, porém, com ritmos mais acentuados, assim como “Spinning World”, que funciona a partir de uma texturização das paisagens eletrônicas criadas no decurso das condições rítmicas. Na mesma percepção, “Drive’n The Rain”, com 6 minutos de duração, é embalada por um city pop indizível e que se relaciona excelentemente com um instrumental equilibrado. Já “Hatenabito”, que se ergue entre batidas de teclado, escancara o acurado enfoque de sons experimentados em tão pouco tempo. 

Complexo e envolto de cuidados, os quase 47 minutos de música espalhados nesta pequena porção de histórias, traz algumas reflexões sobre a forma pela qual os atributos artísticos do Perfume conseguiram se manter após tantos anos de mudanças no âmbito tecnológico explorado por elas, que poderia, de modo ou outro, atrapalhar ou confundir a identidade musical delas, que sempre se manteve nessa visão de futuro bastante afeiçoada, sem necessariamente, entregar algo novo.  No final das contas, o espaço comprimido do PLASMA, é, nesse escantilhão de ideias, um convite infinito de boas-vindas.

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