Os 10 Melhores EPs de 2021

POR SOUNDX STAFF; 15 de DEZEMBRO de 2021

Apresentando a lista dos melhores EPs de 2021, contando com Kero Kero Bonito, Poppy, TWICE, Yves Tumor, YUKIKA e mais!


De longe, os dois últimos anos não foram fáceis para ninguém. O isolamento social, que, por um lado, fermentou a criatividade, deixou milhares abalados em uma solidão que parecia sem fim. Para além de nós, meros mortais, artistas também passaram por isso. Enquanto Taylor Swift estava lançando dois álbuns durante a quarentena, outros tiveram crises que não lhes permitiram criar absolutamente nada. No meio-termo, houve aqueles que palpitaram com ideias soltas, avulsas e finitas, que, apesar de não fecharem um disco por completo, ainda eram boas demais para se deixarem levar. Dito isso, esses são os melhores EPs de 2021.


上线了 GONE GOLD

10

Apostando na onda oitentista, com influência direta do Electronic Body Music, alinhado ao synthpop, Lexie Liu, em 上线了 GONE GOLD, parece destinada a mudar os rumos da música pop chinesa. Com o lançamento que carrega uma abordagem fora do comum, é possível estabelecer um ponto de colisão entre tudo já feito por ela e, principalmente, pelo que circula dentro da realidade quase paralela da China. Além da sonoridade, Liu ainda se atenta contra alguns costumes ao abordar certos assuntos através de pequenas referências, como visto na faixa “ALGTR”, rica em detalhes e camadas as quais escondem uma crítica social, coisa que se estende por todo disco. — Matheus José

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FURIA PT1

09

FÚRIA PT 1 é a primeira parte de um novo projeto de Urias. Por ele, já pode ter-se grandes expectativas para seu próximo lançamento. Em comparação a seu EP de estreia, Urias, esse traz algo ainda mais surpreendente que seu autointitulado. As produções e letras são mais complexas. Dentre as composições, uma das melhores é “Foi Mal”, na qual vemos a cantora falando sobre um término de forma melancólica: “Reciprocidade zero / Não tô acostumada com amor sincero / Tentando o meu melhor eu te mostrei o pior de mim / Chegamos nesse fim, enfim, foi mal”. — Davi Bittencourt

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BORDER : CARNIVAL

08

Com uma produção diferenciada e uma temática peculiar, BORDER: CARNIVAL é o resultado imediato do esforço criativo presente no desenvolvimento do grupo ENHYPEN desde a sua estreia. Começando pela sequência “Intro : The Invitation” e “Drunk-Dazed”, o disco parte rumo a um turbilhão de acontecimentos destacados pela riqueza dos versos e da elaboração assertiva que se estende por “FEVER”, “Not For Sale” e “Mixed Up” — faixas as quais são responsáveis por manter a energia constante que só tem fim em “Outro : The Wormhole”, música que encerra toda a experiência catártica desenvolvida pelo grupo ao longo de todo disco, embora curto, ainda assim rende ótimos momentos.  — Matheus José

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Taste Of Love

07

Se TWICE, em Taste Of Love, queria mostrar como é o sabor do amor, então elas conseguiram provar que ele tem um gosto delicioso, visto que o mini-álbum não é apenas um dos melhores lançamentos do grupo, como também de kpop do ano. O projeto traz consigo uma faixa título com o excelente uso da bossa nova, de maneira a elaborar uma canção graciosa, e b-sides que contêm um som, influenciado pelos anos oitenta, extremamente cativantes. Talvez, essa diferença no som da faixa principal e do resto do registro faça com que “Alcohol Free” pareça um pouco destoada dele, mas, fora isso, Taste Of Love é um ótimo retorno do girlgroup, no qual,  em todos os momentos, a experiência de ouvir o EP é divertida e surpreendente. — Davi Bittencourt

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Last Year Was Weird, vol. 3

06

Contando com as colaborações de Baby Tate e UMI, a parte final da trilogia Last Year Was Weird remata o projeto de uma maneira ousada, condensando o que de melhor Tkay Maidza teve para dar desde o lançamento do primeiro volume, em 2018. Com hooks sedutores e melodias elegantes, a voz da artista brilha no centro do projeto, afirmando-se como uma das mais prometedoras no domínio do pop-rap. O terceiro volume da tríade deixa um de lado a efervescência incansável do volume 2 em prol de um ambiente mais quente e relaxado, não desapontando com os seus descontraídos kicks e snares, o à vontade de um baixo solto e a casualidade de uma voz que canta, espontânea, mas afiada, enunciando cada palavra com a precisão de uma flecha. Soundtrack ideal para uma tarde de verão, o mais recente EP de Maidza é tão acessível quanto é sonicamente genial. — Simão Chambel

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Savage

05

Quebrando recordes e desbancando nomes gigantes como BTS, BLACKPINK e Twice, o aespa vem fazendo história. E, para quem um dia duvidou do potencial do grupo, por ser um ato da quarta geração, Karina, Giselle, Winter e Ningning se mostram prontas para definir e redefinir os rumos da indústria neste momento. Savage, o primeiro disco lançado por elas, chegou como um meteoro: causando impacto e mudanças perceptíveis na direção de grupos da SM, que promete repercutir muito do aespa ao longo dessa temporada, assim como fizeram no ano passado. 

