SOUNDX

Hemlocke springs, NewJeans, Maruja, ODD EYE CIRCLE, Aphex Twin, Boygenius, Angel Olsen, FLO, PinkPantheress, Stalled, ROSALÍA, Nia Archives, aespa, Geese e Quickly, quickly (Fotos de divulgação, sem autoria ou créditos nosso)
/

Os 15 Melhores EPs de 2023

Apresentando a lista dos melhores EPs de 2023, contando com Aphex Twin, Boygenius, Geese, Nia Archives, Stalled, Quickly, quickly, e mais!
POR SoundX Staff
dezembro 13, 2023

Desde que os EPs se tornaram a porta de entrada para novos artistas, sejam eles do mainstream ou da cena underground, esse formato merece mais atenção do que nunca. Na verdade, EPs são uma coisa engraçada: eles são mais longos que os singles, mas estão longes de serem extensos quanto os LPs. No entanto, isso não significa que eles não são completos: existem inúmeras provas, principalmente esse ano (*cof, Maruja, cof*), de que essa molde de trabalho pode ser tão integral quanto ousado. De qualquer forma, ainda é música e, como sempre, é o que importa e é isso que celebramos. Assim, segue a lista de 15 melhores EPs de 2023.

15

quickly, quickly, Easy Listening

As músicas encontradas em Easy Listening fazem jus ao título; são bastante acessíveis, mas se engana quem pensa que isso é algo ruim. Pelo contrário, a simplicidade aparente dessas canções guarda camadas que se revelam com uma escuta mais atenta. O bedroom-pop feito por Graham Jonson sob o pseudônimo quickly, quickly mantém o toque caseiro que caracteriza o gênero, mas, de forma alguma, é amador. A escolha de texturas, sintetizadores e instrumentos demonstra um trabalho atencioso de produção e design de som e, ainda assim, a música soa natural e libertadora. — Marcelo Henrique

14

Geese, 4D Country

Em 4D Country, Geese expande o universo que criaram em seu segundo álbum, o 3D Country. Com músicas novas e uma versão extendida da faixa título do último LP, dessa vez se tornando a canção homônima deste EP, a banda prova que conseguem criar um projeto excelente mesmo quando estão nos entregando apenas seus b-sides. Com 4D Country, Geese acaba soando melhor que vários LPs completos de muitas bandas por aí, e isso se dá principalmente ao fato de que o grupo claramente não se leva muito a sério e estão apenas se divertindo, no processo que criam algumas das canções de rock mais cativantes do ano. — Matheus Henrique

13

aespa, MY WORLD

Em meio a mudanças de administração da empresa de æspa, SM Entertainment, os últimos lançamentos do grupo foram marcados por uma mudança no rumo de sua narrativa. Se antes estava centrada numa ligação entre as artistas e seus avatares vivendo no planeta do universo digital de Kwangya, agora, as integrantes estão vivenciando o mundo real. Em Girls era feito uma transição entre esses dois capítulos da lore delas de forma descuidada, o que resultou em um projeto pouco coeso. No disco seguinte, My World, entretanto, é melhor executada essa nova fase do girlgroup. As composições que abordam questões da vivência na Terra, se distanciando dos temas dos lançamentos anteriores, são acompanhadas de inovação na parte sonora, em muitos momentos, fascinante. Dessa maneira, apresentam uma renovação artística cativante. Ademais, embora a obra se caracterize por mostrar do início ao fim uma tomada de curso diferente da de seu trabalho antigo, ele é primorosamente elaborado de forma a permanecer a produção eletrônica poderosa característica dos materiais musicais de æspa de maior renome. — Davi Bittencourt

12

Nia Archives, Sunrise Bang Ur Head Against Tha Wall

A britânica Nia Archives, além de grande entusiasta do movimento jungle, originário das raves do Reino Unido dos anos 90, é responsável por introduzir o precursor do drum’n’bass a uma nova geração. Em Sunrise Bang Ur Head Against Tha Wall, ela une as características batidas aceleradas do gênero à suavidade melódica do neo-soul. Como resultado, o EP, que abre com um sample de um clássico dos Barbatuques, soa como o arremate de uma noite de festa. É como observar a alvorada com o sangue quente ainda correndo nas veias. — Marcelo Henrique

