Kanye West, Tony Benett, Lady Gaga, Olivia Rodrigo, Billie Eilish e Doja Cat. Fonte: Getty Image.

‎Grammy 2022: Quem Vai Ganhar e Quem Deveria Ganhar‎


A edição deste ano do Grammy, depois de um adiamento pela pandemia, finalmente chegou. No ano passado, tivemos um evento que, de certa forma, foi abrangente e conseguiu deixar os prêmios bem distribuídos, para além de estabelecer diversos recordes, como para Beyoncé e Taylor Swift. Nesse ano, contudo, as coisas parecem copiar 2020, quando Billie Eilish ganhou as quatro categorias principais, porém, dessa vez, Olivia Rodrigo aparece como a grande favorita. Ademais, BTS, Swift, Kanye West, Tyler, the Creator e Doja Cat aparecem entre os indicados. É sempre estressante, mas igualmente divertido pensar sobre. Segue nossas apostas de quem irá ganhar e de quem deveria ganhar os prêmios no próximo domingo.


Record of the Year

  • ABBA – “I Still Have Faith in You”
  • Jon Batiste – “Freedom”
  • Tony Bennett & Lady Gaga – “I Get a Kick Out of You”
  • Justin Bieber Featuring Daniel Cesar & Giveon – “Peaches”
  • Brandi Carlile – “Right on Time”
  • Doja Cat Featuring SZA – “Kiss Me More”
  • Billie Eilish – “Happier Than Ever”
  • Lil Nas X – “Montero (Call Me by Your Name)”
  • Olivia Rodrigo – “drivers license”
  • Silk Sonic – “Leave the Door Open”

Quem vai ganhar: Olivia Rodrigo – “drivers license”
Quem deveria ganhar: Olivia Rodrigo – “drivers license” / Billie Eilish – “Happier Than Ever”

Apostamos em “drivers license” ou “Happier Than Ever” na categoria de gravação do ano. Os motivos são claros para qualquer um que esteve antenado aos maiores lançamentos de 2021. Ao passo que Billie foi um enorme sucesso no Tik Tok quando causou grande choque com a estrutura de seu último single e sua reviravolta na ponte; Olivia foi responsável por abrir os trabalhos do ano — algo que, beirando o mês de abril, ainda não tivemos, de nenhum artista, em 2022 — com seu single de estreia. Ambas são baladas. Ambas são originais. Ambas são bem-sucedidas. Ambas merecem sua posição aqui 

Todavia, nem todos os indicados realmente fazem jus a sua posição. A medíocre “Peaches”, de Bieber, não poderia ter sido facilmente substituída por “Positions” de Ariana Grande? Além disso, é comum que tenhamos uma ou outra canção que, embora não seja quebradora de recordes e não tenha incontáveis reproduções no streaming, seja agraciada com uma indicação. Nesse ímpeto, “Like I Used To”, de Sharon Van Etten e Angel Olsen, conquanto soe como um grande clássico e tenha competência para disputar com fortes candidatos, ela não aparece entre os indicados. Enfim, algumas observações sobre inconsistências na lista de nomeados, porém, felizmente, quem deveria ganhar e quem vai ganhar já está aqui — e ela tem um carteira de motorista, sabia? — Kaique Veloso


Album of the Year

  • We Are – Jon Batiste
  • Tony Bennett & Lady Gaga – Love for Sale
  • Justin Bieber – Justice (Triple Chucks Deluxe)
  • Doja Cat – Planet Her (Deluxe)
  • Billie Eilish – Happier Than Ever
  • H.E.R. – Back of My Mind
  • Lil Nas X – MONTERO
  • Olivia Rodrigo – SOUR
  • Taylor Swift – evermore
  • Kanye West – DONDA

Quem vai ganhar: Olivia Rodrigo – SOUR
Quem deveria ganhar: Taylor Swift – evermore / Billie Eilish – Happier Than Ever

Com o passar dos anos, escolher um vencedor para essa categoria em especial tem se tornado uma atividade cada vez mais difícil. Dois fatores entram nessa jogada: o primeiro, há alguns anos, quando a Academia decidiu expandir o número de indicados; o segundo pelo próprio caminho da indústria, que tem abraçado organicamente um ritmo cada vez mais rápido de consumo, adoção de novos artistas e de descarte quando esses calouros, ou os veteranos, perdem seu brilho. Dessa forma, a pergunta de quem deveria ganhar o prêmio de álbum do ano se torna complicada: é o melhor álbum do ano? É o registro que mais fez sucesso? Ou é um disco que foi reflexo da sociedade?

