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2 Baddies

• SM Entertainment

• 2022

7.9

O ambicioso retorno do NCT 127 com 2 Baddies marca o melhor álbum do grupo desde o projeto NCT #127 Neo Zone, de 2020.

2 Baddies

• SM Entertainment

• 2022

7.9

O ambicioso retorno do NCT 127 com 2 Baddies marca o melhor álbum do grupo desde o projeto NCT #127 Neo Zone, de 2020.

PUBLICADO EM: 21/09/2022

PUBLICADO EM: 21/09/2022

A música do NCT 127 possui vida própria. Desde que o grupo estreou em 2016, o k-pop vem ganhando novos sentidos musicais. É fato que a atual quarta geração bebe muito da fonte que o NCT trouxe do acervo histórico de produções vanguardistas da SM Entertainment. Misturando hip-hop com EDM, eles foram, aos poucos, trilhando um caminho cheio de experimentações de gênero e algumas inovações, nas quais, embora hoje em dia parecem empacadas, ainda assim vemos um sentido abstrato nelas. É nesse rumo que 2 Baddies se mostra um trabalho essencialmente probatório. 

Depois de causar um rebuliço sem precedentes com a música “Sticker”, no ano passado, o NCT 127 havia, de fato, provado o quão alheios às tendências eles estavam. No momento em que grupos masculinos como o TXT se aventuravam no pop punk, o 127 optava por distorções eletrônicas complexas e genuinamente estranhas. Isso, novamente, se repete em 2022. Enquanto o k-pop passa a se compatibilizar com sons menos densos, mais suaves e refrescantes — como vimos na estreia do New Jeans —, o NCT, por sua vez, segue fazendo aquilo que sempre fizeram. Diferente do que vimos em 2021, cujo o álbum Sticker mostrava pouca coerência em sua composição rítmica, dessa vez, a proposta apresentada por eles parece ter dado certo. 

2 Baddies foge da quebra de ritmo que costumamos ver nos álbuns do grupo, em que batidões se misturam bruscamente com baladas e canções mais calmas. Aqui, existe uma dosagem maior na questão de transições de uma faixa para outra. Assim, as coisas vão desacelerando aos poucos, sem que haja uma mudança muito repentina na estrutura sonora composta por uma excelente paleta de sons que trazem nostalgia e um pouco de futurismo ao mesmo tempo. Na introdutória “Faster”, nos deparamos com uma linha de baixo situada em tons graves, compartilhando uma atmosfera melódica bastante pesada e apoiada por roncos de motores e batidas condensadoras.

A faixa-título, “2 Baddies”, dá ainda mais ênfase nos motores: ela é o ápice da ousadia programada pela produção. Com um pré-refrão comandando por Haechan, Jungwoo, Doyoung e Taeil, a música torna a espaçar positivamente o contraste de cada membro. “Encha o tanque / despeje aquela gasolina”, cantam eles. Na sequência, o som analógico de “Time Lapse” dá início a sessão de R&B do álbum, e diga-se de passagem: é o melhor que eles já fizeram até hoje. A elegância e a sofisticação, não impedem que certos componentes ousados obtenham espaço. Observe, por exemplo, tudo que é feito em “Crash Landing”, uma das melhores faixas do disco e uma das b-sides mais interessantes do grupo. Nela, vemos eles explorar o UK Drill a partir de uma consistente fusão de elementos noventistas, talvez, um exemplo perfeito do quão intrigante o trabalho deles é. 

Em outros momentos, “Designer” e “Playback” tornam a evidenciar o lado mais apaixonante e, por vezes, pouco conhecido do NCT 127. Por fim, “Tasty”, com uma boa localização na obra, serve para aumentar os ânimos antes que tudo acabe. E a escolha, justa e adequada, faz todo sentido dada a complexidade narrativa tomada pela canção. “Seus sonhos assustadores / São bastante tentadores, querida”, provocam eles entre ganchos pesados e uma atmosfera inebriante. Em poucos minutos, somos surpreendidos pela experiência provocada nas entrelinhas do inesperado: um projeto coeso, muito bem amarrado e que tende a ficar melhor todas as vezes que decidimos apreciá-lo.

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