11

ROSALÍA / Rauw Alejandro,

O relacionamento de Rosalía e Rauw Alejandro não deu certo, mas o EP lançado enquanto ainda eram um casal foi uma união promissora. Fazendo intensas juras de amor, a dupla surfa na onda do reggaeton com a envolvente e apaixonada “BESO”, mas também propõe peças que adicionam um tom eletrônico urbano e noturno, “VAMPIROS” é disparada a canção mais criativa. Por outro lado, “PROMESA” tenta selar o amor ao ver afeto nas pequenas ações, firmando destaques das faixas anteriores ao adicionar flamenco e pop com sintetizadores distorcidos. Em relação ao que ambos podem entregar, é um material simples e pouco revelador, no entanto, são músicas acertadas e divertidas para um casal que poderia revelar parcerias musicais encorpadas no futuro. — Gustavo Rubik

10

Stalled, Contentment

A banda da cena underground de Chicago chegou no início de 2023 com um EP revelador que anseia por atenção e destaque. Contentment é uma junção produtiva que transita entre gêneros do rock, explorando com aptidão o hardcore de “A Conduit For This Contentment”, a faixa mais explosiva com instrumentos amplificados e interpretação vocal rasgada; e o slowcore de “Front Lawn” e “What It’s Like”, momento mais desacelerado, com a primeira ainda sendo mais vibrante que a segunda. “Enid” encerra o material consumindo os segundos gradativamente, em seguida desembocando para riffs intensos e vocais caóticos, da mesma maneira que o EP inicia. Com a habilidade em mesclar o atrevimento punk e hardcore com a intimidade soturna do slowcore, Stalled pode ser um nome promissor no cenário rock alternativo. — Gustavo Rubik

9

PinkPantheress, Take Me Home

Por mais que se trate de um conjunto de apenas três faixas que mal consegue chegar aos sete minutos de duração, Take Me Home consegue ganhar um pouco do apreço do ouvinte pela qualidade inquestionável de suas produções e o grande talento de sua intérprete, PinkPantheress, cuja performance única e estilosa encanta aqueles que a ouvem. O projeto inicia com a versão original do grande sucesso “Boy’s a liar”, uma faixa alegre de dance-pop com batidas de baltimore club, depois vai para “Do you miss me?”, música feita em colaboração de PinkPantheress com o produtor KAYTRANADA, que conta com uma produção incrível de afro house, até sua faixa-título, cuja estrutura contém traços mais característicos da sonoridade da artista. A excelência desse trabalho precedeu a magnitude de Heaven knows, seu primeiro trabalho de estúdio; marcando o momento onde se desvencilhou mais da estética future nostalgic, que ela mesma criou, e passou a confeccionar canções melhor elaboradas. — Bruno do Nascimento

8

FLO, 3 of Us

Embora este seja um formato que ainda funciona para o k-pop, no ocidente, tem-se a noção de que os girl groups ficaram congelados nos anos 90. FLO tenta mudar esse cenário. Com forte inspiração na era de ouro do R&B, o grupo britânico fez sua estreia com um EP em 2022 e, agora com a aprovação de nomes importantes para o gênero, como Beyoncé e Missy Elliott, se prepara para lançar seu primeiro disco. Enquanto esse momento não chega, 3 of Us surge como mais um aperitivo — em apenas três faixas, as garotas abrem um leque de infinitas possibilidades a serem exploradas dentro da sua interpretação do gênero, seja por meio da nostalgia, ou da reinvenção de formas já consagradas. De uma maneira ou de outra, é inevitável que elas caiam nas graças do público num futuro próximo. — Marcelo Henrique

7

Angel Olsen, Forever Means

A versatilidade de Angel Olsen é incontestável: lado a lado, My Woman, All Mirrors e seu mais brilhante single até o momento “Like I Used To”, com Sharon Van Etten, parecem obras de artistas completamente diferentes. Desta vez, Olsen retorna com o EP Forever Means, uma peça de alternativo, folk e jazz que encanta na simplicidade. “Nothing’s Free” contém um dos usos de saxofone mais conspícuos dos últimos anos. — Kaique Veloso

6

Boygenius, The rest

É fácil se perder na ideia do “mais do mesmo” quando se fala de um EP composto de leftovers, músicas que não passaram em cortes para outro LP. Mesmo por vezes fortalecendo esse conceito, boygenius se mantém ecletico, afiado, e suas membros, conhecedoras totalmente do próprio som e limite. Apesar de não ser um marco de qualidade quanto seu LP principal, the record, Julien Baker, Phoebe Bridgers e Lucy Dacus continuam sua linha divertida e introspectiva, tamborilando entre o doloroso e o jocoso. the rest talvez seja um nome apropriado, mas está longe de definir por completo um trabalho do grupo, que permanece surpreendendo. — Pedro Piazza