Por anos, a resposta para essa pergunta vem sido mudada: em determinado ano, foi o disco que mais fez sucesso, como quando o 25, da Adele, venceu de Lemonade, de Beyoncé, essencialmente por vender alguns milhões de cópias, ainda que o trabalho da americana fosse claramente melhor. Em outros, a fusão desses fatores, como no ano passado com folklore, o álbum mais forte dos indicados e o com maior desempenho comercial também.

Portanto, nesse ano, SOUR, de Olivia Rodrigo, deve ganhar o prêmio. Por mais que ele não seja o concorrente mais potente em questão de qualidade, foi o trabalho que mais vendeu e repercutiu nos últimos anos, fator este que o Grammy recentemente, parece privilegiar mais do que quesitos técnicos, estéticos, sonoros e representativos. Por outro lado, trabalhos como evermore, de Taylor Swift, e Happier Than Ever, de Billie Eilish, surgem como sinônimos de qualidade, sendo, desse modo, esses que deveriam ganhar. No entanto, o trabalho de Swift seria sua quarta vitória na categoria. O de Eilish, por sua vez, fez um barulho extremamente inferior ao seu disco de estreia, passando batido para muitos. Se Rodrigo ganhar nesse ano, pelo menos, teremos a confirmação de que o prêmio será destinado cada vez para os artistas estreantes justamente por eles fazerem o maior sucesso devido às mídias sociais. Infelizmente, eles serão os primeiros a serem esquecidos também. — Leonardo Frederico.


Song of the Year

  • Ed Sheeran – “Bad Habits”
  • Alicia Keys & Brandi Carlile – “A Beautiful Noise”
  • Olivia Rodrigo – “drivers license”
  • H.E.R. – “Fight for You”
  • Billie Eilish – “Happier Than Ever”
  • Doja Cat Featuring SZA – “Kiss Me More”
  • Silk Sonic – “Leave the Door Open”
  • Lil Nas X – “Montero (Call Me by Your Name)”
  • Justin Bieber Featuring Daniel Cesar & Giveon – “Peaches”
  • Brandi Carlile – “Right on Time”

Quem vai ganhar: Olivia Rodrigo – “drivers license” / Billie Eilish – “Happier Than Ever”
Quem deveria ganhar: Olivia Rodrigo – “drivers license” / Billie Eilish – “Happier Than Ever”

A categoria “Canção do Ano” avalia a composição da letra e melodia da canção. Entre os nomeados, as que mais se destacam são a novata Olivia Rodrigo e a já estabelecida Billie Eilish. “drivers license”, de Olivia, é um prato recheado de versos melodramáticos e angústia juvenil, da melhor forma possível. Em pouco tempo, a cantora conseguiu impactar o mundo da indústria pop e fazer com que todos ao seu redor ficassem encantados com a sua aura adolescente, possivelmente até dos Grammys. Em contraste, “Happier Than Ever”, de Billie, soa madura e consciente de si própria, abordando um relacionamento abusivo de forma honesta e totalmente diferente em termos de estrutura e percussão musical. A criatividade e preferência da academia pela Billie Eilish poderia significar também a sua vitória neste prémio. — Gerson Monteiro


Best New Artist

  • Arooj Aftab
  • Jimmie Allen
  • Baby Keem
  • Finneas
  • Glass Animals
  • Japanese Breakfast
  • The Kid Laroi
  • Arlo Parks
  • Olivia Rodrigo
  • Saweetie

Quem vai ganhar: Olivia Rodrigo
Quem deveria ganhar: Olivia Rodrigo
Snubs: Lingua Ignota e Spellling

Artista Revelação talvez seja a categoria mais óbvia em todas as edições do Grammy. Billie Eilish em 2020; Dua Lipa em 2019; Megan Thee Stallion em 2021; Bon Iver em 2012… Ok, talvez em quase todas as edições. Mas não há dúvidas neste ano: Olivia Rodrigo foi a artista que mais ganhou reconhecimento. Aliás, ela é, na verdade, uma das poucas revelações de fato. Apesar de Japanese Breakfast ter ganhado bastante atenção recentemente pelo criticamente aclamado Jubilee, a cantora e escritora já tem faixas lançadas há 6 anos. Da mesma forma, o rapper de “family ties” e as cantoras Arooj Aftab e Saweetie já estão na estrada há 4 anos. Em todo caso, Rodrigo não merece o prêmio apenas pelo pouco tempo desde sua estreia, mas porque SOUR é um dos maiores fenômenos dos últimos tempos. Olívia conseguiu, como ninguém, apresentar um projeto maduro, que agrada o público e que tem notáveis qualidade lírica e identidade sonora. E não há dúvidas que um resultado diferente desse seria o maior “snub” da cerimônia.

