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SMITHEREENS

2022 •

Warner

6.2
Apesar de ter alguns pontos altos, Smithereens mais parece uma reiteração preguiçosa na carreira de Joji do que uma evolução.
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SMITHEREENS

2022 •

Warner

6.2
Apesar de ter alguns pontos altos, Smithereens mais parece uma reiteração preguiçosa na carreira de Joji do que uma evolução.
08/11/2022

Se você quiser acompanhar a carreira musical de Joji, nome artístico de George Miller, já pode se preparar para uma jornada frustrante. Mesmo que em seus incríveis singles Joji tenha sempre mostrado um enorme potencial, para cada um deles que eram lançados, outras três músicas dispensáveis e sem vida eram adicionadas no corte final do álbum, jogando todo esse potencial no lixo e fazendo seus dois últimos LPs, Ballads 1 e Nectar, se tornarem experiências bem inconsistentes, que, apesar de terem alguns pontos altos no seu decorrer, quase nada chegava perto de se comparar com os singles.

Aqui em seu terceiro álbum de estúdio, SMITHEREENS, o single da vez é “Glimpse of Us”, o primeiro lançado para o LP e também uma das melhores composições da carreira de Joji. Cantando sobre tentar encontrar o amor que você sentia por um parceiro antigo em uma nova pessoa, e acompanhado de um arranjo de piano bem básico, mas ainda assim muito tocante, o cantor cria o perfeito exemplo de uma canção simples, porém extremamente cativante, mais uma vez mostrando o potencial que ele tem para dar e vender.

Mas, infelizmente, em SMITHEREENS, Joji passa longe de quebrar sua tradição de criar um álbum que não tem muito o que oferecer além dos singles. Nesse projeto, que tem apenas 24 minutos de duração, nós vemos o artista, muitas vezes, se perder na linha tênue entre a simplicidade e a pura preguiça. Dito e feito, “Feeling Like The End”, a faixa mais curta de todas, tendo só 1 minuto e 24 segundos, parece ser uma demo incompleta — o primeiro de vários momentos nesse LP onde Joji parece estar cumprindo alguma obrigação contratual e nada mais. Nesta, pode-se ver o clima tradicional de qualquer outra composição do artista, mas a clara falta de vontade de criar algo que vá além do mínimo aceitável incomoda demais e deixa um gosto bem amargo na boca.

As coisas melhoram um pouco em “Die For You”, uma linda balada onde Joji fala sobre um relacionamento mal-acabado com alguém e não conseguir viver direito sem o afeto dessa pessoa. A música chega em um pico grandioso na sua parte final com Joji cantando o refrão acompanhado de vários sintetizadores e harmonias vocais que criam um dos momentos mais bonitos daqui.

Porém, logo após essa faixa, somos lembrados de que estamos ouvindo o projeto mais inconsistente da carreira de Joji com “Before The Day Is Over”, outra balada que não chega nem perto de ser tão cativante como “Glimpse Of Us” ou “Die For You”. Contendo um ritmo bem lento e um instrumental que não vai para lugar nenhum, é um momento em que, mais uma vez, temos algo completamente dispensável: Joji não apresenta nada de interessante, nada que ele já não tenha feito antes de uma maneira melhor, coisa que, na verdade, pode ser dita sobre a maioria dessas canções.

“Dissolve” é a faixa que encerra o primeiro disco, nela, Joji tenta fazer uma balada acústica com um violão tomando grande parte do instrumental. A música lembra um pouco “Stay”, de Post Malone, e tem um desenvolvimento razoável. Não é nada super inovador e surpreendente, mas é certamente uma mudança de ritmo mais que necessária no LP, o que faz valer notar que mal se passaram 12 minutos de álbum e, nesse espaço de tempo extremamente pequeno, Joji, de alguma maneira, cria uma necessidade enorme de mudança. Em apenas 12 minutos, o que é apresentado em SMITHEREENS se torna maçante e repetitivo. 

O segundo — que é muito pior que o primeiro — disco começa com “NIGHT RIDER”, em que Joji está descaradamente copiando o artista de “Cloud Rap”, Bladee, porém só suas piores características. Apesar do refrão atraente, temos aqui novamente um exemplo de algo repetitivo, feito sem carinho e às pressas que mais parece uma demo incompleta do que uma canção totalmente desenvolvida. Somando tudo isso aos vocais no fundo, repetindo a frase “I’m too precious” de um jeito tão bobo que chega a ser engraçado, a impressão passada é que Joji está fazendo o seu máximo para criar uma música impossível de ser levada a sério, coisa que aqui ele realiza com maestria. Complementando a falta de originalidade, nós temos “BLAHBLAHBLAH DEMO”, que tem um instrumental praticamente idêntico ao de “Bitter Fuck”, do EP In Tongues, de 2017. Mesmo contendo uma melodia que gruda um pouco na cabeça, é outra música tediosa, com mais uma mudança de beat que nada acrescenta na faixa.

“YUKON (INTERLUDE)”, escolhida por Joji para ser o segundo single do álbum, é uma canção bem estranha que destaca a progressão igualmente estranha de SMITHEREENS: de um lado temos faixas que são curtas demais para serem músicas completas e longas demais para serem consideradas interlúdios, e do outro temos essa faixa com “interlúdio” no nome, mas que soa muito mais desenvolvida que quase tudo apresentado até o momento. De todos LPs já lançados por Joji, esse é facilmente o que tem a pior progressão, o projeto flui pessimamente e sem estrutura alguma, as músicas são todas desconexas fazendo com que ouvir o álbum todo seja uma experiência igualmente desconexa.

SMITHEREENS encerra com “1AM FREESTYLE” e os problemas nesta faixa começam logo no título, afinal é bem estranho ver uma música com “Freestyle” no nome ter nove escritores creditados, e dando uma lida nas letras, é impossível não se perguntar onde exatamente está a contribuição dessas nove pessoas, pois, liricamente, Joji não é apresentado nada de novo além da mesma mensagem melancólica que todas as outras composições nesse projeto já apresentam: sentir falta de alguém e não querer estar sozinho. E sinceramente, nenhuma canção aqui justifica os três ou quatro escritores que são creditados nelas, quando o assunto é letras, SMITHEREENS extremamente básico com apenas um ou outro destaque.

Em conclusão, é seguro dizer que na música, e na arte de uma maneira geral, poucas pessoas conseguem criar algo que seja simples, porém interessante ou cativante. Em SMITHEREENS, Joji, novamente, mostra que ele não é uma dessas pessoas. Compondo canções que na sua maior parte contém só o mínimo do que é aceitável para que a junção delas possa ser chamada de álbum, ele acaba criando um projeto em que apenas três ou quatro faixas deveriam ter sido resgatadas para fazer um bom EP, e o resto deveria ser esquecido no mar de falta de vontade que cerca esse álbum.

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