5

Aphex Twin, Blackbox Life Recorder 21f / in a room7 F760

Aphex Twin exerce seu poder midiático quando lança alguma peça, alguma colaboração, quaisquer mínimas contribuições para seu cânone e mitologia, e vê seus fãs em polvorosa. Afinal, são contribuições um tanto raras. Apesar de dar sinais do envelhecimento de sua persona, dada a obsolescência de um som muito característico do final dos anos 1990 e começo dos 2000, Richard D. James continua afiando sua faca musical, esperando o momento certo em que irá cortar a cena IDM, seja de forma positiva ou não. Aqui, apesar de longe do ápice do seu som, Aphex ainda mostra que passem os anos, e passem as modas, Richard ainda controla seu som e influencia o som de outros, tudo enquanto mantém a cena IDM na ponta da agulha. — Pedro Piazza

4

ODD EYE CIRCLE, ODD EYE CIRCLE <Version Up>

ODD EYE CIRCLE <Version Up> destaca-se como um EP notável no cenário do k-pop, sobressaindo-se em meio às práticas questionáveis da indústria musical sul-coreana. Enquanto o panorama atual enfrenta desafios como má gestão, práticas comerciais crueis e escândalos, o grupo adota uma abordagem apaixonada e cuidadosa em seu trabalho. Desde coros envolventes até uma produção ambiciosa, passando por melodias criativas e explosivas, o grupo oferece uma rica diversidade de elementos musicais. A energia apresentada neste EP é imaculada, oferecendo uma lufada de ar fresco e inovação em um cenário muitas vezes saturado. O ODD EYE CIRCLE demonstra que é possível transcender os desafios da indústria, entregando uma experiência musical que se destaca não apenas pela sua qualidade técnica, mas também por sua vitalidade e originalidade. — Gerson Monteiro

3

Maruja, Knocknarea

Em seu EP de estreia, a banda Maruja esbanja talento, potencial e mostram o apetite enorme que possuem em fazer parte da nova onda de grupos que estão misturando o post-punk com post-rock, criando assim uma nova era para o rock underground e, quem sabe, sendo base de inspiração para grandes futuros artistas. Em suas composições, Maruja parece brincar com as dinâmicas entre o saxofone, a bateria, o baixo e a guitarra, criando canções tão envolventes, que o curto tempo de vinte e dois minutos do EP passa em um piscar de olhos, deixando qualquer um ansiando por mais e torcendo para que o álbum de estreia não esteja tão longe — Matheus Henrique

2

NewJeans, Get Up

Imperativamente, Get Up, das queridas NewJeans, se apresenta como um dos trabalhos mais influentes e importantes de k-pop da atualidade. Em seu segundo mini-álbum, as jovens se destacam em seu meio pela sua sonoridade distinta, que trabalha as batidas do UK garage e 2-step dentro dos moldes do gênero na qual estão habituadas; originando canções de qualidade e unicidade louváveis, como “Super Shy” e “Cool With You” — os dois singles principais do projeto. Anteriormente as garotas já haviam seguido essa mesma premissa em seu primeiro mini-álbum, o auto-intitulado “New Jeans”, entretanto, dessa vez, tais ideias são mais exploradas e trabalhadas — visto que não competem espaço com nenhum outro gênero, como é o caso do antecessor, onde vemos faixas influenciadas por diversos estilos diferentes. — Bruno do Nascimento

1

hemlocke springs, going...going...GONE!

O primeiro trabalho de estúdio de Naomi Udu, mais popularmente conhecida como hemlocke springs, going…going…GONE! é uma coletânea entusiasmante de canções de bedroom pop e electrocrash, que conquista o ouvinte cada vez mais que é ouvido pelo carisma de sua autora e também por suas produções caprichosas. Além disso, going…going…GONE! é um trabalho bastante intimista e pessoal, cujo debate dos temas abordados é feito com o uso de uma escrita muito inteligente e perspicaz. Em “heavun”, um dos singles promocionais do EP, por exemplo, ela discorre sobre a sua própria experiência enquanto parte de uma sociedade capitalista, pautada inteiramente no lucro, e em “enknee1”, a mesma canta sobre sua jornada tortuosa pelo amor enquanto uma mulher preta e, portanto, fora dos padrões estéticos. — Bruno do Nascimento

plugins premium WordPress