Em outro contexto, destacamos alguns artistas que tiveram elevado reconhecimento no ano passado, mas que não foram agraciados com uma indicação: Lingua Ignota e Spellling. A cantora de “Little Deer”, Chrystia Cabral, obteve um verdadeiro marco em  sua carreira com o lançamento de seu segundo álbum, o Turning Wheel. Ela conseguiu captar a atenção da crítica especializada, ao mesmo tempo em que expandiu o seu grupo de fãs. Cabral não foi indicada a nenhuma categoria. E Kristin Hayter, nome original de Lingua, encontra-se na mesma situação, com a peculiaridade de seu penúltimo álbum, Caligula, já ter garantido seu espaço na mídia musical. Somado a isso, o “snub” de Hayter e Cabral carrega ainda mais pesar, pois ambas as artistas tinham essa como sua última chance de concorrer à categoria de artista revelação, visto que elas já possuem três álbuns na discografia — número limite de acordo com as regras do Grammy. — Kaique Veloso


Best Pop Vocal Album

  • Justin Bieber – Justice (Triple Chucks Deluxe)
  • Doja Cat – Planet Her (Deluxe)
  • Billie Eilish – Happier Than Ever
  • Ariana Grande – Positions
  • Olivia Rodrigo – SOUR

Quem vai ganhar: Olivia Rodrigo – SOUR / Billie Eilish – Happier Than Ever
Quem deveria ganhar: Olivia RodrigoSOUR / Billie EilishHappier Than Ever

A categoria representa bem os álbuns pop que “bombaram” durante o último ano. Doja Cat com Planet Her, trazendo um estabelecimento do pop rap como um dos principais gêneros do mainstream. Ariana Grande, com Positions, mostrando ser uma vocalista inteligente, e até Justin Bieber, com Justice, que apesar de ser o mais fraco dos nomeados, é um claro avanço em relação ao Changes. No entanto, SOUR, de Olivia Rodrigo é um estrondoso sucesso em relação aos seus colegas, o que poderia significar a vitória do projeto, já que nos últimos anos a academia tem apostado nos álbuns que têm mais sucesso comercial. Em adição, temos o Happier Than Ever,  que em relação ao disco de Olívia, vai abaixo das expectativas de vendas. Apesar de ter feito ainda números razoáveis, o que faz ele ter uma grande chance de ser o vencedor é a aclamação da crítica e a preferência da academia pela Billie. — Gerson Monteiro


Best Solo Pop Performance

  • Justin Bieber – “Anyone”
  • Brandi Carlile – “Right on Time”
  • Billie Eilish – “Happier Than Ever”
  • Ariana Grande – “Positions”
  • Olivia Rodrigo – “drivers license”

Quem vai ganhar: Olivia Rodrigo – “drivers license”
Quem deveria ganhar: Olivia Rodrigo – “drivers license” / Billie Eilish – “Happier Than Ever”

Seguindo os mesmos critérios de categoria de álbum do ano, essa também tende fortemente para o lado de Rodrigo. Embora o trabalho que Eilish tenha feito com “Happier than Ever”, sua melhor canção, tenha sido… de tirar o fôlego, “drivers license” ainda que inferior, teve maior repercussão, um quase culture reset no começo do ano passado, mantendo-se presente o ano todo. No entanto, Olivia, da mesma forma, conseguiu segurar e manter bem todo caráter de sua faixa. O desempate entre essas duas vem justamente da longevidade que Olivia tenha sob Eilish.  — Leonardo Frederico


Best Pop Duo/Group Performance

  • Tony Bennett & Lady Gaga – “I Get a Kick Out of You”
  • Justin Bieber & Benny Blanco – “Lonely”
  • BTS – “Butter”
  • Coldplay – “Higher Power”
  • Doja Cat Featuring SZA – “Kiss Me More”

Quem vai ganhar: Tony Benett & Lady Gaga – “I Get a Kick Out of You” / Doja Cat featuring SZA – “Kiss Me More”
Quem deveria ganhar: Doja Cat featuring SZA – “Kiss Me More”

