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#OPINIÃO: Não dá para dizer que toda música curta lançada hoje em dia é direcionada ao TikTok.

Músicas curtas não surgiram em 2016, junto com o TikTok.
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EM 10/02/2023

Com os algoritmos cada vez mais ditosos, as tendências da vez, principalmente no meio musical, se voltam para aquilo que, na perspectiva atual, é capaz de impulsionar o desempenho de canções através das redes sociais.

O TikTok, nos últimos anos, se tornou a chave-mestra dos sucessos — às vezes inesperados — de alguns artistas. A partir disso, é inegável que muitas produções tenham sido criadas na intenção de se ajustar aos moldes da rede social chinesa.

Um desses ajustes se dá pela superficialidade de temas e, até mesmo, a duração das músicas. Estima-se que muitos nomes estão cada vez mais enviesados com a ideia de conseguir um viral no TikTok e, portanto, acabam optando por seguir a trilha das tendências.

Todavia, há uma certa disruptura nesta visão de que todo artista cuja música se encaixe nos moldes do TikTok, realmente queira, por parte de uma estratégia de marketing ou não, tornar-se aliado das diversas normas estilísticas que se baseiam nos virais da rede social.

O argumento mais comum, é sobre a duração curta que muitos cantores andam empregando em seus álbuns. De certa forma, não dá para negar que o TikTok não tenha influência nisto, pois o comportamento do grande público mudou muito, ainda mais, após a pandemia. As pessoas estão, de fato, buscando pelo consumo rápido e variado.

Entretanto, há diferença, novamente, na proposta. Músicas curtas existem desde que a indústria musical assumiu o seu papel na contemporaneidade. Há registros de faixas curtas em décadas que os artistas jamais imaginariam a existência de um aplicativo de vídeo no futuro.

Um exemplo clássico, no que diz respeito ao cenário brasileiro, é o disco Crucificados Pelo Sistema, lançado em 1984 pelo Ratos De Porão. Neste álbum, grande parte das músicas possuem menos de dois minutos. Ao todo, somam-se 19 minutos de duração. Claro que, vendo o contexto punk/hardcore da banda, esse tipo de contravenção já era esperado e é muito bem-vindo.

Agora imaginem se, supostamente, o Crucificados Pelo Sistema fosse lançado hoje? Não faltariam, em todo canto, reclamações sobre como o Ratos De Porão se rendeu aos algoritmos e blá blá blá. Parece bobo, mas esse tipo de comentário realmente estaria sendo repetido aos montes.

Outros exemplos recentes e distantes do antro “TikTokniano”, incluem os discos Some Rap Songs, de Earl Sweatshirt, e to hell with it, de PinkPantheress — ambos com músicas de menos de dois minutos de duração.

A questão disso tudo, na realidade, se volta para os sentidos estilísticos de cada artista, de cada gênero e de cada intenção. É preciso, sobretudo, dosar a opinião sobre o que é ou não feito para viralizar, no mais, se isso é bom ou ruim. Pois, há estilos que em sua história, dependeram da intenção de fazer sucesso para sobreviver, como é o caso do funk brasileiro.

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