Crazy in Love
2021 • K-POP/POP • JYP
POR MATHEUS JOSÉ; 06 de OUTUBRO de 2021
4.5

Se olharmos para o ITZY, veremos um marco da quarta geração, um verdadeiro ato que encantou o público e se mostrou necessário diante dos caminhos percorridos por elas no K-pop, onde, na maioria das vezes, foram encarregadas de realizar alguns dos desejos que grande parte dos artistas inseridos nessa indústria sempre ansiavam, mesclando juventude e positividade em canções que conseguem resistir a ação do tempo. E foi prolongando o lançamento do primeiro álbum por quase 2 anos após o debut oficial do grupo, que as meninas mantiveram os seus trabalhos com base em mini-álbuns e comebacks responsáveis por introduzir a identidade visual e sonora delas ao mesmo tempo que preparavam terreno para o tão aguardado momento pelo qual se encontram agora com o disco Crazy in Love.

Contudo, apesar da efervescência instantânea de canções como “WANNABE”, “Not Shy” e outros sucessos que marcaram a trajetória do quinteto nesses anos todos, é impossível dizer que os passos programados por elas tenham sido em sua maioria positivos, principalmente após o lançamento de GUESS WHO, uma peça que se tornou a prévia do que seria apresentado nos projetos seguintes. Em um período curto de tempo — intervalo de quase 6 meses — é o que separa uma obra da outra, e nesse espaço, era previsto que mudanças fossem acontecer dada a recepção negativa do disco anterior, o que infelizmente, não ocorreu. Mesmo diante dos erros óbvios que condenaram o GUESS WHO, as garotas do ITZY parecem um tanto quanto despreocupadas ao modo que foram capazes de repeti-los em Crazy in Love. Começando pela sonoridade, o electropop borbulhante, e na maioria das vezes seco, ficou marcado como o cartão postal do que seria feito por elas, onde mais uma vez, não pouparam esforços para reutilizar sons sem brilho e composições rasas, algo que pode ser visto na faixa título, “LOCO”, e a sensualidade irrisória da letra: “Quem você acha que é? / Está me deixando louca, me sinto subindo e descendo”.

Além dessa, outras canções em Crazy In Love mostram ITZY em busca de uma personalidade madura e, até mesmo, cheia de confiança, o que claro tinha tudo para dar certo, uma vez que cinco mulheres destemidas cantando sobre situações onde a liberdade é postada como fator determinante de suas relações, é algo incrível e extremamente importante para se prezar, principalmente em um mercado musical como é o do K-pop. Porém, por mais que elas tentem — e até consigam em alguns momentos como nas faixas “SWIPE” e “#Twenty” —, a maturidade pretendida pelo grupo nesse álbum acaba perdendo o sentido em decorrência da repetição narrativa em composições que parecem girar em torno do mesmo tema. E como se não bastasse isso, a produção é extremamente maçante e a única variação de destaque acaba sendo o projeto de balada presente em “Mirror”, música que encerra o disco, e que, por sua vez, surge com uma quebra de ritmo tão brusca quanto desproporcional ao restante da obra.

No geral, para um álbum de estreia, o que mais pesa negativamente em Crazy In Love é o fato de que a faixa principal acaba recebendo atenção demais e as b-sides — que nesse caso, são verdadeiros destaques, como “Sooo LUCKY”, “LOVE is” e “Chillin’ Chillin’” — passam despercebidas. Se o disco todo fosse contemplado de maneira justa, talvez os problemas já citados como a repetição narrativa e a produção reciclada estariam longe de causar tanta estranheza, mas infelizmente, não é isso que acontece. Por fim, depois de costurar peças do Stray Kids e NCT, além de debandar em direção ao BLACKPINK, podemos dizer que o ITZY finalmente se encontrou, mesmo que a tão simbólica e aguardada estreia com um álbum completo tenha sido frustrante e pouco atraente, tirando o brilho e deixando apenas a esperança de um futuro lançamento mais assertivo e, principalmente, menos desagradável.