Montero
2021 • POP/RAP/HIP-HOP• COLUMBIA
POR DAVI BITTENCOURT; 21 de SETEMBRO de 2021
7.7

Em 2019, surgia Lil Nas X com o viral “Old Town Road”, o qual bateu o recorde de Mariah Carey de música em #1 na Billboard Hot 100 por mais tempo, porém, após isso, muitos pensavam qual seria o próximo passo de Lamar Hill depois de um grande sucesso como esse ou se ele seria apenas um one-hit wonder. E parece que essa nova etapa na carreira do cantor é Montero, um disco que ele prova não ser apenas quem cantou a canção que ganhou fama pelo Tik Tok, mas sim, um dos nomes mais promissores entre os artistas que estão surgindo nesses últimos anos, o qual entrega um álbum de estreia extremamente esforçado e versátil.

Lamar Hill sempre curtiu misturar ritmos em suas músicas, o hit que o fez famoso tem um pouco deste aspecto. E aqui nota-se o quanto Lil Nas X quis experimentar estilos diferentes. Por exemplo, a faixa título, que tem elementos do flamenco, “Life After Salem” a qual é um intenso rock, e “Lost In The Citadel”, uma canção pop e punk, criando um álbum bem eclético.

O forte do álbum é sua produção, especialmente em “Industry Baby”, faixa produzida por Kanye West, que com suas habilidades como produtor consegue deixá-la rica em elementos,  porém com o predomínio de trompetes nela. “One Of Me”, a qual mistura o piano de Elton com batidas de trap, fazendo uma mistura que deu muito certo. E “Life After Salem”, uma música com vários elementos de rock nela, com sombrios riffs de guitarra e intensa bateria.

Ainda que tenha algumas composições medianas, as letras em geral são decentes. As que mais se destacam são “Sun Goes Down”, em que ele nos conta um pouco sobre as dificuldades que ele passou especialmente durante a adolescência sendo um homem negro e gay. O artista canta: “Always thinkin’: Why my lips so big? / Was I too dark? Can they sense my fears?”. E “Dead Right Now”, em que ele fala sobre pessoas que não se importavam com ele antes da fama, porém agora Lil Nas os trata como se estivessem mortos. Ele canta no refrão: “I’ll treat you like you dead right now / I’m on your head right now”, e ainda revela que sua relação com seus pais não era muito boa: “My momma told me that she love me, don’t believe her / When she get drunk, she hit me up, man”.

Porém há alguns problemas no álbum que fazem com que eu pense que o disco poderia ser melhor caso não os tivesse, como algumas faixas fracas. Por exemplo, a decepcionante parceria com Doja Cat, “Scoop”, em que há pouca coisa de interessante nela, pois é um trap genérico que qualquer artista do gênero poderia fazer, além de soar muito como uma versão piorada de “Juicy”, música da mesma artista que canta junto a Nas X. Por sua vez, “Void”, que embora tenha uma ótima letra, em que ele narra a história de alguém que tem de fugir e deixar a pessoa que ama: “Oh, blue, I roll for you / To say I’m gonna run away from home”. A produção, que é formada basicamente por um violão, violinos e uma bateria, acaba sendo monótona por não ter um crescimento muito bom. 

Entretanto, esses poucos problemas encontrados no disco não o faz ruim. Pois com tantos pontos positivos, Lil Nas X consegue fazer uma ótima estreia, que mostra uma evolução artística dele.