Os 50 Melhores Álbuns de 2021

POR SOUNDX STAFF; 14 de DEZEMBRO de 2021

Apresentando a lista dos melhores álbuns de 2021, contando com Juçara Marçal, Lana Del Rey, Lingua Ignota, Little Simz, Spellling, St. Vincent, Taylor Swift e mais!


Embora 2021 não tenha sido realmente um ano pós-pandêmico no qual finalmente as coisas voltariam ao normal, música continuou com seu papel importante de fazer com que nós seguíssemos em frente. Claro que não tivemos lançamentos tão fortes quanto no ano passado — sim, estamos falando de Fiona Apple e Phoebe Bridgers novamente —, e os retornos mais esperados em anos não foram tão especiais quanto imaginávamos: Lorde e Kanye West. Por outro lado, artistas em ascensão entregaram seus melhores trabalhos: The Weather Station, Jazmine Sullivan e Lingua Ignota. Com altos e baixos, porém, a música nesse ano teve um papel importante como sempre. Estes são os 50 melhores álbuns de 2021.


A Beginner’s Mind

50

Com a colaboração de Angelo de Augustine, o retorno às cordas de uma guitarra acústica evoca o clássico Carrie & Lowell. A principal diferença, em termos de sonoridade, entre ambos os projetos, é a de que desta vez Stevens não dispensa de atmosferas eletrónicas e rastos de rock psicadélico que complementam a base acústica, como podemos ouvir nos deslumbrantes solos de uma guitarra que enchem “Back to Oz”. Este projeto colaborativo é um verdadeiro álbum conceptual por definição, surgindo a partir da rotina que ambos os autores adotaram na casa de um amigo em Nova Iorque — cada noite reviam um filme que tivesse marcado a sua infância. A manhã seguinte era dedicada a esboçar os traços da música que ilustraria cada um destes filmes. O mundo fantástico que pintam parte de mais que uma interpretação, uma reapropriação de alguns destes clássicos, desde Clash of the Titans a Hellraiser III. A mutação impetuosa das narrativas e das personagens parece surgir como produto dos sonhos deles — elas surgem em porções desconstruídas, desalinhadas e mesmo desconcertantes.

Com o lançamento de A Beginner’s Mind, Sufjan reforça o seu nome no legado do folk, provando, mais uma vez, o seu engenho na criação da simplicidade que comporta imensidão e assegurando que o génio lírico dele se recusa a enfraquecer. O retorno do artista ao chamber-folk dificilmente seria mais adequado, e a sua destreza na criação de melodias e narrativas continua a mesma dos tempos de Illinois e Carrie & Lowell. Sufjan afirma-se novamente como um dos mais consistentes nomes da música contemporânea, e nada aponta para que isso mude brevemente. — Simão Chambel

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Heaux Tales

49

Definitivamente, Heaux Tales já é um dos melhores discos de R&B dessa década. Jazmine Sullivan propôs-se a pintar retratos fidedignos de mulheres reais, desnudas de amarras e regidas pela própria vontade. A cantora — com razão — acredita que toda mulher, desde uma CEO de uma grande empresa a uma stripper, merece respeito. Isso significa, portanto, que embora você discorde de sua posição e suas convicções morais, como em “Precious’ Tale”, em que a mulher admite valorizar e priorizar o dinheiro, dados os seus traumas de uma dura infância, todas possuem autonomia de pensamento e de agência com seu próprio corpo. Enfim, todo o álbum, hora ou outra, recai sobre a perspectiva de alguém sobre um fato comum, mas que ainda pode ser visto com estranheza. Heaux Tales vem para naturalizar essas situações e, mais importante, entreter com ótimas melodias, batidas e performances vocais de Sullivan. — Kaique Veloso

