2022

ADOR

New Jeans

NewJeans foge dos algoritmos do k-pop e faz da sua estreia, incrivelmente ambiciosa, um marco definitivo da quarta geração.

8.1
EM 04/08/2022

Mesmo que haja forças maiores dominando o k-pop atualmente, o primeiro lançamento de um grupo feminino, seja qual for, sempre irá resultar em um momento de pura apreciação. Isso acontece, principalmente, devido ao valor de mudança ocasionado por alguns atos femininos que foram responsáveis por deixar marcas insuperáveis nas gerações passadas, como fez o Girls’ Generation, Wonder Girls, S.E.S, 2NE1, T-ARA e outros. Formado a partir do desejo pessoal de Min Hee-jin, artista que trabalhou no setor criativo da SM Entertainment por 17 anos, o NewJeans, composto por cinco integrantes, desponta como o resultado de um esforço inventivo cheio de engenhosidades estéticas e inovações estilísticas que exalam excepcionalidade. 

Inspiradas em transmitir um sentimento de juventude repleto de texturas musicais confortáveis, o NewJeans emerge disposto a orbitar em seu próprio eixo. Deixando de lado canções com camadas eletrônicas e figuradas na agressividade de tons desarmônicos, elas apostam, então, no R&B referente aos anos 90 e 2000, além de, é claro, na simplicidade de melodias suaves, com vocais aveludados e que parecem permear apenas aquilo que soa refrescante aos nossos ouvidos. 

Apesar da sofisticação musical ser um grande elemento aqui, os objetivos do NewJeans e da sua criadora, Min Hee-jin, vão além de qualquer coisa já feita em uma estreia da quarta geração até então. Preocupada em deixar a sua identidade em todos os aspectos trabalhados pelo grupo, assim como fez nos projetos do f(x) e Red Velvet, Hee-jin — uma excelente diretora criativa —, parece não poupar esforços para fazer com que as suas criações artísticas sejam um verdadeiro show de arte e linguagem digital à parte. 

Partindo disso é que surgem os videoclipes inspirados em colagens e sobreposições de imagens com abstrações influenciadas pela essência tipográfica da estética YK2, algo que ganha vida junto das faixas escolhidas para preencher o conceito geral da peça, que, por sua vez, é sedimentada em torno de uma construção lírica surpreendentemente divertida, com pitadas de romance e uma atmosfera bastante acessível. “Attention”, cartão postal do quinteto, possui uma aderência expressiva quando se trata de refrão pegajoso e ritmo inclinado para pop ocidental. A música, uma das melhores do ano, foi escrita pela integrante Danielle, que no EP, divide créditos com Hanni, responsável pela letra de “Hype Boy”, principal destaque da obra. “Eu só quero ouvir que você é meu”, cantam elas, entre uma declaração ou outra de amor.

Distante de atos falhos, o New Jeans só perde força em “Cookie” e “Hurt”, que mesmo assim, aparentam ser ótimas escolhas no ponto de vista narrativo e sonoro. Aliás, não há nada mais incrível aqui do que a conciliação entre esses dois fatores. De certo modo, é possível notar uma maior dedicação por parte da equipe encarregada de tornar real todas as objeções dos artistas envolvidos no processo de criação desse registro, em outras palavras, os detalhes que mais chamam a atenção nesse debute, são na verdade, resoluções de problemas que os outros grupos não conseguiram resolver. Exemplo disso, é o equilíbrio sem igual de algo que soa experimental e despojado ao mesmo tempo, sem necessariamente, conter barreiras que limitem a experiência do ouvinte. E, honestamente, era isso que o k-pop estava precisando.

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