Love For Sale
2021 • JAZZ • INTERSCOPE
POR DAVI BITTENCOURT; 07 de OUTUBRO de 2021
7.6

No começo do ano, Tony Bennett, conhecida lenda do Jazz, anunciou em uma entrevista para a revista AARP que havia sido diagnosticado com Alzheimer em 2016. “A vida é um presente, mesmo com Alzheimer”, disse ele em seu pronunciamento. Apesar de sua condição, o avanço da doença foi lento, permitindo que o cantor continuasse com sua carreira normalmente nos últimos anos. Contudo, agora, Bennett visa se aposentar devido ao estado avançado que se encontra. Para seu último álbum de estúdio, ele se junta com Lady Gaga, com quem já trabalhou anteriormente, lançando um belo e sofisticado álbum de Jazz com regravações de músicas de Cole Porter. 

Gaga e Tony são dois artistas de gerações e gêneros totalmente distintos, enquanto Gaga é uma cantora pop, Bennett canta Jazz. Mas ainda sendo cantores tão diferentes em relação ao seus estilos, os dois parecem ter uma química forte. Isso já foi mostrado em Cheek To Cheek, de 2014, o primeiro álbum colaborativo da dupla. No entanto, aqui, em Love For Sale, o sétimo álbum de Gaga e o sexagésimo primeiro de Bennett, ambos aprimoram essa fusão, dando destaque, principalmente, para as performances vocais. 

A produção do álbum é boa e elegante, apesar de não ser nada surpreendente. Contando com algumas músicas com elementos que conseguem dar um novo ar aos clássicos do Jazz. As faixas que mais se destacam nisso são “Love for Sale” e “I Concentrate on You”.

O álbum é bem linear, o que ajuda na coesão dele, mas causa uma experiência não tão agradável quanto poderia. Isso se dá pelo fato de algumas faixas soarem muito semelhantes entre si, o que, em certos momentos, deixa todo o projeto um pouco cansativo, o que causa um ponto negativo do disco. Mas pelo fato delas serem bem feitas e, com belos vocais, até mesmo as canções mais fracas, se tornam adoráveis.

A situação em que Tony está é bem triste, com uma terrível doença que infelizmente não tem cura. Mas ao menos, ele lança algo bom para seu último trabalho, em um disco longe de ser perfeito, mas que mostra um esforço da dupla de fazer algo especial antes da aposentadoria de Bennett.