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48

Arranjos desordenados, letras que brincam com o sentido melódico das faixas e uma produção instigante, esses são elementos essenciais que formam as bases do novo disco do cantor e compositor chinês Jiao Maiqi. Dispondo de uma estrutura peculiar, Alien é um compilado perfeito de canções que gozam da liberdade criativa do artista. Sendo possível encontrar de tudo nesse pequeno pedaço de tempo que exprime partículas sensoriais, as quais preenchem o lado experimental do disco e, principalmente, resultam na ótima experiência proporcionada para o ouvinte, que é transportado e inserido como um alien nesse universo de batidas e sintetizadores alinhados ao desejo do cantor chinês em contar suas histórias enquanto impressiona todos em sua volta. — Matheus José


Dawn of Chromatica

47

Chromatica foi a trilha sonora para as baladas caseiras, realizadas nas salas de estar ou sob os chuveiros em nossos banheiros. A promessa do lançamento de uma versão alternativa para “Babylon” e as expectativas criadas em relação ao envolvimento de artistas em ascensão no projeto foram determinantes para elevar a antecipação de Dawn of Chromatica pelos fãs. O grupo de produtores Bloodpop fora encarregado de organizar e chefiar remixagem das faixas do álbum vencedor do Grammy, contando, é claro, com as vozes, as características e as personalidades de cada figura convidada. Nesse sentido, é notório o objetivo do álbum: muito além de oferecer novo material para os “little monsters” — como se chamam os fãs de Gaga —, o disco de remixes busca ser uma vitrine para artistas emergentes, em maioria LGBTQIA+, que ainda carecem de reconhecimento pelo grande público. Nomes estabelecidos, como Pabllo Vittar, no Brasil, Charli XCX, no mercado global, e a revelação do rap americano Ashnikko, apesar de já bem sucedidos em suas carreiras, alcançam horizontes ainda maiores com a ajuda de Lady Gaga e Bloodpop. Paralelamente, estrelas valorizadas nas cenas eletrônica e alternativa trilham a mesma jornada: venezuelana, Arca usou essa oportunidade como chamariz para, meses depois, o lançamento e a finalização do seu mundo kick; Dorian Electra, pessoa não-binária que absolutamente domina com maestria a arte de explodir cérebros — em 2020, Dorian colocou à disposição My Agenda, álbum no qual satiriza o discurso de ódio, tornando possível a “ditadura gay” e risível a cultura incel —; sem contar Rina Sawayama, a britânica que despontou com seu autointitulado e atrai diversos seguidores por sua capacidade de fazer boas canções pop, sem render-se ao comodismo. Via de regra, os remixes não são exatamente melhores versões, mas, de fato, opções diferentes para gostos diversos. — Kaique Veloso

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Batidão Tropical

46

Quarto álbum de estúdio da drag queen mais seguida do mundo, Batidão Tropical é imagem especular da infância de um garoto no Pará: tecnobrega e forró foram seus primeiros professores. Loira, bronzeada — e rodeada de grandes homens, literalmente —, o garoto, já crescido, se apresenta na capa do projeto. A falta de concordância no período anterior é proposital: Pabllo foi responsável por introduzir o grande público brasileiro à arte drag: quando todos pisavam em ovos, tentando decifrá-la, Vittar foi categórica: “Sou um gay de peruca”. Anos após o choque inicial, a cantora permanece relevante nas mídias sociais e canais tradicionais de comunicação. E Batidão Tropical tem como objetivo difundir os ritmos que marcaram — e ainda representam as regiões Norte e Nordeste do Brasil — o nascimento e a formação não-acadêmica de uma estrela. — Kaique Veloso

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Ancient Dreams In A Modern Land

45

Recheado de elementos eletropop e dance-pop eletrizantes, MARINA volta às suas raízes indie de uma forma mais perfeccionista e experiente, com vocais e melodias ainda mais confiantes e impactantes. MARINA, motivada pelos maus-tratos a mulheres e indivíduos LGBTQIA+ ao longo da história, obteve inspiração nos julgamentos de bruxas de Salém, trazendo tópicos sociais importantes de forma suave e criativa. Ancient Dreams in a Modern Land é um retorno da Marina à sua forma artística máxima, onde todo o seu potencial é aproveitado, expandindo os seus horizontes para níveis astronômicos. — Gerson Monteiro

