SOUNDX

Paramore in South America (Ao Vivo em São Paulo, 11 de março de 2023)

4.0/5
Ao passar por distintas eras durante o show, a banda, que sempre foi a maior febre entre jovens, ainda tem a sua marca e admiração entre as diferentes gerações.
POR Brinatti
março 17, 2023

Depois de quase 10 anos sem vir para o Brasil, Paramore realizou, na última semana, três shows no país, sendo um deles no Rio de Janeiro e dois em São Paulo. A longa espera pelo retorno da banda fez com que o show do dia 11 de março, no Centro Esportivo do Tietê, esgotasse em minutos, reforçando a ideia de que, mesmo após anos de carreira, eles ainda estão em seu auge. O espaço, que contou com 18 mil pessoas, vivenciou momentos de nostalgia e sensações incontroláveis.

O show teve seu início com “You First”, canção presente no novo álbum This Is Why. É difícil não notar a energia caótica transmitida pela vocalista aos fãs. A forma expressiva da artista é seu ponto positivo: ela não apenas canta, mas dança, grita, pula, fazendo com que, mesmo embaixo da forte chuva, as pessoas ali presentes não deixassem se desanimar por isso. Na sequência, “That’s What You Get” e “I Caught My Self” trouxeram todo o sentimento nostálgico e entusiasta. Não houve um minuto sequer em que a plateia ficou sem pular e dançar. 

Antes de iniciar “Playing God”, do disco Brand New Eyes, Hayley disse o quão bom era estar de volta e já que a chuva não conseguiu parar a galera, ela também não iria parar a banda. Em “Ain’t It Fun”, o refrão chiclete (“Don’t go crying to your mama / ‘Cause you’re on your own in the real world”) e a sua repetição contínua fez com que aquele instante se tornasse único e divertido. “Caught in the Middle” finalmente abriu as portas para os órfãos do After Laughter, que, a pedido da vocalista, dançaram da forma mais estranha possível em meio ao ritmo da música. 

Minutos antes de iniciar a próxima canção, a artista faz uma menção ao amor que eles sentem pela música e destacou que o público é o principal pilar para que eles se lembrem do poder dela. Após, se dá início a “C’est Comme Ça”, que é uma das piores músicas do novo álbum, principalmente considerando “Crave”, “Figure 8” e “Big Man, Little Dignity”, que são figuras importantes. Pode ser que tenha atendido as expectativas de alguns, mas não da grande maioria. Dando seguimento, eles trouxeram dois dos seus maiores sucessos, “Still Into You” e “The Only Exception”, que contou com momentos especiais, tais como o show de luzes através das lanternas dos celulares que tomou conta de todo o espaço, o pedido de noivado por um casal, em que Hayley deu as bênçãos, felicitando-os, e a troca do último verso de “The Only Exception” por “And I’m so close to believing”. 

“Pool” e “Rose-Colored Boy” deram continuidade a felicidade dos amantes do After Laughter, sendo essas duas das melhores peças do álbum. No refrão, “I’m Undewater”, de “Pool”, nunca fez tanto sentido em meio a forte chuva que assolava o Centro Esportivo. “Scooby’s in the Back” deu espaço a Zac para apresentar a canção do grupo Halfnoise, no qual faz parte. Durante a sua apresentação, plaquinhas escritos “Zac’s back” foram erguidas para comemorar a volta do integrante a banda, em que até mesmo Hayley puxou um coro fazendo com que todos gritassem a frase junto. Mesmo que tenha sido uma experiência um tanto interessante, principalmente por Zac ser um artista com um carisma e uma energia contagiante, eles poderiam ter dado a oportunidade de colocar canções que eram aclamadas aos gritos durante o silêncio que faziam entre uma canção e outra. 

“Hard Times” e “All I Wanted”, duas das canções mais esperadas da noite, levaram todos ali presente à loucura. A vocalista, que antes dizia que dificilmente viria cantar “All I Wanted” ao vivo, em decorrência das notas altas, deu um verdadeiro show em sua atuação. No bis, eles voltaram com “Running Out of Time”, desejando boas-vindas para quem estava vendo a apresentação deles pela primeira vez. 

Na sequência, “Misery Business” marca a celebração entre os fãs e os integrantes, em que surge a oportunidade de subir um deles ao palco e performar.  Dessa vez, não foi apenas um fã, mas cinco fãs foram convidados para participar da dinâmica, o que era para ser algo mágico, tomou uma tensão devido a algum deles terem furado a fila, o que acarretou vaias das pessoas próximas ao palco. Nesse sentido, a vocalista estranhou o ocorrido e não entendeu o que estava acontecendo. Após explicarem, ela disse que: “a menos que envolva homofobia, transfobia, racismo ou ser um pedaço de merda, não xinguem seus amigos que subiram no palco”. Após o desentendimento, foi visível observar como todos ficaram eufóricos, nessa, para tentar amenizar a situação, ela decidiu cantar “This Is Why” junto da plateia, finalizando a apresentação. 

O setlist para o primeiro show em São Paulo foi reduzido. O que foi um grande erro. Os fãs estavam ansiosos por ter a oportunidade de presenciar a performance de “(One of Those) Crazy Girls” pela primeira vez. Uma das questões que mais incomodaram foi as pausas entre uma performance e outra e os diálogos que passavam de minutos. Se não houvesse toda essa enrolação, não há dúvidas de que “Crazy Girls” e “Decode” não seriam os injustiçados deste dia. 

Entretanto, mesmo diante dessas pequenas situações, a passagem da banda no país só comprovou que eles sempre estiveram e sempre estarão no seu auge. A forma em que eles se envolvem com o outro é extremamente cativante. É inevitável destacar a grande influência e o sucesso que Paramore tem desde o seu início, ao passar por diferentes eras, a banda que sempre foi a maior febre entre jovens, ainda tem a sua marca e admiração entre as diferentes gerações.

Mais textos para

plugins premium WordPress