SOUNDX

Blue Water Road

2022 •

Atlantic

7.7
Em seu álbum mais orgânico até então, Kehlani escreve uma carta de amor a si mesma e presenteia seu público com músicas confessionais e escapistas.
600x600bb

Blue Water Road

2022 •

Atlantic

7.7
Em seu álbum mais orgânico até então, Kehlani escreve uma carta de amor a si mesma e presenteia seu público com músicas confessionais e escapistas.
17/11/2022

Kehlani é um dos nomes mais contrastantes da atual geração de cantoras de R&B. Isso porque, diferentemente de SZA ou Summer Walker, que a cada lançamento se aproximam mais do mainstream, ela faz o caminho inverso, mergulhando gradativamente em uma introversão que parece ter atingido seu auge em Blue Water Road, registro que sucede o soturno It Was Good Until It Wasn’t. No entanto, mesmo que tenha pontos semelhantes com seu antecessor, o novo disco consegue ser muito mais etéreo e escapista do que qualquer outro projeto da artista, embora com algumas pequenas falhas no percurso. 

Se o começo da carreira de Kehlani se caracterizou por uma forte presença de sintetizadores, vocais potentes e um R&B tão radiofônico que frequentemente flertava com tendências da música pop, o terceiro álbum de estúdio da cantora vai de antemão a tudo isso. “Altar”, carro-chefe deste trabalho, é a grande prova disso. A música, que é um dos principais destaques, funciona como uma prévia de tudo o que será encontrado ao longo de 13 canções: vocais limpos, uma sonoridade mais orgânica e composições que exalam romantismo e liberdade. 

O projeto, como um todo, é bastante linear, mas há momentos que fogem um pouco da produção minimalista aqui presente, o que trouxe nuances para essa atmosfera. É o caso de “Wish I Never”, cujo instrumental é um dos mais interessantes de toda a sua discografia, com uma bateria bem marcada que se difere da calmaria trazida pelos acordes das outras faixas. Já “More Than I Should” se destaca por lembrar alguns trabalhos anteriores de Kehlani. 

Blue Water Road peca, entretanto, em às vezes soar redundante. Embora seja um projeto curto, músicas como “Get Me Started” — tediosa parceria com Syd —, e “Tangerine” prejudicam o caminhar do disco, que se torna menos ágil do que deveria em apenas 37 minutos de duração. Além disso, certas participações em nada acrescentam à obra. Justin Bieber, que divide os vocais na despretensiosa “Up At Night”, não faz tanta diferença ali. A presença do astro canadense faz sentido por se tratar da faixa mais pop do álbum, porém sua apatia deixa a canção menos charmosa do que poderia ser. 

Ainda que com pedras no caminho, a jornada de Kehlani termina da melhor maneira possível. “Everything” e “Wondering/Wandering”, as duas últimas músicas do disco, dão um toque de sensibilidade a mais para este último bloco. A sensação final é que a cantora experimentou o amor em abundância, não por alguém, mas por ela mesma. Blue Water Road é uma experiência doce, relaxante e sonoramente arriscada. É um passo inesperado na carreira da artista e que pode ser a porta de entrada para futuros novos universos. 

Esse e qualquer outro texto publicado em nosso site tem os direitos autorais reservados. 

FIQUE ATUALIZADO COM NOSSAS PUBLICAções

Assine nossa newsletter e receba nossas novas publicações em seu e-mail.

MAIS DE

plugins premium WordPress