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Trava Línguas

44

Dando sequência ao Pajubá — um dos melhores álbuns da década de 2010 —, Linn Da Quebrada finalmente lança seu tão aguardado segundo álbum de estúdio: o Trava Línguas. E, afiada como sempre, Linn parte de ótimas composições e arranjos bem orquestrados, os quais concentram suas inspirações em meio à ancestralidade presente do início ao fim do disco, sendo esse ponto o mais forte e capaz de estabelecer profundas conexões exploradas ao longo de 38 minutos carregados de sensibilidade, representatividade e precisamente força — o principal condutor da arte contemplada por ela em mais um registro ontológico da música brasileira. — Matheus José

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Querencia

43

Querencia é um dos álbuns mais surpreendentes de kpop do ano e foi responsável por apresentar, de maneira aperfeiçoada, o potencial da solista, o qual não havia sido mostrado tão bem em seus mini-álbuns. Dividido em 4 partes, nas quais cada uma traz um som bem diferente da outra, a artista consegue se revelar bastante versátil, transitando entre vários gêneros, com poucas vezes em que ela erra ao usá-los. Fora isso, mesmo com tantas dissemelhanças entre os lados do disco, ele consegue manter um certo nível de coesão e, além do mais, trazer algumas de suas melhores canções como “Stay Tonight”, “Dream Of You” e “Masquerade”. — Davi Bittencourt

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DONDA

42

Considerado como um caos por muitos e uma obra de arte pelos restantes, Donda tem lugar certo no pódio dos álbuns mais polarizantes do ano. A sua estrutura incompleta e não polida é argumento suficiente para desqualificar o projeto como um álbum verdadeiramente coerente e coeso. Contudo, a sua desordem e aleatoriedade parece traduzir fielmente o estado mental em que Kanye se encontrava durante a sua criação, enquanto cada faixa individualmente se mostra focada, tanto em termos de produção como nos seus versos.

Após o seu divórcio com Kim Kardashian e uma mão cheia de polémicas não surpreendentes para West, incluindo a sua candidatura a presidente dos EUA e a associação com artistas que não merecem uma menção sequer, as 27 faixas que compõem o álbum aparecem, desorganizadas, mas honestas e íntimas, querendo afirmar-se, umas por cima das outras, atropelando-se e interrompendo-se, de maneira a espelhar o estado mental do artista. Respeitando os céticos a esta interpretação, é difícil negar que um trabalho artístico usualmente reflete a personalidade dos seus criadores, e este é exemplo disso por excelência. Em Donda é possível observar, simultaneamente, o melhor que o génio de Ye tem para dar e a destruição que a desordem do artista pode provocar. — Simão Chambel

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30

41

De certa forma, podemos ver 30 como o álbum mais diferente de Adele. Digo isso, porém, não por ser o primeiro registro da cantora a quebrar com as regras internas de sua carreira que ela seguia desde o começo, tocando com outros gêneros e estéticas sonoras, mas sim por ser um disco no qual ela parece finalmente seguir em frente de tudo que esperavam dela. Sendo amplamente influenciado por seu último divórcio, 30 é um trabalho no qual Adele deixou de lado sua tristeza mundana de términos mal resolvidos para concentrar sua composição singular no que realmente importa quando você é uma mãe de 30 e poucos anos: a sua própria felicidade, o futuro de seu filho e a carga emocional que paira entre esses dois lados. Embora o álbum tenha suas falhas, como ainda jogadas seguras da cantora, não é difícil vê-lo como o primeiro passo para um grande avanço para vida artística da britânica. — Leonardo Frederico

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