AD MARE
2022 • K-POP/POP • JYP ENTERTAINMENT
POR MATHEUS JOSÉ; 24 de FEVEREIRO DE 2022
1.4

A estreia do novo grupo feminino da JYP é uma tristeza sem tamanho. Como é de conhecimento geral, o K-pop baseia-se em um sistema de trainee para lançar os seus artistas. São anos de treinamento para que um dia, finalmente, os idols ganhem um espaço definido por critérios extremamente pontuais por parte das corporações de entretenimento que estão inseridas na indústria. Quando isso acontece, o público e o mercado, costumam acompanhar com fervor todo esse processo, principalmente, se esses artistas forem lançados pelo conjunto das três maiores empresas: SM, YG e JYP. Infelizmente, existem casos em que a estreia de certos nomes acabam não sendo tão positivas assim, como aconteceu agora com o NMIXX.

Após serem acusadas por supostamente plagiar o LOONA, o NMIXX caiu no tabuleiro do amor e ódio. Desde então, tudo a respeito delas é motivo de muitas observações e comentários negativos. Apesar dessas questões que trazem à tona um dos piores lados da indústria musical sul-coreana, o NMIXX, por sua vez, precisa enfrentar um problema maior: a JYP.

Como sabemos, grande parte dos grupos são fabricados para seguir os padrões que as suas companhias costumam estabelecer no mercado. Nesse caso, a JYP ficou muito contente com a aposta no Stray Kids como um excelente ato da quarta geração. Assim, era de se esperar que, uma hora ou outra, seria finalmente lançado um conjunto feminino para também compor esse espaço. Mas, ao invés de tornar isso real com mais calma e dedicação, parece que a empresa se quer liga para a reputação das integrantes, pois, caso contrário, não teriam dado-lhes, uma das piores músicas que se tem notícia.

Tentando surfar na onda do aespa, que fez história trazendo um novo molde de experimentação para a quarta geração, o NMIXX até tenta, mas, infelizmente, não consegue chegar a lugar algum. A faixa-título é uma tremenda confusão sem o menor sentido. Poderíamos usar a ideia de que essa música é experimental e que por este fator soa estranha, mas, obviamente, existe um limite de compreensão em relação a isso. “O.O” não introduz nada de novo ou diferente, não quebra ou remonta qualquer estrutura e, para piorar, parece ser extremamente mal executada, pois, embora sejam boas, as integrantes Lily, Haewon, Sullyoon, Jinni, Bae, Jiwoo e Kyujin não estavam preparadas adequadamente para receber e cantar uma faixa com uma carga musical tão forte assim. Como se não bastasse toda essa questão, a música, além do mais, parece ser uma réplica desastrosa de “Next Level” com alguma coisa ruim que o ITZY provavelmente faria.

Desse modo, no primeiro projeto do NMIXX, apenas a b-side “TANK” poderia render boas impressões, mas, assim como a faixa-título, ela não tem nada a oferecer. Percebe-se então, que a formação do grupo parte de uma ideia construída pela quarta geração, que, basicamente, consiste na produção de sons repletos de ruídos e distorções, uma concepção que certamente, dá certo, mas também gera erros irreparáveis. Por se tratar de uma estreia, ter a má recepção que essa obra teve, é algo muito ruim a ser considerado. Isto, sem citar que a música não alcançou destaque nenhum nos charts coreanos, o que seria uma gigantesca ajuda para que elas superassem esse começo de carreira horripilante.

Cabe a nós a oração, ou, somente, a torcida para que os próximos lançamentos do grupo sejam no mínimo diferentes desse desastre pelo qual elas foram jogadas juntas ao precipício. No final das contas, AD MARE, só serve para nos lembrar que o debate sobre como tem se desenvolvido a quarta geração precisa ser feito quanto antes, pois se as grandes empresas continuarem insistindo nesse formato de lançar artistas com músicas horríveis na esperança de serem bem recebidos de modo que pareça a vanguarda do K-pop, ainda veremos muitos atos do tipo o NMIXX debutando e quebrando a cara.