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Brasileiras Canções

2021 •

Biscoito Fino

8.2
O 42° álbum lançado por Joyce Moreno é exatamente aquilo que podemos esperar vindo dela: poesia e asseveração musical.
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Brasileiras Canções

2021 •

Biscoito Fino

8.2
O 42° álbum lançado por Joyce Moreno é exatamente aquilo que podemos esperar vindo dela: poesia e asseveração musical.
18/08/2022

“A morte é uma invenção de quem pensou viver”, afirma Joyce Moreno em uma das faixas presentes no seu novo álbum, Brasileiras Canções. Conhecida como a filha da bossa nova, Joyce sempre esteve aliada ao lirismo poético de canções embaladas pela sua insurgente capacidade criativa. Fazendo música desde 1964, ano que data o golpe de Estado que deu início à ditadura militar, tudo o que foi feito pela artista pode ser interpretado como um registro atemporal das mudanças que ela vivenciou ao longo das décadas. Assim, seu novo projeto, recheado de composições inéditas feitas durante a pandemia, é justamente aquilo que podemos esperar vindo dela: poesia e asseveração musical. 

Brasileiras Canções não possui um objetivo único. Trazendo vários direcionamentos líricos em 12 faixas, o álbum discorre sobre dúzias de temáticas fundidas em pouco mais de 39 minutos de duração. Definida por um vocal que parece não descansar, Joyce mantém o seu límpido talento para cantar. E, talvez, o grande potencial da cantora esteja em de fato transmitir ao ouvinte, de maneira referente ao que fazia no passado, algumas de suas aspirações mais importantes. 

Para quem ainda queira se surpreender, logo de início, vemos como os arranjos tradicionais da bossa nova se debruçam em reformulações modernas e, por vezes, distantes do pragmatismo datado que se tornou comum no decorrer dos anos. Esse poder de trazer para si o gênero que foi motivo de maior orgulho para a MPB, é algo que virou marca registrada de Joyce Moreno, que aqui, explora a valsa, o choro e o samba ao mesmo passo que canta com vigor. Assim, ela faz surgir a sua própria identidade, coisa que podemos observar em “Brasileiras Canções”, título responsável por carregar toda a essência do disco. Da mesma forma acontece na parceria com Mônica Salmaso em “Tantas Vidas”, uma saudação de empoderamento feminino sutil e requintada, um diferencial que consegue perdurar nas obras de Moreno. Aliás, o tempo parece só ter feito bem a ela. A artista nunca esteve tão afiada e livre para tratar de seus interesses próprios. Embora fizesse isso antigamente, hoje, com a modernidade, é mais fácil para todos absorver questões com as quais ela se esforça em retratar fielmente. 

Além disso, Joyce não se desvincula da escrita inteligente, principal meio usado por ela para dar sentido a composições que transitam em diferentes direções. “A Palavra Exata”, “Nas Voltas do Tempo” e “Paris e Eu”, são peças centrais no jogo de palavras que acrescentam sentido ao ritmo e às melodias tomadas pelo aprofundamento zeloso que ela busca acrescentar em suas produções. “Quem Nunca”, dueto com Alfredo del Penho, é o grande destaque do álbum. Nela, os dois cantores parecem fazer um ping-pong divertido e extremamente pontual de pontos de vista diferentes, mas que se completam o tempo todo. Esse alto astral, apesar de tudo, é o que torna Brasileiras Canções ainda mais rico. 

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