BTS pode ter a maior fanbase da atualidade, fazendo-os, inclusive, atingir o primeiro lugar da Billboard apenas com número absurdos de vendas, as quais foram orquestradas unicamente por seus fãs. No entanto, não importa se pegou honestamente ou não o topo da parada, “Butter” não tem chance alguma contra “Kiss Me More”, de Doja Cat com SZA. Enquanto o trabalho dos coreanos é… difícil de engolir e tenha tido seu sucesso garantido, novamente, apenas por seus fãs que fizeram campanhas para comprar a faixa, “Kiss Me More” foi orgânico, além de ser realmente uma canção boa. Por outro lado, há um elemento chave, “I Get a Kick Out of You”, de Tony Bennett e Lady Gaga, que poderia levar o prêmio pelas condições de saúde do cantor como forma de homenagem. — Leonardo Frederico.


Best Alternative Music Album

  • Fleet Foxes – Shore
  • Halsey – If I Can’t Have Love, I Want Power
  • Japanese Breakfast – Jubilee
  • Arlo Parks – Collapsed in Sunbeams
  • St. Vincent – Daddy’s Home

Quem vai ganhar: St. Vincent – Daddy’s Home / Japanese Breakfast – Jubilee
Quem deveria ganhar: St. Vincent – Daddy’s Home

St Vincent é a grande concorrente aqui. Após uma sequência inabalável de discos pop e rock com uma tendência à estranheza, Annie Clark pegou sua guitarra e transportou a si e seus fãs para os anos 70. Embasado por referências clássicas do psicodélico, como Pink Floyd e seu álbum The Dark Side of The Moon, o álbum Daddy’s Home chegou completo e confortavelmente nostálgico. Nesse sentido, aliado às letras de temas íntimos de Clark — a saída de seu pai da prisão é uma delas, a qual dá nome ao projeto —, o indicado ao Grammy é mais revelador do que seus anteriores, mas menos extravagante. Daddy’s Home te conquista pela sua opulência.

Não obstante, Halsey e Arlo Parks também movimentaram a indústria com os respectivos If I Can’t Have Love, I Want Power e Collapsed In Sunbeams. Este, o álbum de estreia de uma jovem e promissora artista, trata de assuntos mais pertinentes à adolescência; já aquele, o quarto e melhor registro de Ashley, aborda questões da vida madura, da gravidez e do seu poder imbuído e do papel da mulher na sociedade enquanto gestante. Halsey impõe toda sua força na construção de sua narrativa, e Parks surpreende pela prematura capacidade de compreensão de algo como a depressão. É, entretanto, em Jubilee que apostamos algumas de nossas fichas, haja vista toda a elogiosa e elogiada trajetória de lançamento desse disco de Michelle Zauner — o terceiro de sua carreira. Zauner demonstrou, em músicas como “Kokomo, IN”, “In Hell”  e a majestosa “Paprika”, suas habilidades de escritora. Além disso, apresentou as eufóricas e dançantes “Be Sweet” — uma de nossas 100 melhores canções de 2021 — e “Savage Good Boy”.

Por fim, esclarecemos nosso leve descontentamento com a falta de algumas indicações. Embora todos os álbuns que nessa categoria concorrem mereçam sua posição, não ver AnOverview On Phenomenal Nature, de Cassandra Jenkins; Home Video, de Lucy Dacus; e, ainda, o disco Blue Weekend, da banda britânica Wolf Alice, deixa um gostinho de “quero mais” para o Grammy. — Kaique Veloso


Best R&B Song

  • H.E.R. – “Damage”
  • SZA – “Good Days”
  • Giveon – “Heartbreak Anniversary”
  • Silk Sonic – “Leave the Door Open”
  • Jazmine Sullivan – “Pick Up Your Feelings”

Quem vai ganhar: Silk Sonic – “Leave the Door Open”
Quem deveria ganhar: Jazmine Sullivan – “Pick Up Your Feelings”

