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Red Moon In Venus

2023 •

Geffen Records

8.3
Red Moon In Venus, além de percorrer com excelência pelas emocões e vivências amorosas de Kali, proporciona ao ouvinte uma experiência sonoramente apaixonante.
kali uchis

Red Moon In Venus

2023 •

Geffen Records

8.3
Red Moon In Venus, além de percorrer com excelência pelas emocões e vivências amorosas de Kali, proporciona ao ouvinte uma experiência sonoramente apaixonante.
09/03/2023

Um eclipse lunar ocorre quando a lua é ocultada pela sombra da terra. Já a superlua acontece quando o astro, em seu estado cheio, se encontra em seu perigeu, ponto de maior proximidade com a terra. A ocorrência desses dois fenômenos simultaneamente resulta na lua de sangue, na qual, é criada uma bela imagem de uma lua avermelhada. Entretanto, para pessoas que têm um maior conhecimento em astrologia isso vai além de apenas um evento natural adorável de se observar: muitos acreditam que isso causa emoções intensas. No caso de uma lua vermelha em Vênus, por estar no planeta que representa o amor, os sentimentos em relação à toda área afetiva ficam extremamente fortes.

É disso que surge o terceiro álbum de estúdio de Kali Uchis, Red Moon In Venus: das emoções intensas da lua vermelha no campo amoroso. O amor é uma temática que esteve presente diversas vezes na discografia da cantora. Em seu disco anterior, Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios) ∞, por exemplo, do início ao fim esse era o assunto tratado. Agora, a colombiana-americana mantém a abordagem desse tema e ela consegue, novamente, fazer isso de maneira excelente por meio de letras que reforçam o quão habilidosa ela é para elaborar composições, as quais, além de bem escritas, são extremamente apaixonantes e adoráveis. Além disso, não apenas liricamente Red Moon In Venus é encantador ao ouvinte: seu som é bastante lustroso. O neo-soul sofisticado do álbum junto aos vocais doces e que facilmente encantam o ouvinte de Kali Uchis tornam escutar o projeto uma experiência sonoramente fantástica.

Desde os momentos iniciais, Red Moon In Venus já mostra-se fascinante com “In My Garden…”, uma curta, mas amável introdução, na qual, Kali introduz excelentemente a temática do álbum: “I just wanted to tell you, in case you forgot (Ooh) / I love you”, ao passo que, belos sons de pássaros e o piano ao fundo dão à faixa uma atmosfera apaixonante. A seguir, com “I Wish You Roses”, o disco entrega algo ainda mais encantador. Seus sintetizadores e baixos psicodélicos soam extremamente deslumbrantes, enquanto que, em sua composição, Uchis fala, em adoráveis letras, sobre terminar com alguém de forma a desejar o melhor para a pessoa com quem está a se separar. “Ooh, never thought I would be without you / I wish you love, I wish you well / I wish you roses while you can still smell ’em”, ela canta.

Nesse sentido, “Worth The Wait” destaca-se por ser um dos melhores momentos em termos líricos do projeto. Ao longo da canção, Kali fala sobre balancear os momentos sexuais e românticos de um relacionamento de forma bastante intrigante. No primeiro verso, Uchis mostra sua vontade de fazer sexo com seu parceiro. “Baby, take off my clothes / ‘Cause I got somethin’ to show ya”, ela fala. Já, no segundo, ela fala que, por mais que o ato sexual seja bom, é necessário equilibrar isso com o romance em “Most people don’t know how to love, that’s why they’re empty”, e, além disso, nessa mesma parte da faixa, em algumas das melhores linhas do disco, ela expõe sua preocupação com a maternidade, dizendo que não quer virar mãe caso não tenha certeza que seu marido será dedicado à paternidade e à relação com ela. “Quit tellin’ me you wanna put a baby in me / If your affection for me’s truly only skin-deep / I don’t wanna end up just another broken family”, a colombiana canta. 

