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Rover

2022 •

SM Entertainment

8.0
Rover vai do reggaeton ao R&B e completa com êxito, até então, a passagem de KAI pelo terreno da música solo no k-pop — ele é sensacional.
kai (1)

Rover

2022 •

SM Entertainment

8.0
Rover vai do reggaeton ao R&B e completa com êxito, até então, a passagem de KAI pelo terreno da música solo no k-pop — ele é sensacional.
15/03/2023

Em sua estreia como solista, no autointitulado disco de 2020, KAI buscou se aprofundar em uma abordagem musical que refletisse o seu interesse pessoal por ritmos energizantes e visuais noturnos. Ele não precisou de muito para criar ali um trabalho que hoje pode ser visto, dentro dos parâmetros devidos, como algo insuperável. Do viral sustentado pela excelente “Mmmh”, até a criação artística de b-sides, como “Nothing On Me” e o já característico R&B do artista, o seu primeiro lançamento é um exemplo de aptidão no k-pop.

Como que o integrante de um grupo repleto de talentos consegue se destacar perfeitamente entre todos? Seria bobo traçar essa rivalidade, mas KAI saltou aos olhos por justamente saber, como ninguém, programar as suas escolhas. Se a sua estreia é um exemplo de aptidão, isso se deve ao fato dele escolher muito bem o que fazer naquele momento. Essa escolha assertiva da parte dele tornou a criar uma expectativa enorme para os seus futuros projetos, bem como muni-lo de uma identidade rara. Jongin é um exímio dançarino, e óbvio que isso o torna ainda mais atraente no campo dos solistas.

Todos esses fatores, alinhados ou não com os diferentes caminhos trilhados por ele, foram essenciais para que Rover, terceiro disco dele, se tornasse um dos mais brilhantes da sua — recente e promissora — carreira. Prestes a cumprir o alistamento militar obrigatório e passar quase dois anos fora dos palcos, KAI sabe da responsabilidade de fazer deste momento um importante passo da sua discografia. Se Peaches, lançado em 2021, repousou a imagem dele em uma cama de trigo delicada e etérea, agora, é a hora de extravasar e não poupar esforços para contemplar os excessos.

A faixa-título “Rover” é justamente isso. Fruto de um remake, “Mr. Rover”, da artista búlgara DARA, a música é composta por um baixo em tom grave e linhas rítmicas de um 808 que se repete a todo instante. Ao passo que se desenvolve, a marimba e outros elementos que se mostram condensados com os vocais de KAI, surgem para acrescentar ritmo à música que, por sua vez, encontra um instinto narrativo importante na liberdade. “Eu ando como eu quero”, canta ele, “Coloque do avesso os pensamentos que te prendem”, continua. Na sequência, “Black Mirror”, se apoia no hip-hop com ganchos eletrônicos para descrever como as pessoas andam presas nos conteúdos, às vezes dispensáveis, das redes sociais. O retorno da bateria 808 aqui, se fantasia de gritos e ruídos no fundo. É uma das peças mais instigantes do projeto.

Enquanto isso, “Slidin'” parte rumo ao R&B com vocalização inspirada no soul para tecer uma atmosfera suave. Diferente de “Bomba”, onde a sensualidade encontra espaços entre amarras do reggaeton para criar uma canção puramente contagiante. Exercendo um papel parecido com “ANTIFRAGILE”, do LE SSERAFIM, a faixa acaba tendo um aproveitamento superior devido ao seu contexto. É o ponto alto de Rover. “Say You Love Me” retorna ao R&B de 2020 que KAI explorou em sua estreia e soa como se fosse um par de “Amnesia”. É apaixonante e contém, entre todas, a melhor performance vocal dele. Por fim, “Sinner”, o pop estilístico acompanhado por um sintetizador ambiente e um piano quase sombrio, torna a expressar uma dualidade da figura de KAI. Se encaixa, sem contraste, com as outras composições. Aqui, porém, ele é mais objetivo: “Eu sou um pecador, me puna”. 

Rover, no âmbito de uma paixão que se revela por meio de ganchos saltitantes ou de melodias contidas pelo R&B, é aquilo que se espera do nome que deu vida a excelentes conceitos em diferentes passagens pelo k-pop. KAI é um solista admirável, não só pelo seu talento, mas como citado anteriormente, pelas suas escolhas. Este disco, embora programado para ser o que é, não seria efetivamente um ganho e tanto se não fosse pela presença do artista envolvido nele. 

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