“Leave The Door Open”, de Silk Sonic, tem o maior potencial aqui. Essa canção, em específico, foi uma das maiores gravações do ano, com grande apelo do público. Apesar disso, Jazmine Sullivan definiu um alto nível para os álbuns R&B do ano ao lançar Heaux Tales. Foi esse álbum que trouxe a faixa “Pick Up Your Feelings”. Essa relaxante peça traz consigo um ar de indiferença e um estado mental desejado por todos que passam por um término de relacionamento. Já “Good Days”, de SZA, é uma ótima faixa, mas que pode acabar sendo ofuscada por Bruno e Anderson. E H.E.R… Bom, com H.E.R no Grammy, tudo é possível.Vale salientar, também, um dos “snubs” desta edição: Tinashe com “Bouncin”, de seu álbum 333. A cantora nunca recebeu uma indicação e, ainda que o próprio site do Grammy a reconheça como uma artista subestimada, a viciante “Bouncin” tampouco foi valorizada por eles. — Kaique Veloso


Best R&B Album

  • Snoh Aalegra – Temporary Highs in the Violet Skies
  • Jon Batiste – We Are
  • Leon Bridges – Gold-Diggers Sound
  • H.E.R. – Back of My Mind
  • Jazmine Sullivan – Heaux Tales

Quem vai ganhar: Jazmine Sullivan – Heaux Tales
Quem deveria ganhar: Jazmine Sullivan – Heaux Tales

Há 3 notáveis concorrentes na categoria de álbum R&B: Jon Batiste, H.E.R e Jazmine Sullivan. O primeiro e a segunda, pois, além dessa, também aparecem na lista do maior prêmio da noite, o de álbum do ano. Isso mostra que a Academia os vê como um dos melhores projetos do ano e é, de certa forma, óbvio ou pouco impressionante vê-los vencer sua categoria de base. Mas o fato é que, se a regra é: o melhor vence, então Jazmine Sullivan vai vencer. Heaux Tales foi lançado ainda no início do ano e sua concepção impressionou a todos. Com faixas que se relacionam aos temas abordados nos interlúdios que se intercalam, o disco tem a mulher como seu objeto de análise — e, dele, cria peças cativantes, sensuais, que te põem a refletir e aproveitar. — Kaique Veloso


Best Rap Song

  • DMX Featuring Jay-Z & Nas – “Bath Salts”
  • Saweetie Featuring Doja Cat – “Best Friend”
  • Baby Keem Featuring Kendrick Lamar – “Family Ties”
  • Kanye West Featuring Jay-Z – “Jail”
  • J. Cole Featuring 21 Savage & Morray – “My Life”

Quem vai ganhar: Baby Keem featuring Kendrick Lamar- “familty ties”
Quem deveria ganhar: Kanye West featuring Jay-Z – “Jail”

Dentro do gênero do rap, essa é, provavelmente, a categoria mais interessante: de um lado, temos o maior (e melhor) rapper da atualidade, Lamar por sua participação na canção de Baby Keem; de outro, o mais polêmico, West. Ironicamente, porém, a canção de West, “Jail”, com Jay-Z, sai na frente. Para além de seu sentimento nostálgico da união entre os dois rappers no começo da década passada, em Watch the Throne, a música ressoa com honestidade e som eletrizante. Por outro lado, Baby Keem, ainda que esteja apoiado em Kendrick, tem sua peça ressoando em tons amenos, para além de estar concorrendo com dois veteranos que, anos atrás, eram as grandes potências do rap. Contudo, como dito anteriormente, West se tornou um evento polêmico demais para os olhos da Academia e qualquer envolvimento associado com ele pode não ser bem visto… Keem ganha então. — Leonardo Frederico.


Best Rap Album

  • J. Cole – The Off-Season
  • Drake – Certified Lover Boy
  • Nas – King’s Disease II
  • Tyler, the Creator – Call Me If You Get Lost
  • Kanye West – DONDA

Quem vai ganhar: Tyler, the Creator – Call Me If You Get Lost / Kanye West – DONDA
Quem deveria ganhar: Tyler, the Creator – Call Me If You Get Lost

Se não bastasse Little Simz excluída dessa categoria com seu excelente Sometimes I Might Be Introvert, a academia achou que seria de bom grado indicar DONDA, de Kanye West, um dos piores trabalhos do cantor e entre os indicados. No entanto, não seria uma surpresa se o décimo disco de West ganhasse a disputa, unicamente pelo seu alto número de colaboradores, o que coloca ele na frente por sua vantagem em networking. Com o alto número de compositores, produtores e artistas envolvidos em DONDA, West ganharia justamente por ter os votos dessas pessoas e de seus relacionados. Por outro lado, CALL ME IF YOU GET LOST também aparece forte na competição, sendo um dos melhores trabalhos de Tyler, ainda que não tenha feito metade do burburinho que o trabalho de Kanye. Honestamente, não seria uma surpresa se o resultado ficasse entre esses dois — visto que Drake, uma aposta segura para a academia, foi retirada —, mas apenas uma dessas seria uma surpresa boa. — Leonardo Frederico.