E, se antes havia dúvidas de quais os caminhos seriam seguidos pelo aespa em seu disco de estreia, Savage, além de ser a resposta, é também um firmamento. Enquanto vemos por aí muitas tentativas de mesclar influências eletrônica, como o hyperpop, por parte dos grupos da quarta geração, poucos conseguiram de fato atingir um resultado tão satisfatório como elas, sendo possível contar nos dedos as vezes que algum ato estreitou dessa mesma forma, buscando experimentações e atingido o topo das principais paradas musicais da Coreia e se estendendo pelo mundo. — Matheus José

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The Asymptotical World

04

Depois de dois discos bem assentes na tradição da neo-psicodelia, Sean Bowie decide levar o género ao seu limite, infiltrando-o no plano do rock experimental e aproximando-o do shoegaze. A entrada explosiva em “Jackie” assinala prontamente a diferença entre este e os seus antigos projetos, onde a intensidade da instrumentação e da voz de Yves carrega consigo honestidade e aparece-nos como um desabafo brusco e ousado. A adicionar a toda a impetuosidade, o intenso som distorcido de guitarras sobrepostas e de batidas abafadas criam a textura áspera característica do panorama alternativo do início dos anos 2000, desta vez transportado para a desordem da atualidade.

The Asymptotical World é, como o próprio nome indica, um crescendo para o infinito, uma explosão de som que parece não encontrar quaisquer limites. Yves Tumor arrisca e prova mais uma vez o seu engenho, consolidando-o como personalidade imprescindível entre artistas que confrontam os limites da experimentação. — Simão Chambel

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Civilisation II

03

Civilisation é um projeto encabeçado por Kero Kero Bonito, banda britânica de dance e eletropop, no qual, em cada uma de suas fases, o grupo aborda a multilateralidade de alguns fatos das sociedades humanas. Na primeira parte, Civilisation i, o trio evidencia a destruição do mundo pelos incêndios e pelas enchentes, bem como pelas guerras, em “Battle Lines”, canção em que o teor qualitativo é alcançado não só pela primazia da divertida produção eletrônica — algo já característico de KKB —, mas também pela complexidade da letra. É nessa faixa que eles desenham um paralelo entre as táticas de guerra antigas e a contemporaneidade, de modo a destacar a manipulação do povo em prol da manutenção do poder, seja pela estipulação de um inimigo comum, seja pela criação de falsos desastres.

Civilisation ii, a continuação do EP de 2019, traz seu foco, todavia, para a temporalidade: passado, presente e futuro. Em “The Princess and The Clock”, uma das melhores canções do ano, KKB cria seu próprio mito sobre uma garota que foge para uma ilha, onde é venerada como uma deusa, mas mantida presa no alto de uma torre — essa é uma história que representa o passado. Já em “21/04/20”, o trio oferece uma versão otimista do que foi o ano de 2030; não há rancor ou melancolia, mas uma leitura positiva do isolamento social — esse relato representa o presente. Por fim, a mais longa música de sua carreira, “Well Rested”, com mais de 7 minutos, traça sua análise sobre o fim do mundo, ou melhor, a não ocorrência do apocalipse num futuro próximo. Essa canção dispõe, no segundo verso, do exemplo mais claro de inspiração em Kate Bush e, além disso, de certos apontamentos às crenças que pregam a iminência do apocalipse. Mas KKB acredita na sociedade e no valor da humanidade. Eles dizem: “We have survived a hundred apocalypses (A family) / Doomsday hasn’t come yet / You cannot stop civilisation”. — Kaique Veloso

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EAT

02

I Disagree foi áspero, mas EAT (NXT Soundtrack) é visceral. Diversas dúvidas surgiram acerca da filiação de Poppy à Sumerian Records, gravadora especializada em bandas de metal; mais dúvidas surgiram ainda, no entanto, se, após sua marcante estreia na cena nu-metal, Moriah Pereira seguiria apostando no rock como seu principal estilo. E ela seguiu. O projeto foi antecipado desde a apresentação do seu principal single, “EAT”, na cerimônia do Grammy, e de “Say Cheese” durante o intervalo do show de lutas pelo qual recebe seu nome. Nesse sentido, a sua chegada foi, apesar de tamanha morosidade, um deleite. A personalidade forte de Poppy realmente se encaixa no gênero e facilita a transparência dos sentimentos e mensagens. No final das contas, EAT (NXT Soundtrack) é um daqueles incríveis e inimagináveis bons resultados retirados da trágica realidade sanitária mundial em 2020. — Kaique Veloso

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Timeabout

01

Depois do sucesso da sua aclamada estreia, Soul Lady, Yukika lança um igualmente fascinante EP que reforça o seu nome como um dos mais prometedores no cenário atual do k-pop. A partir de mais uma fusão genial entre city-pop e k-pop que rapidamente se tornou na signature sound da artista, o EP é mais um exemplo de uma produção cativante, com deliciosas melodias e uma vibrante explosão de cor carregada por cintilantes sintetizadores retrô e o entoe rítmico de um baixo. Com cada música mais eletrizante que a anterior, Timeabout comporta a vivacidade de uma saída noturna numa metrópole japonesa, construindo as típicas paisagens sonoras do city-pop japonês dos anos 80 de uma maneira surpreendentemente fiel — o que Yukika parece fazer com incomparável maestria. — Simão Chambel

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