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All of This Will End

2023 •

Saddle Creek

7.6
All of This Will End é onde Indigo De Souza mais evoluiu enquanto compositora, porém, também, é onde mais errou.
Indigo De Souza - All of This Will End

All of This Will End

2023 •

Saddle Creek

7.6
All of This Will End é onde Indigo De Souza mais evoluiu enquanto compositora, porém, também, é onde mais errou.
09/05/2023

Logo após o seu esforço criativo ter vindo a calhar com a aclamação de Any Shape You Take, seu segundo álbum de estúdio , Indigo De Souza, a cantora-compositora estadunidense de Nashville, destacada como uma das grandes promessas da música underground pela Pitchfork, mostrou estar sentindo muita angústia por um bloqueio criativo em seu perfil do Instagram. Tal impedimento, todavia, não a incapacitou de tal modo que fosse um entrave, como resposta, ela, de acordo com o que disse em entrevistas, procurou tirar as forças que precisava da natureza, tirando alguns dias para aproveitar o Grand Canyon of North Carolina, lugar esse bastante querido por ela devido aos ótimos momentos que viveu nele na infância.

Se debulhando nas boas águas de Linville Gorge, a jovem se revigorou artisticamente e pode imprimir todos os seus sentimentos na folha do papel e de uma forma como nunca vista anteriormente em sua carreira. A faixa onde mais se evidencia tal aperfeiçoamento artístico é o lead-single do projeto, “Younger & Dumber”. Nessa canção, a compositora captura o devastador encontro entre a inocência e imaturidade do ser humano enquanto criança, em sua infância, com a maliciosa e sofredora realidade enfrentada por um jovem adulto. No segundo verso da música, isso se torna bem notório: “When I was younger / Younger and prouder / I was nobody / You came to hurt me in all the right places / Made me somebody”. É uma crônica linda do passado da cantora e revela Indigo De Souza como sendo uma exímia compositora de um dote vocal impressionante e força inigualável como intérprete das próprias emoções. E também marca mais uma vez em que ela explora mais um gênero, sendo o da vez o alt-country — o que dá um toque ainda mais dramático e sério para a balada.

Sonoramente, outra faixa não tão abaladora e forte quanto “Younger & Dumber”, mas que ainda diverte e interessa bastante por seu energético refrão (“I come alive in the night time, when everybody else is done”) e excelente composição, é a “Smog”. Segundo single lançado da era All of This Will End, a canção indie rock, inspirada um pouco no indie pop, tem uma produção bastante alegre e amável, movida por uma batida simpática, sobreposta pela digníssima performance da cantora. O que acaba sendo muito surpreendente, visto que a sua letra fala sobre ansiedade e fobia social; sobre a dificuldade de se colocar dentro do âmbito social e apenas querer passar despercebido pelas pessoas.

I eat too much when l’m lonely
I bury everything
I wanna face it head-on
But it’s so easy to turn it away
I don’t think I’m gonna make it
I don’t think anything
I just sit down and shut up
And hope they don’t notice me

Continuando, em “You Can Be Mean”, Souza dá a sua versão de hino “esculacha macho” — digna de compartilhar do rancor emocional de grandes sucessos como “Kill Bill”, de SZA, e “Don’t Start Now”, de Dua Lipa —, com uma letra ácida e muito direta: “I’d like to think you got a good heart / And your dad was just an asshole growing up / But I don’t see you trying that hard to be better than he is”. Utilizando de sua confortável junção de indie rock com indie pop para criar uma simples, porém efetiva produção que serve apenas de palco para que a personalidade despojada da cantora brilhe fortemente.

Mais um pouco adiante, nos fazendo sentir a libertação que Indigo sentira enquanto tendo sua alma lavada pela correnteza de Linville Gorge, “The Water” e seu refrão deliciosamente vicioso — que se consiste, resumidamente, de Souza falando ininterruptamente o quanto ama a “água” — encanta poderosamente. A pegada de dream pop e no pop psicodélico são muito bem vindos e dão maior dinâmica ao projeto que, daquele ponto, já se encontra próximo de seu fim. Aliás, seria bom pontuar como um temível erro de All of This Will End a diferença gritante de qualidade da primeira metade do projeto para a segunda. Não é como se a primeira fosse ruim ou chata, apenas é que se torna extremamente esquecível e dispensável quando comparada com a segunda. Enquanto inicialmente temos de nos contentar com a humilde simpatia de “Time Back” e a simples orquestração de “Losing”, e a inferioridade incabível da fraquinha “Parking Lot”, finalmente (chegando no fim do álbum) nos deparamos com faixas de um nível desconcertantes de tão altas.

Ainda falando sobre o fim de All of This Will End, outros momentos brilhantes daquele ponto são “Always” e “Not My Body”. E alguns aspectos de algumas faixas do início da obra, como a composição dolorosa de “Losing” (“There is nothing I can do / When the winds of change blow through / There is nothing I can say / To make you stay”) e o verso tragicamente hilário da faixa-título (“Nobody hears me, now I’m talking to myself / I’m talking to God or something / I don’t want anything to do with magic”). Num contexto geral, o álbum se mostra bastante acima da média. Não há nenhuma canção ofensivamente ruim, mas também não é como se tivesse uma quantidade muito generosa de canções boas para fazer valer a experiência de ouvir por completo. Tirando algumas faixas em específico, é um álbum meio dispensável. O que é algo bem infeliz, visto que Souza prometia entregar seu melhor trabalho com esse projeto. Porém, mesmo assim, não é algo de se lamentar tanto. Tendo em consideração o quanto ela evoluiu como compositora e cantora fazendo essa obra.

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