Slut Pop
2022 • POP • REPUBLIC
POR MATHEUS JOSÉ; 16 de FEVEREIRO DE 2022
3.9

Ser um artista sazonal pode render muitas coisas positivas, como a garantia de relevância contínua durante um bom tempo em sua carreira. Entretanto, quebrar esse ciclo vicioso de ser conhecido apenas por lançar material ou alcançar um destaque notório em determinada época do ano, é algo extremamente difícil de ser feito. Kim Petras, por exemplo, passou muito tempo se apoiando no Halloween para lançar os seus maiores trabalhos. Eis que então, na tentativa de sair dessa margem que ela mesma abriu, sua carreira tem se tornado uma verdadeira bagunça.

Depois de muito tempo sem apresentar nada referente ao dia das bruxas, suas primeiras aparições foram marcadas por uma mudança estilística. Participando de eventos ou realizando performances em programas de auditório, tudo feito por ela parecia estar fugindo daquilo pelo qual a mesma sempre foi conhecida. Dessa forma, podemos notar que um novo caminho e uma nova proposta artística começaram a ganhar forma. Depois de TURN OFF THE LIGHT, lançado em 2020, Kim seguiu sua carreira apostando em singles soltos e projetos que, de certa forma, não tiveram relevância nenhuma. Querer mudar é um passo importante e necessário na vida de qualquer artista, principalmente daqueles que estão envolvidos com a música há muito tempo. Contudo, a forma em que essa renovação é provocada, pode, muitas vezes, não dar certo, como é o caso de Slut Pop, mais recente disco de Kim Petras.

Mergulhado nos anos 2000, o projeto é uma verdadeira coleção descartável de músicas sem propósito e extremamente mal executadas. Como se não bastasse o tom forçado de Kim em composições nas quais ela tenta passar uma imagem sexy sem compromisso, todas as faixas foram produzidas por Dr. Luke, um abusador acusado publicamente por diversos nomes da indústria da música. Mas o que a presença desse homem tem a ver com o quão ruim esse projeto é? Bem, essa questão pode tomar vários rumos, mas, em resumo, por conter letras que exprimem vulgaridade pura, a atmosfera verdadeiramente perversa que tudo se encaminha, infelizmente, acaba não funcionando, ainda mais se o ouvinte tiver um pouco de empatia com as vítimas do principal produtor envolvido na obra. Na música, assim como em qualquer campo da arte, separar as coisas é algo que realmente faz a diferença. Mas, querendo ou não, existe uma diferença gigantesca entre artistas polêmicos na mídia, e os que são acusados de cometer crimes. Nesse caso, é impossível fazer essa separação, ainda mais se formos considerar os fatores humanos dos quais estamos suscetíveis na hora de consumir e avaliar algo.

Quanto ao álbum e seus quesitos técnicos, infelizmente, não há nada a ser dito. Com 15 minutos de batidas pop que carecem de personalidade, as sete músicas ainda sofrem com letras constrangedoras e a ausência de algum elemento criativo no qual podemos encontrar quando o tema central é a depravação proposital. Construir versos e rimas com gírias e palavras adultas é algo que Kim Petras definitivamente não sabe fazer.