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Rush!

2023 •

Epic

2.4
RUSH! é a definição do que há de pior e mais desprezível no rock.
Maneskin - RUSH

Rush!

2023 •

Epic

2.4
RUSH! é a definição do que há de pior e mais desprezível no rock.
14/02/2023

“I’m no visionary”, declara Damiano David na primeira linha da primeira canção do último lançamento da banda liderada por ele, Måneskin. Começando o registro de forma arriscada e quase indulgente, confessando em primeira mão sua falta de criatividade e carência da vontade de inovar, David tenta portar-se como uma estrela do rock que brilha, transa, mas nem sempre usa drogas. Para seus fãs mais fiéis, que testemunharam sua ascensão radical nos últimos anos, essa persona é muito mais além do que uma alternativa para o imaginário mainstream que reforça uma longa e cansativa briga entre os dois maiores gêneros mundiais, o pop e rock, mas também funciona como um conto-de-fadas: de alguma forma, os admiradores da banda acreditam que os italianos captam todas as principais características do que um astro do rock e uma banda deve ser. Ironicamente, Måneskin adota alguns desses aspectos, mas apenas os piores. 

Ouvindo RUSH!, o tal último registro do grupo, as influências que vem na mente nem sempre são as melhores — ou, ouso dizer, são sempre as mais insensatas. Essas são canções que se portam como se tivessem olhado para os grandes nomes do rock clássico dos anos 1980, e para as vertentes do renascimento do gênero nos anos 1990 e 2000, mas dificilmente conseguem estabelecer um paralelo entre esses movimentos. Se você esperava ouvir forte influência de Nirvana ou Queen, você pode se contentar com Imagine Dragons, Maroon 5, Coldplay e, até mesmo, The Chainsmokers. Além disso, RUSH! parece direcionado unicamente para uma sátira, essa que nunca consegue ser afiada o suficiente e, muito menos, autoconsciente. No final, todo material tenta ser patético em ironia, mas é apenas patético. 

Na maioria das vezes, RUSH! é indigestível. Por quase uma hora, com 17 músicas, o registro orbita o mesmo instrumental, a mesma progressão de acorde, as mesmas harmonias e as mesmas composições tolas que se resumem em tentar sustentar o personagem da tríplice do esteriótipo: sexo, não-drogas e rock n’ roll. No entanto, RUSH! é a definição do que há de pior e mais desprezível no rock. Além de maçante, Måneskin atordoa com péssimas composições rasas e redundantes e interpretações, no mínimo, pavorosas. “BLA BLA BLA”, no caso, não é só a pior música do disco, como também da discografia deles, do ano e, talvez, da década. Para além da falha estrutural na noção de humor, tudo sobre essa música consegue ser irritante. Para exemplificar, sem precisar discorrer muito, leia esse trecho: “I hate your face but I like your mum’s / You play it smart but you look so dumb / Dumb dumb dumb dumb dumb dumb dumb / And ha-ha-ha-ha-ha-ha-ha”. Uma música nunca soou tão… bleh?

Por outro lado, quando as faixas de RUSH! são minimamente toleráveis, é por motivo de falta de originalidade — honestamente, um quase plágio. “OWN MY MIND”, por exemplo, abre o disco ecoando os vocais de Alex Turner — o que, na realidade, é o único ponto positivo da canção, visto que o restante dela acaba sendo ofensivo para toda carreira do Arctic Monkeys. Um pouco mais tarde, “FEEL” é um fácil paralelo com o trabalho da dupla The White Stripes, principalmente dos seus álbuns White Blood Cells, de 2001, e Elephant, de 2003, mas ainda assim capta apenas um pequeno fragmento de toda “energia rock n’ roll” que tanto o Måneskin, quanto os fãs da banda, acreditam que eles ressoam. Nesse sentido, ou o grupo soa absurdamente ridículo, ou como imitação barata que não chega aos pés das suas inspirações. 

No final, o pensamento que mantive durante essa quase uma hora foi: o que eles estavam pensando? Quando eles realmente acreditaram que criar uma versão humorística de Imagem Dragons seria uma boa ideia? Quando eles acreditaram que as cantorias em italiano seriam minimamente atraentes? Eles realmente acreditaram que suas músicas poderiam ser como clássico do opera rock? Falando nisso, o rock precisava mesmo voltar a ser tão sexualizado desse jeito? Tem muito pano para manga e responder todas essas perguntas seria mais do que pertinente… Mas eu não tive coragem de fazê-lo. 

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