BAD LOVE
2021 • K-POP/POP • SM ENTERTAINMENT
POR MATHEUS JOSÉ; 14 de OUTUBRO de 2021
7.4

Em sua estreia como solista no disco FACE de 2018, Key havia dado início a um período de reinado absoluto no K-pop: naquele ano, ninguém se destacou como ele. Um dos principais motivos de todo esse sucesso está atrelado ao fato de que a maioria esmagadora dos artistas solos daquele momento buscavam optar pela clássica fórmula abastecida de R&B e baladas das quais trouxessem sentimentalismo e vocais aflorados — duas coisas que Key explorou perfeitamente sem precisar se apoiar no convencional. E dessa mesma forma, em 2021 ele surge pronto para se sobressair aos outros, porém, com o ritmo notoriamente reduzido.

Seguimos então para BAD LOVE, um mini-álbum recheado pelo que há de melhor na abordagem lírica e sonora levantada pelo artista em seus projetos. Na faixa título, ele canta: “Me sinto estranho, mas estou viciado em você / O melodrama avassalador / Eu te chamo de luz e escuridão”, como se tivesse total consciência de seu amor que, apesar de excitante, lhe renderia alguns efeitos futuramente, sendo eles positivos ou negativos. Já a música em si, é uma junção excelente de certos conceitos, sejam eles os musicais — ênfase na efervescência programada por ótimos sequenciadores —, ou estéticos, como pode ser visto no clipe que transborda referências ao universo de ficção científica com toques abstratos a moda Lady Gaga.

Na sequência, “Yellow Tape”, desponta com uma atmosfera para lá de peculiar, de modo como se o artista tivesse levando o ouvinte para um passeio noturno repleto de detalhes, o que pode ser observado nas sirenes de emergência que abrem a faixa, ou no barulho causado pela colisão de um veículo no final. Nesse momento, Key se prepara para um dos pontos mais interessantes do disco. Mas antes disso, “Hate that…”, canção em parceria com a talentosíssima Taeyeon do Girls’ Generation,chama atenção pela combinação perfeita entre os vocais aveludados da artista e o barítono de Key. Sem dúvidas, um dos melhores duetos do K-pop esse ano. Finalmente, como sugere no título e no verbete anterior, “Helium 헬륨”, se mostra o ponto alto de toda obra. Aqui, assumindo uma postura experimental e distante de tudo que já havia feito antes, Key canta de maneira desajustada e com a respiração ofegante. A letra toda composta em inglês parece funcionar perfeitamente para a proposta que o artista busca abordar nos três minutos e vinte segundos de pura imersão.

Quase no fim, “Saturday Night” e o clima descontraído acabam servindo como uma válvula de escape para toda narrativa construída até então, onde o amor é capaz de trazer diferentes sensações, desde dependência emocional até o sufoco sentido por quem não consegue se livrar dele. Os arranjos permeiam os anos 70 e 80, contribuindo perfeitamente para o sentido dançante e extremamente viciante que a faixa possui. Encerrando o disco, “Eighteen (End Of My World)” emociona e consegue transmitir paz, talvez, essa seja a canção mais bem encaixada no contexto da obra, sendo justa e adequada o tempo todo.

No geral, BAD LOVE é exatamente aquilo que se pode esperar de uma estrela destemida e pronta para causar as mais diversas impressões em quem procura se aprofundar nas suas convicções pessoais e artísticas. Contudo, o tempo curto do disco — exatos vinte minutos e doze segundos — é responsável por comprimir e limitar todo desenvolvimento buscado por Key, e por ser reconhecidamente um mini-álbum, esse fato é até que justificável, mas infelizmente, impossível de ser anulado.