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SUPER

2023 •

Universal Music

2.6
Com SUPER, Jão põe um fim a sua tetralogia e também a quaisquer esperança de que o mesmo vá lançar um álbum bom algum dia.
Jão - SUPER

SUPER

2023 •

Universal Music

2.6
Com SUPER, Jão põe um fim a sua tetralogia e também a quaisquer esperança de que o mesmo vá lançar um álbum bom algum dia.
16/08/2023

 Há mais ou menos uma semana atrás, aleatoriamente, foi notificado para todos o nascimento de mais um gigante na música pop mainstream do Brasil, SUPER, de Jão. Quarto álbum de estúdio do cantor paulistano e o último de sua tetralogia, o disco marca um momento muito importante para a carreira do artista, pois, de acordo com o mesmo, tal lançamento se trata do fim de sua busca em representar as emoções e os conflitos vividos por ele quando tinha por volta de 20 anos de idade. Pelo o que se pôde entender da carta divulgada pelo compositor em seu Instagram, o rapaz quis criar um espaço confortável para jovens tão inseguros e imaturos quanto ele fora em sua juventude. Se ele conseguiu realizar esse desejo ou não, não cabe a nós questionar. Afinal, música é algo completamente subjetivo. Cada um adquire uma experiência diferente conforme as próprias vivências e ideologias. No meu caso, por exemplo, seus grandes esforços em trazer tal representatividade foram completamente desperdiçados com a criação de músicas envergonhantes, cuja única impressão adquirida é de que só sabem girar e girar em torno das mesmas ideias e do mesmo tema, num ciclo interminável e angustiante.

 O que tornou o SUPER um lançamento tão decepcionante e doloroso de se acompanhar foi ver todas as minhas expectativas caírem violentamente no chão. Observar toda a esperança remanescente em mim de que o Jão finalmente iria entregar um álbum genuinamente bom ser quebrada, como um vaso estilhaçado, e ter que catar os vidros pela casa. Ao invés de progredir mais a sonoridade pop de seu álbum passado, o PIRATA, e procurar amarrar todas as pontas soltas, o cantor simplesmente pôs toda a singela melhora que teve em sua era passada a perder com a repetição fatigante da mesma maldita temática: o término de relacionamento. Não necessariamente é algo ruim querer escrever só sobre um tema, afinal, muitos outros artistas fazem o mesmo. Olivia Rodrigo, por exemplo, baseou todo o SOUR (de 2021) nisso. O problema por trás dessa decisão é, na verdade, a forma como o mesmo faz isso. O cantor não aprimora a sua escrita além do nível superficial e inofensivo e nem desenvolve direito às próprias ideias. Ele se acomodou desavergonhadamente na ruindade, e isso é extremamente prejudicial.

 Nenhuma canção deste novo álbum consegue aflige qualquer outro sentimento a não ser vergonha e completo desgosto. Todas contam com uma série inesgotável de erros em suas produções, dos quais não valeria a pena listar, porém tem algumas faixas na tracklist que conseguem performar um pouco melhor que as demais, como “Alinhamento Milenar”, “Sinais” e a faixa-título. Consecutivamente, a primeira é uma tímida canção de indie pop sobre a admiravelmente errônea impressão de um jovem apaixonado de que o seu amor é tão bonito e especial que ganha a atenção de todo mundo a sua volta, como celebridades quando posam para capa de revista, quando na realidade ninguém se importa de verdade, a segunda é inteiramente carregada pelo seu refrão (que por mais que não seja tão bem escrito, consta com umas batidas cativantes de electropop) e a terceira, a melhor de SUPER, em que o Jão finalmente consegue se estabelecer na média com a entrega de uma composição sólida sobre querer se “reinventar e experienciar a vida como uma estrela” — o que eu achei algo bem contraditório e até meio desonesto de se dizer, visto toda a falta de variabilidade e criatividade da obra.

 Olhando tudo em retrocesso, a única coisa certa na carreira musical de Jão que vai aumentar é o seu sucesso, nada mais. A baixa qualidade das canções do artista continuará baixa e suas composições continuarão sendo muito rasas e envergonhantes. O SUPER é a prova mais verídica desse fato. Isso efetua-se por conta do mesmo se aproveitar da dor sentida pelos mais jovens em suas composições, retratando términos de relacionamentos de forma tão inconsequentemente imatura que dá fundamento às ideias erradas que os mesmos têm sobre relacionamentos românticos. Nas letras das canções do álbum tal fala é facilmente comprovada: “Falei mal de você, mas volto atrás / Amor próprio é bom, mas o seu é mais”; “Me diz qual o seu tipo, eu sei me transformar / Amor, se eu não basto, o que gostar, eu faço, você vai me amar”; “”Tе quero bem” é o caralho / Eu vou acabar contigo” e dentre outros. Mas enfim, com o acontecimento dessa calamidade pública, eu oficialmente ponho meu último punhado de terra sobre o túmulo da minha esperança.

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