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A Reckoning

2023 •

Independente

7.4
Kimbra embarca em uma jornada divertida e confusa.
kimbra (1)

A Reckoning

2023 •

Independente

7.4
Kimbra embarca em uma jornada divertida e confusa.
08/02/2023

Quando a Kimbra lançou seu último disco, Primal Heart, de 2018, ela foi recebida com muita estranheza pelo seu público, visto que metade gostaria que ela continuasse com o som do álbum anterior, The Golden Echo, de 2014, e a outra metade não gostou muito das inovações e direções do projeto. Porém, isso se repete com a cantora nesse novo lançamento. Depois de quase 5 anos, a artista retornou com o explosivo e dançante A Reckoning

O que difere esse disco dos anteriores, é como Kimbra se jogou em influências do momento. Existe muito do trap, do r&b, mas também implementa techno e electro-pop. Ela avança um pouco sem deixar de lado a sua identidade e o som pelo qual seus fãs a amam. Aqui, contudo, ela parece longe da menina de The Golden Echo e “Somebody That I Used To Know”, sua colaboração com Gotye. Na verdade, até parece que uma pessoa tomou conta do nome Kimbra e está fazendo um trabalho completamente distinto. Desde uma exploração maior — e bem utilizada — dos vocais, até uma facilidade de mostrar diversas facetas em uma canção, soa totalmente diferente de tudo que ela já fez. Isso é bom? Em alguns momentos, definitivamente. Em outros, escorrega bastante.

Não é sempre que o projeto é executado de boa maneira. Algumas canções soam longas demais, outras parecem preencher buracos, e existem algumas que começam bem, mas desandam por não te darem uma oportunidade de respirar — uma enxurrada de informações que não acaba. “GLT” e “la type” preenchem essas observações. Elas são grudadas na lista de canções do álbum, e ambas contém participações de rappers não tão conhecidos, como Tommy Raps e Erick the Architect. Kimbra soa extremamente caótica em alguns momentos, como se tivesse que alcançar as participações de alguma forma ou compensar pela falta de produção necessária em uma música desse tipo. Ambas as músicas soam cansativas e parecem infinitas, trazendo aquele sentimento de cansaço. Pode ser divertida ao vivo, mas, dentro de um cd, seria melhor se estivessem separadas por algo mais leve no meio, dando um fôlego para o ouvinte e uma fluidez maior para o disco. 

Todavia, é o projeto mais pessoal e sincero de Kimbra até então. Temos a chance de conhecer ela melhor durante o álbum, até mesmo nas músicas explosivas — o que acaba sendo um diferencial, fugindo do clichê de baladas emotivas. “replay!”, por exemplo, é uma canção extremamente enérgica que disseca a cabeça da artista. Já “save me”, abre o disco com um desejo simples: de ser amada e abraçada por alguém. Em “personal space” e “gun”, ela abre o jogo sobre relacionamentos bons e ruins, respectivamente. É interessante que a cantora escolha esse tipo de abordagem liricamente, pois seu conteúdo sempre foi mais divertido, relaxado. A ironia e a escrita pessoal estavam presentes, mas não de forma tão clara. Então, é interessante saber que ela fez algo novo nesse disco, mostrou um lado mais direto dela. 

Apesar de nem sempre valer a espera, é bom que as pessoas mudam e fazem coisas diferentes quando podem. Kimbra sempre foi e sempre será uma artista que causa estranheza pelas implementações diversas na produção e uma curiosidade também. Esse disco pode não ser o seu maior triunfo até agora, mas definitivamente é uma razão para continuar de olho no seu trabalho. É um retorno que traz uma nova pessoa, uma nova versão artística, mas que nos deixa sentindo falta de quem ficou para trás, de certa forma. Sendo assim, não resta nada além de esperar o próximo passo de Kimbra em direção a mais inovações.

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