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Último Ano Adolescente

2023 •

Independente

7.0
MANSUR nos convida a explorar as complexidades do amor, das memórias e do destino.
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Último Ano Adolescente

2023 •

Independente

7.0
MANSUR nos convida a explorar as complexidades do amor, das memórias e do destino.
27/10/2023

Após quase dois anos desde seu primeiro lançamento, “Habitat”, de 2021, MANSUR lançou o seu tão aguardado álbum de estreia, Último Ano Adolescente. Este é um testemunho apaixonante que funde de maneira magistral a simplicidade de sua abordagem, sua voz suave e as harmonias meticulosamente entrelaçadas que refletem sua vida cotidiana incorporando elementos do R&B e dance music. O fato de MANSUR ter escrito e produzido o álbum por conta própria é uma faceta crucial a ser destacada, pois isso permite entrar mais profundamente em seu mundo artístico. Essa independência artística se reflete na autenticidade e singularidade do álbum: cada nota, cada verso, e cada arranjo são uma expressão genuína de sua visão criativa, revelando seu talento multifacetado como músico, compositor e produtor.

MANSUR em suas redes sociais descreveu seu álbum como pop, mas a influência do R&B na sonoridade de Último Ano Adolescente é inegável. Além disso, a bossa nova, conhecida por sua sofisticação, encontra um lar natural em suas composições. Sua abordagem delicada e envolvente se entrelaça com os ritmos e as melodias, criando uma atmosfera de calma e introspecção. É como se as praias do Rio de Janeiro se fundissem com os sons urbanos contemporâneos, resultando em um som que é tanto contemporâneo, quanto atemporal. Além disso, as influências do R&B acrescentam uma dimensão à sua música, como exemplo em “Wisdom Teeth”. O ritmo cativante e as batidas ocasionalmente presentes difundem uma energia pulsante em suas canções. Isso contrasta maravilhosamente com a tranquilidade, criando um equilíbrio harmonioso entre o passado e o presente, o calmo e o vibrante. 

O álbum inicia com “Último Ano Adolescente”, que explora a transição entre a juventude e a maturidade. A letra sugere a busca pela chave que desbloqueia as emoções e as dores guardadas. A reflexão sobre a ilusão de que a idade determina a identidade revela um processo constante de transformação, o simbolismo dos anos vividos enfatiza a fluidez da identidade evocando uma impressão de introspecção e autodescoberta, questionando as expectativas associadas a passagem para a vida adulta. Essa mesma sensação é encontrada em “16”, onde o artista reflete sobre como a passagem do tempo afetou a sua identidade – aqui ele percebe a perda do ritmo da juventude e a evolução de sua percepção, observando a sua inocência sendo diluída pelo vento. O lado positivo é que parece que ele reconhece a importância de não se culpar mais, aceitando o percurso da vida e suas experiências.

Em “Interrogação”, se nota a busca incessante por respostas e compreensão. Os versos mostram o enfrentamento de um turbilhão de questões sem respostas definitivas. Nessa, as mensagens enviadas não são apenas palavras, mas uma tentativa de clarear o horizonte sobre a realidade e isso revela uma oscilação entre confiança e insegurança, em que ele se sente alternadamente poderoso e vulnerável. O uso de frases e respostas incompletas “como frases que se tornam só pontuações / respostas escondidas entre tantas questões / eu escrevo e apago / mas ainda quero entender” reflete a complexidade da busca por significado. A canção encapsula a luta contínua para entender a própria vida, apesar das incertezas que a acompanham.

Um dos maiores destaques do álbum é “Quando a Festa Acaba”. É interessante a forma que MANSUR faz o ouvinte sentir parte da narrativa aqui construída. A música retrata a sensação de estar em uma festa, mas se sentir desconectado e deslocado, como se estivéssemos flutuando em cima da realidade. Os versos descrevem a euforia da festa, com pessoas olhando e comentando, mas, ao mesmo tempo, há uma sensação de vazio e ilusão. A música aborda a ideia de que o que é sentido e vivenciado na festa não nos pertence quando a celebração termina. O segundo destaque vai para “Saudade”, que, para além de mergulhar na nostalgia, também reflete sobre as complexidades da perda. A canção discorre sobre a dor de ver alguém querido partir, deixando um vazio e a incerteza sobre a sinceridade dos sentimentos. A palavra saudade ecoa como um lamento constante, em que mesmo se sentindo separado por quilômetros, ainda se sente conectado com a pessoa por memórias e emoções.

“Habitat” e “Taboo” pintam o retrato de intimidade e romance entre duas pessoas apaixonadas. Na primeira canção, nota-se como ela evoca uma atmosfera sensível, carregada de admiração e desejo e anseia para que sua paixão seja plenamente compreendida. Já na segunda, somos convidados a testemunhar a entrega de alguém amado ao “templo”, uma metáfora que sugere que o corpo é um local de entusiasmo e prazer, no qual o ser amado é convidado a explorar livremente. A ideia de seguir um caminho sem comunicar aos amigos reforça a ideia de algo secreto, e a palavra “hereges” destaca a atitude desafiadora do artista em relação às críticas, indicando que, juntos, eles podem encontrar um lugar onde o amor e a paixão sejam as únicas preocupações.

Em relação a “Palmistry,” a música destaca o destino entrelaçado, a tentação no relacionamento e a disposição de ambos em se envolver em um jogo de sedução. A metáfora de “ler a mão” e seguir as linhas sugere que o relacionamento deles está destinado a se desvendar, como estradas com placas que exibem o nome da pessoa amada, indicando que seus destinos estão irremediavelmente entrelaçados. “Bambi” é intensa e apaixonada que evoca uma sensação de liberdade, ela expressa uma surpreendente intensidade de sentimentos, fazendo com que o artista se sinta especial e único. Por fim, “Tempo Sympathy” é uma música que evoca a ansiedade e a preocupação em relação a um possível término. A repetição de “tempo sympathy” sugere um desejo de que o tempo seja generoso com o relacionamento. A letra reflete a hesitação de encarar a ideia de perder alguém, temendo que as lágrimas no futuro sejam mais dolorosas do que enfrentar a verdade no presente. 

A sua jornada musical começa com um álbum que revela a sua maturidade artística. Suas músicas capturam a essência das experiências de crescimento e transformação, oferecendo um olhar sobre os desafios e as alegrias que acompanham a transição da juventude para a vida adulta. Além disso, através da sua voz suave e letras que atraem o ouvinte, MANSUR nos convida a explorar as complexidades do amor, das memórias e do destino.

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