Em seguida, vem “Love Between…”, que torna-se fantástica, especialmente, pela performance vocal da artista. A maneira a qual ela canta, principalmente, durante o refrão e na ponte é extremamente encantadora e graciosa. Ademais, outro fator a ser destacado é sua produção sofisticada. “Fantasy”, por mais que não seja tão surpreendente quanto os momentos anteriores, consegue ser cativante graças às suas melodias envolventes e, além disso, é interessante a forma como a canção consegue explorar a sensualidade em sua composição: “On my body, don’t let go of me (Ooh-ooh-ooh, ooh) / I just want the fantasy (Hah-hah), I love it when you worship me”. “Como Te Quiero Yo”, por sua vez, mostra-se primorosa em diversos quesitos. A forma a qual foi produzida soa fascinante pelas excelentes escolhas feitas de modo a dar à canção uma excelente sofisticação, enquanto a voz da cantora soa doce e amável. Em sua letra, ela fala que o amor não é perfeito mas é isso que o faz especial: “‘Cause we got issues, everyone does / Si no hay drama no hay amor”,) e que ela não está se importando neste momento com os problemas da relação pois apenas quer seu parceiro na cama com ela: “Ya no quiero más problemas / Te quiero en la cama y sin más complicación”. 

Pouco depois, com “Endlessly”, vem um dos melhores momentos do registro. A faixa faz uma exploração fantástica da música disco ao conseguir, com sua produção, trazer algo cativante com a utilização dos elementos do gênero. Os sintetizadores oitentistas da canção soam fenomenais, suas guitarras elétricas são deliciosas e sua linha de baixo é tentadora. A música seguinte também é um grande destaque. “Moral Conscience”, além de fascinar o ouvinte pela ótima sonoridade psicodélica, também surpreende por sua composição — uma das melhores de todo o álbum. Em seus primeiros momentos, Kali faz uma excelente reflexão sobre seu relacionamento passado e como ela pensa que essa relação em que ela se envolveu havia ligação com sua infância, na qual ela não recebera amor paterno, e queria procurar receber esse afeto ausente naquela parte de sua vida com algum parceiro amoroso. “I guess I was just lookin’ for the love no one’s showed me in my childhood”, canta a cantora de “Telepatia”. Entretanto, ela para de se culpar por isso e percebe que o problema no namoro estava em seu ex-namorado e, então, começa a dizer ser única e insubstituível:”Yeah, everyone’s replaceable / But not me, though”, e, ainda, falar que o karma irá vir para seu antigo namorado:”I hope you know when karma comes ’round / Knockin’ down on your door”.

Igualmente à “Moral Conscience”, “Blue” soa encantadora em diversos quesitos. A forma como foi produzida é impecável, pois, é fascinante como tudo feito nesse sentido — em especial, com relação ao uso do saxofone — consegue trazer uma grande sofisticação à faixa. Além disso, os vocais de Kali aqui destacam-se como alguns dos melhores do álbum. A voz da artista soa tão carregada de elegância quanto a produção instrumental. Ademais, este é um dos momentos mais adoráveis liricamente do disco. Nessa faixa, por meio de belas letras, ela mostra seus sentimentos com um fim de um relacionamento e como sente falta de seu parceiro. “Yeah, there’s no point of much anything in the world if I don’t have you”, canta ela demonstrando que em nada há sentido na sua vida sem a presença dele. “Deserve Me”, ao contrário da música anterior, uma das mais excepcionais de Red Moon In Venus, pouco ganha destaque no registro. Sinto que ela marca uma fuga do tom apresentado no restante do projeto, o que causa uma certa quebra de ritmo e, fora isso, a participação de Summer Walker nela é decepcionante, já que ela não traz nada de interessante à canção. No entanto, ela ainda conta com suas qualidades: em termos líricos ela é ótima, enquanto que, em “Blue”, Uchis estava triste pelo término, agora, a cantora está tentando superar esse relacionamento, cantando no refrão repetidas vezes “don’t deserve me” como uma forma de mantra para tentar esquecer seu ex-namorado e seguir sua vida.

Por fim, “Moonlight” destaca-se pela fenomenal sensualidade entregue, não apenas em sua composição, como também em sua performance vocal e instrumentalização. À medida que, “Happy Now” finaliza de maneira ótima o álbum. Em uma canção sonoramente alegre e radiante, Kali mostra sua vontade de fazer as pazes com seu ex-namorado e seguirem suas vidas felizes: “Can we be happy now?”, pergunta a artista no refrão da faixa. No geral, Red Moon In Venus é um formidável projeto, o qual, além de percorrer com excelência pelas emoções e vivências amorosas de Kali, proporciona ao ouvinte uma experiência sonoramente apaixonante. 

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