Producer of the Year, Non-classical

  • Jack Antonoff
  • Rogét Chahayed
  • Mike Elizondo
  • Hit-Boy
  • Ricky Reed

Quem vai ganhar: Jack Antonoff
Quem deveria ganhar: Jack Antonoff

Na categoria de Produtor do Ano (não-clássico), há nomes que produziram alguns excelentes e mais variados trabalhos de 2021 e final de 2020: desde o punk em Glow On, de Turnstile, assinado por Mike Elizondo, a “Gold Rush” e Daddy’s Home, de Taylor Swift e St Vincent, respectivamente, assinados por Jack Antonoff. No entanto, muitos dos indicados aqui também participam de projetos não tão satisfatórios ou rebuscados, se comparados a outros itens pelos quais o produtor recebeu seu reconhecimento. Por exemplo, é possível destacar 2 nomeações, dos quais se extrai a suave e doce “//aguardiente Y Limón %ᵕ‿‿ᵕ%” e a sensual colaboração de Doja Cat e Sza “Kiss Me More”. O revés, contudo, dá-se ao notar “Vibez”, de Zayn, ou “Don’t Go Yet”, de Camila Cabello. Dito isso, vemos que Antonoff é aquele que possui maior coerência e média; não sendo, portanto, superestimado devido a um único bom trabalho. Chemtrails Over The Country Club, Sling, evermore, Daddy’s Home, Solar Power e Take The Sadness Out of Saturday Night são álbuns, ainda para aqueles que ouviram, mas não se apegaram, que não fogem da faixa do “bom” ou “aceitável”, e passam longe da posição de detestável. — Kaique Veloso


Best Music Video

  • AC/DC – “Shot in the Dark”
  • Jon Batiste – “Freedom”
  • Tony Bennet & Lady Gaga – “I Get a Kick Out of You”
  • Justin Bieber Featuring Daniel Caesar & Giveon – “Peaches”
  • Billie Eilish – “Happier Than Ever”
  • Lil Nas X – “Montero (Call Me by Your Name)”
  • Olivia Rodrigo – “Good 4 U”

Quem vai ganhar: Billie Eilish – “Happier Than Ever” / Lil Nas X – “MONTERO (Call Me by Your Name)”
Quem deveria ganhar: Billie Eilish – “Happier Than Ever”

Muitas das vezes, videoclipes são uma extensão do mundo criado pelo artista, trazendo história, profundidade e entretenimento às suas músicas, como também, uma oportunidade de explorar os limites da sua criatividade. Entre os nomeados, há dois que brilham mais em relação aos outros. Um deles é “Happier Than Ever”, de Billie Eilish. Com uma narrativa simples mas impactante, a cantora consegue traduzir os sentimentos trazidos na canção de maneira perspicaz e deslumbrante, proporcionando uma experiência visual e sonora pormenorizada e emocionante.  Conjuntamente, “MONTERO (Call Me by Your Name)”, de Lil Nas X, é um possível vencedor. A repercussão do vídeo na internet foi imensa, e com a devida razão. O videoclipe é uma explosão de criatividade e libertação de preconceitos e um manifesto à cultura LGBTQ+. — Gerson Monteiro


Best Music Film

  • Bo Burnham – Inside
  • David Byrne – David Byrne’s American Utopia
  • Billie Eilish – Happier Than Ever (A Love Letter to Los Angeles)
  • Jimi Hendrix – Music, Money, Madness…Jimi Hendrix in Maui
  • Various Artists – Summer of Soul

Quem vai ganhar: Inside
Quem deveria ganhar: Inside

A combinação de cinema e música é uma arte que junta o melhor dos dois mundos, e muitos dos nomeados este ano comprovam esta teoria. No entanto, o nome que mais se destaca dentro da categoria é o excêntrico Bo Burnham. A peça “Inside”, da sua autoria, é um conjunto de observações sobre o confinamento e o retrato de um artista sozinho com suas inseguranças. Bo tem uma ótima maneira de combinar música, humor e temas cotidianos, ao mesmo tempo que oferece uma visão da saúde mental. “Inside” mostra o poder da comédia e como ela é necessária, especialmente aqueles estágios iniciais em que a pandemia estava a começar a afetar-nos. — Gerson Monteiro