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Why Does The Earth Give Us People To Love?

2023 •

September

8.8
Em Why Does The Earth Give Us People To Love, se é revelada uma maravilhosa descoberta: Kara Jackson.
Kara Jackson Why Does The Earth Give Us People To Love

Why Does The Earth Give Us People To Love?

2023 •

September

8.8
Em Why Does The Earth Give Us People To Love, se é revelada uma maravilhosa descoberta: Kara Jackson.
09/06/2023

Foi por entre criações de perguntas e a busca por suas respectivas respostas, que Kara Jackson fez o seu primeiro álbum. A compositora estadunidense se indagou sobre diversas questões, partindo desde o quão absurdas podem ser as ações de alguém desesperado por fama e reconhecimento (como na primeira faixa do disco, “recognized”) até as reais razões pelas quais os caras com que se relaciona sempre acabam largando as suas mãos (como em “no fun/party” e “pawnshop”). Vindo a descobrir a razão por trás de toda essa confusão durante o decorrer da obra — como em uma jornada por autoconhecimento e crescimento pessoal.

Logo após a introdutória “recognized”, “no fun/party” é trazida à mesa. Primeiro single da era Why Does The Earth Give Us People To Love?, a faixa possui uma produção bastante calma e serena — que constrói um soundscape confortável e muito detalhada, com a utilização de várias camadas de arranjos de violão — e uma letra de mensagem forte, direta e certeira. Nesta canção, Kara canta sobre a decepção que sente por sempre acabar sentindo o peso da culpa repousar unicamente sobre as suas costas pelo mau caminhamento de um relacionamento amoroso dela com um cara: “When searching for a reason, he could only find one / He said “You’re just no fun, you’re just no fun””. Ao que, prontamente, responde (dando a entender que o culpado pela situação na qual ambos se encontram amorosamente seria ele) com o verso: “And if seeing you naked wasn’t such a bargain / It would be a home run, it would be a home run”. Fazendo, dessa forma, uma crítica incisiva e ótima ao machismo e ao sexismo, o qual de forma tão agravante afeta a nossa sociedade atualmente, se intrometendo e causando problemas nas vidas das pessoas — gerando diversas inseguranças nas mulheres e deleitando o ego dos homens com uma falsa ilusão de superioridade e os fazendo afogar na própria estupidez — e também trazendo uma importante mensagem de auto aceitação e de valorização das jovens mulheres pretas no amor.

De forma emocionante, Kara dá continuidade a narrativa criada no passado e reiterar as mensagens que trouxe sobre autoestima e empoderamento feminino com as incríveis “dickhead blues”, “therapy” e “pawnshop”. Na primeira referida, respectivamente, a cantora já começa de forma icônica com a letra “Damn, the dickhead blues”. Cutucando, sem pena, a masculinidade frágil dos homens até estilhaçar em diversos cacos de vidro. E, ainda por cima, reafirmando para si mesma o quão incrível ela é no refrão “I’m not as worthless as I once thought / I am pretty top-notch”. Na segunda, Jackson continua cuspindo seu veneno no macho escroto, debochando da sua decisão de ir fazer terapia logo após ter destruído a poeta mentalmente: “He wants me / He wants therapy / Therapy”. E na terceira (e última), “pawnshop”, a jovem fala sobre a insatisfação de ser diminuída a apenas um “troféu”, de modo bastante inteligente, utilizando de metáforas muito boas: “You picked me in a pawnshop / I was used but good as new / Shiny as a tattoo / But permanent as party balloons”. Porém, acompanhada, dessa vez, de uma produção mais grandiosa e ambiciosa, que mistura elementos de country e folk com a genialidade da contemporaneidade e cria uma linda e única experiência musical. Porém, após ouvir todas estas faixas, é chegada a hora de desferir o “golpe final”, e “free” finalmente é posta para tocar — a melhor e mais encantadora música de Why Does The Earth Give Us People To Love?.

Nessa canção, Kara toma para si todo o tempo necessário para comunicar tudo o que quer, sem se preocupar em deixar a experiência fácil de se ouvir para o público. A canção, portanto, prossegue por longos sete minutos de duração — mas que passam como se fossem apenas dois a três minutos. A produção da faixa trás um soundscape magnífico e majestoso. Seus produtores (KAINA, NNAMDÏ e Sen Morimoto) fazem um trabalho impecável sonoramente e criam uma experiência extremamente épica e etérea, dando, assim, espaço e tempo para que senhorita Jackson terminasse de vez o seu relacionamento e seguisse em frente.

“When you’re good and free
Don’t you bother me
When I’ve cleaned my sheets
Don’t come calling to see
I’m not so motherly
I won’t kiss your cheek
I’m sure you’re someone’s baby
But it ain’t me
No, it ain’t me”

E, assim, dá a oportunidade para que Kara possa dissertar sobre outros assuntos antes que álbum chegasse ao seu fim, como: sobre homenagear um lindo amor, em “lily”; retomar a fatídica pergunta que dera nome ao álbum, e lamentar sobre o quão tudo é efêmero e melancólico, na faixa-título; a corrida insana da vida, na qual as pessoas tentam de tudo para conseguir serem lembradas, em “curtains” e no reprise de “recognized”; até, finalmente, chegar e acabar a canção “liquor”.

Terminada de ouvir o primeiro álbum de Kara Jackson, percebemos, logo em seguida, a magnitude daquilo tudo. O quão incrível e fenomenal a jovem é enquanto cantora e, principalmente, compositora, e o brilhante futuro que ela tem no mundo da música. A forma como ela compõe é única. Transmite as mais incomunicáveis emoções e pensamentos de forma clara, direta e muito bonita. E é triste saber que, talvez, ainda demore muito para que consiga o devido reconhecimento que merece. Entretanto, também é feliz e animador ter em mente que, por mais que demore, um dia vai chegar — porque o talento estonteante dessa garota não conseguirá se manter em segredo por tanto tempo.

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