Human
2021 • POP/ROCK • INTERSCOPE
POR DAVI BITTENCOURT; 09 de SETEMBRO de 2021
2.8

OneRepublic já lançou coisas interessantes. Embora nunca tenham sido uma ótima banda, no passado lançaram projetos satisfatórios, como o Native, álbum que contém o single “Counting Stars”, o qual aumentou significativamente o nível de fama deles. Porém, desde 2016, eles parecem insistir em fazer músicas pop sem graça e genéricas, visando apenas números. Todavia, em Oh My My, disco lançado antes desse, o grupo ainda conseguiu produzir um trabalho com alguns bons momentos, que faziam com que o disco não soasse tão desagradável em sua totalidade. Mas em Human isso não acontece.

Os vocais do vocalista são uma coisa em que o álbum peca bastante. “Distance” é o melhor exemplo disso. Em seu refrão Ryan Tedder tenta agudos insuportáveis que deixam a música, que já era péssima por sua produção e letras ruins, praticamente inaudível. “Wanted” é outra faixa com uma  performance vocal intragável, com sua voz soando bem estranha durante a maior parte da canção.

As composições, por sua vez, são ruins e repetitivas. Enfatizando “Distance” novamente, onde tentam falar que não importa o quão longe estiverem fisicamente, ele não ficará distante de quem ele ama. O que parece algo fofo, ainda que um assunto bem comum. Porém,  o que poderia ser uma letra decente se torna detestável por ela ser repetitiva e mal escrita. As linhas: “But I ain’t gonna keep my distance from you / Yeah, I already know what distance can do” são algumas das piores da faixa. 

A coesão é outro ponto negativo daqui. Ouvindo o disco, dá a sensação que, com tantos adiamentos, provavelmente,  ocorreram várias mudanças na tracklist, o que acarretou num resultado final incoeso, visto que o álbum soa como se tivesse incluído uma série de faixas que a banda fez durante esses últimos anos juntas sem nenhum cuidado para soar coerente, parecendo uma playlist. 

Ainda assim, há alguns momentos que dá para dar um certo destaque, enquanto “Didn’t I”, ainda seja uma balada pop genérica e sem graça, tem a composição mais pessoal do disco Ryan canta: “Know that I, know that I still care for you / Tell me why good things have to die”, “Rescue Me” é uma das poucas faixas em que a banda entrega algo cativante. Embora seja uma canção bem comum. 

O álbum tinha uma proposta de mostrar o que nos faz humanos, mas parece que o tema do disco foi desenvolvido durante o mesmo de forma bem rasa, já que são poucos os momentos em que se tem um aprofundamento dessa temática, e quando tem, é muito mal feito e superficial. Dessa forma, o fruto é um álbum que teve sua data de lançamento atrasada tantas vezes, mas que não compensa a espera.