SOUNDX

Circle

• SM Entertainment

• 2023

7.4

Circle, como esperado, tenciona as expectativas para um caminho ameno e sem grandes realizações.

Circle

• SM Entertainment

• 2023

7.4

Circle, como esperado, tenciona as expectativas para um caminho ameno e sem grandes realizações.

PUBLICADO EM: 14/03/2023

PUBLICADO EM: 14/03/2023

Depois de dois mini-álbuns bem executados, ainda que apenas DICE tenha chegado perto de corresponder às perspectivas de ONEW frente ao k-pop, ele ainda assim permanece sendo um dos nomes mais interessantes dessa indústria, seja pelo seu talento, exemplar para os novos artistas, ou pela sua presença inebriante ao lado dos companheiros de grupo no SHINee. Circle, primeiro álbum lançado por ele, surge da conversão de fatores que o faz tão vivo quanto a sua vontade de tornar cada fragmento musical e narrativo em um lampejo etéreo de construções sonoras e líricas completamente abastadas pela riqueza de elementos. É um projeto singular, no sentido de soar puramente denso, mas equilibrado ao mesmo tempo.

Escrita por Kim Eana — letrista sul-coreana que já havia trabalhado com artistas como EXO, IU, TAEYEON, Billlie e TVXQ! —, a faixa-título, “O (Circle)”, expressa uma visão de mundo focada na comparação de momentos das nossas vidas com as estações do ano, as quais ocorrem anualmente, mas expressamente diferente uma da outra. Focado em seus vocais, ONEW canta com a alma, enquanto no refrão é acompanhado por um coral de fundo, repetindo — entre tonalidades semelhantes — o culto à sua ideia. “Entre a primavera e o verão, o outono e o inverno / Encontro, despedida, fluímos juntos / Em ondas que nunca foram diferentes”, canta ele, em tom poético.

Na sequência, “Cough”, entre um dedilhar de violão e uma linha bateria, o artista percorre por um campo de grama verde enquanto tece uma atmosfera solitária sustentada por um pop contido em suas bases. O mesmo acontece em “Rain On Me”, também orquestrada por cordas, mas, dessa vez, mais aparentes. Tomada por emoção, a balada sugere um tom acústico indiferente, quase que sem variação daquilo que outros nomes do gênero costumam oferecer. Neste ponto, notamos que o ONEW buscou trazer uma abordagem mais limitada e pouco condizente com o que ele mesmo havia entregue em DICE, uma das melhores mudanças no k-pop. Infelizmente, o mesmo não acontece aqui.

A diferença se dá, todavia, em momentos como “Caramel”, dueto comandado por um piano, um trompete e um baixo marcante. A faixa espreme a ambientação jazzística que Giriboy, rapper de destaque na Coreia do Sul, consegue transpor ao lado de ONEW. Certeiramente, eles combinam demais. É uma das melhores canções trabalhadas na interessantíssima discografia dele — que não é tão grande como parece dado a sua excelente experiência.

Circle, como esperado, tenciona as expectativas para um caminho ameno e sem grandes realizações. Depois de mergulhar na brisa leve de sons aconchegantes e divertidos, ONEW parece disposto em se dar uma experiência nova, trazendo introspecção e argumentando como se não precisasse de nada mais além da sua capacidade notória de conduzir excelentes peças. Assim, o álbum funciona. Mas é inegável que o mesmo seja autossuficiente o bastante para chamar a atenção de quem vê de fora ou de, talvez, prender por um longo tempo quem se dispõe a exportar as suas camadas.

MAIS CRÍTICAS PARA

Distante das baladas, em DICE, Onew parte rumo a uma odisseia eletrizante comandada por seus excelentes vocais e sons retrôs que, na perspectiva dele, nunca saem de moda.
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